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GRAVIDADE

GRAVIDADE

alexsoletto - Iscas Científicas -

GRAVIDADE

 O grão do desejo quando cresce
É arvoredo que floresce
Não tem serra que derrube
Não tem guerra que desmate
Ela pesa sobre a terra
Mais que a Lei da Gravidade.
(Mais que a Lei da Gravidade, Paulinho da Viola)

 

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Aproveitando a carona no texto passado (Interestelar) gostaria de continuar explorando um pouco mais este tema, a Ficção Científica (nem tanto,nem tanto…) no cinema. Vamos dar uma olhadinha no filme, “GRAVIDADE”. O filme, dirigido e co-escrito pelo diretor Alfonso Cuaron, tem como base científica, uma das quatro forças (ou interações) fundamentais que comandam as leis do Universo, a gravidade. Ela e as outras três forças fundamentais da natureza, o eletromagnetismo, a força fraca e a força forte surgiram nos primeiros microsegundos após o Big Bang, a teoria hoje, mais bem aceita pelos cientistas para o surgimento do Universo. A primeira formulação mais séria da gravidade foi elaborada pelo físico inglês Sir Isaac Newton (1642~1727). A famosa história de que Newton descobriu a gravidade “com a queda de uma maçã em sua cabeça” é contestada por alguns estudiosos do físico/matemático. Dizem eles que, se realmente a tal maçã tivesse furtivamente caído na sua cabeça, o cientista teria simplesmente, com o seu conhecido mau humor, “reduzido” a pobre fruta à pequenos fragmentos. O máximo que pode ter acontecido foi que Newton observou uma maçã que caia a alguns seguros centímetros de onde ele dormia sua sesta (a maçã, com todo seu simbolismo foi protagonista em alguns episódios mais famosos da história do homem. A do pecado original, a de Issac Newton, a dos Beatles, a da cidade de Nova York e a mais recente, nem por isso menos importante, a Apple de Steve Jobs).

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Gravitação Universal
Histórias à parte, Newton elaborou sua teoria, observando o movimento da lua e concluiu que a força que a mantém sempre em órbita é da mesma natureza daquela (força) que a terra exerce sobre um corpo (por exemplo, a maçã) que se encontre em sua superfície. Sir Newton publicou em 1687, na sua obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, a lei da Gravitação Universal (e também as leis dos corpos em movimento). A gravitação universal é uma força de atração agindo em qualquer objeto que contenha massa (quantidade de matéria). Segundo Newton “Dois corpos atraem-se com força proporcional às suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distancia que separa seus centros de gravidade”. Talvez essa seja a força mais importante entre as fundamentais existentes. Sem ela o universo não estaria unido como é hoje. Einstein generalizou a teoria de Newton, com sua Teoria da Relatividade Geral, que mostra que, na verdade a presença de uma grande massa “deforma” o tecido espaço-tempo e faz com que os planetas sigam insistentes, suas órbitas em torno do nosso sol. Nem todos sabem que, o movimento das marés aqui na terra são provocadas pela força gravitacional da Lua. O sol nada mais é do que um objeto em equilíbrio entre duas forças: a energia gerada pela fusão atômica (colisões entre átomos) que ocorre dentro das estrelas e tenta expandi-las e a força gravitacional contrária, que as mantém unidas e coesas.

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A Ainda Misteriosa Gravidade
O nosso dia-a-dia está repleto de manifestações da ação da força da gravidade, desde a queda de um simples lápis que vai ao chão, até o lançamento dos grandes foguetes que consomem uma enorme quantidade de combustível, para conseguir vencer a força da gravidade que tenta, sem perdão, trazer-los de volta à superfície da terra. Um objeto com propulsão que alcance uma determinada velocidade conhecida como velocidade de escape e sua energia for cortada, poderá a partir daí seguir seu caminho sem o auxilio de nenhuma força adicional. No planeta terra (todo corpo tem sua velocidade de escape própria e a aceleração da gravidade na superfície da terra é de 9,83m/s2 nos pólos), a velocidade de escape é de 11,2 Km/s e todo e qualquer objeto em sua superfície tem que alcançar a mesma marca, não importando sua massa. Uma grande massa necessitará de mais energia; uma massa menor, menos energia. Se um foguete se encontrar em um determinado ponto a uma velocidade “menor” do que a de escape e sua propulsão for cortada, ele pode cair de volta à terra ou, dependendo do caso, entrar em órbita; se a velocidade for “maior” do que a velocidade de escape em um determinado ponto, ele seguirá em frente.
Mas apesar de “controlarmos” – de certa forma – a força gravitacional usando-a em nosso beneficio, é sabido desde os filósofos gregos (Aristóteles) passando por Galileu e por Newton, que ela continua até hoje, desafiando os cientistas, que não têm ainda, uma explicação por que ela funciona desta maneira.

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Rayn e Matt
Foi vencendo a força gravitacional da terra, que um foguete levou os astronautas Rayn Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalski (George Clooney) e o ônibus espacial, o Explorer, ao espaço sideral. Os astronautas foram enviados em uma missão afim de fazer reparos no telescópio espacial, Hubble.

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Gravidade Zero?
Logo no inicio do filme, já se pode sentir a sensação da baixa força gravitacional no espaço. No decorrer da missão, eles são alertados pelo centro de controle em Huston, que os russos (sempre eles…) utilizando um míssil, abateram um satélite que já estava desativado e vagava em órbita livre, ao redor da terra. Huston comunicou aos astronautas, que uma chuva de pequenos pedaços do satélite atingido, voavam em direção próxima ao ônibus espacial, mas segundo eles, sem ameaça à missão. Porém poucos minutos depois, o Controle da Missão muda radicalmente sua mensagem anterior e alerta a um perigo eminente e ordena o cancelamento imediato da missão. Acontece que, os primeiros detritos atingiram outros satélites (inclusive cortando as comunicações com a terra) gerando novos detritos, estes sim, de grande tamanho que acabam por atingir o Explorer a ponto de inutilizá-lo para seu retorno à terra.
Aqui se inicia a de fato, a briga dos astronautas para sobreviverem a hostilidade espacial proporcionada pela baixa força gravitacional. Os termos amplamente usados de “falta de gravidade” ou “gravidade zero” são totalmente equivocados. Não existe lugar algum do Universo que não esteja sobre a influencia da força gravitacional. Microgravidade é o termo correto para aquela aparente sensação de falta de peso que os astronautas sentem nas viagens espaciais. Gravidade zero é apenas uma “sensação”. Mesmo assim, a 400Km de altura, onde se encontra a Estação Espacial Internacional, nosso planeta ainda exerce uma grande força gravitacional nos corpos nesse ponto (por volta de 90% da gravidade sentida na superfície terrestre. Aproximadamente, 8.6m/s2). Na verdade os corpos que estão em órbita terrestre, estão sempre “caindo” em direção à terra, mas esta queda é equilibrada por um movimento horizontal do corpo em deslocamento. A combinação destas duas forças, faz com que a Estação e seus ocupantes, descreva uma longa curva ao redor da terra. Nesta situação, a sobrevivência no espaço torna-se delicada.

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Quando os grandes destroços atingem o ônibus Explorer e os astronautas, o ambiente vira um caos incontrolável. Rayn e Matt são violentamente arremessados ao espaço e só são sustentados pelos cabos de segurança e pelo braço do guindaste do ônibus espacial que os sacode sem controle à mercê das enormes forças inerciais exercidas pelas peças destroçadas da Explorer. Depois de muito esforço os astronautas conseguem controlar a situação, mas descobrem que toda a tripulação do ônibus já destruído, estava morta.

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A ISS e a Estação Tiangong
A única saída agora era tentar alcançar a ISS (Estação Espacial Internacional) à 100Km dali. Neste caminho, numa conversa mais pessoal entre os dois astronautas, Rayn revela a Matt que teve uma filha morta aos dois anos de idade. Ao chegarem à ISS descobrem que ela foi parcialmente danificada, e que uma das duas naves russas Soyuz foi usada pelos tripulantes para o retorno à terra. A outra Soyuz estava presa à estação pelos cabos de seu pára-quedas. Rayn, que estava ligada à Matt por um cabo, consegue se segurar entrelaçando suas pernas aos fios do pára-quedas.

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Porém fica claro que o cabo que os ligavam não sustentaria os dois astronautas por muito tempo. Então Matt numa atitude de coragem e companheirismo, corta o cabo e lança-se ao espaço infinito para poder salvar Rayn. Depois de se livrar do pára-quedas que prendia sua Soyuz à ISS, Rayn se dirige à Estação Espacial Chinesa, Tiangong, à procura de um possível módulo para seu retorno à terra. Já dentro do módulo da Soyuz e sem oxigênio, Rayn decide desligar todo o seu suprimento entregando-se assim ao suicídio, numa forma de reencontrar com sua filha. Neste momento Matt reaparece, entra no módulo e dá instruções de como a astronauta deverá proceder para chegar à estação chinesa. Rayn segue as instruções e logo percebe que a aparição de Matt foi apenas uma peça pregada talvez pelo seu cérebro, já quase sem oxigênio. Chegando a estação Tiangong usando um extintor de incêndio como propulsor, a astronauta consegue enfim chegar à cápsula chinesa Shenzhou, para tentar sua reentrância na atmosfera terrestre.

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Volta ao Lar
Após uma violenta viagem de retorno com sua cápsula quase derretendo em função da atmosfera terrestre, a cápsula com Rayn, pousa silenciosamente em um lago na terra. Depois de emergir e com alguma luta nadar, a nossa personagem consegue chegar à beira do lago. Numa técnica de cinematográfica de plano fechado, o filme mostra os pés de Rayn pisando firmemente o solo terrestre. O enredo do filme gira quase inteiramente, em torno da personagem da astronauta. A curta presença de Matt no filme representa uma espécie de consciência libertadora de Rayn. O diretor usa muito bem o conceito de alta gravidade e baixa gravidade como uma ferramenta para representar o momento da vida de Rayn. No espaço a astronauta vivia – com a sensação de flutuar devido à baixa gravidade, distante da terra que é o seu mundo real e o imenso vazio – uma vontade inconsciente de morrer e encontrar sua filha que se foi aos dois anos de idade. Como que um sonho de fuga pela dor que sentia.

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E a sua volta à Terra e à gravidade normal, representa ao contrario, o reencontro com a realidade que terá que encarar, dali para frente. O filme ganhou 7 Oscar, entre eles o de melhor diretor, melhor fotografia e melhor efeitos especiais em 2013 e Sandra Bullock, uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Acho que Newton gostaria de ver o filme…

 

 

 

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