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Documentira

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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Até anteontem, os Estados Unidos eram o império do mal, a síntese de tudo de ruim que há no universo; um inferno habitado por seres inumanos, que massacram sul-americanos por puro prazer sádico, e cujo produto da indústria cinematográfica não passava de lixo enlatado a serviço da colonização mental de cucarachas abaixo do Equador. Em suma, o grande satã do Norte usava seus péssimos filmes como ferramenta imperialista, e devia ser combatido a qualquer custo.

Da noite para o dia, tudo mudou. Hollywood, a Meca do cinema, bem como seu prêmio maior, o Oscar, passaram a ser tratados pela lulada como apoteose do progressismo, liberdade e bom gosto. A partir de agora (veremos por quanto tempo), os EUA não servem só para Fernando Haddad, Manuela D’ávila, Márcia Tiburi e tantos lulistas-caviar fazerem compras. Agora, o cinema ianque e o american way of life são a quintessência da Justiça, tanto política quanto social. Vai durar pouco, mas assim é hoje.

O motivo? Um panfleto vermelhoide denominado “Democracia em Vertigem”, dirigido (!?) por Petra Costa (militante lulista confessa e milionária herdeira do grupo Andrade Gutierrez) foi indicado ao Oscar de melhor “documentário”. A lulada está em êxtase. Só rindo. Não é Documentário, nem sonho, nem mesmo pesadelo. É puro(a) Documentira. Típica destes tempos, nos quais a lulada repete uma mentira milhões de vezes para torná-la não uma verdade, mas pelo menos uma desculpa esfarrapada palatável para terminar qualquer discussão; por exemplo, a “falta de provas” nas condenações de Lula, o santo que enriqueceu, bem como seus filhos, por puro milagre.

Pois bem: O Documentira. Essa nova vertente de cinema, inspirada na escola soviético-cubana da mentira contada em escala industrial, foi construída sobre um ajuntamento de desculpinhas no intuito de fazer crer que o impeachment da pior presidente da História do Brasil foi apenas uma manobra suja, maldade dos ricos e poderosos. O Documentira (ou só Docu, pra facilitar) se esquece, convenientemente, que a lulada aplaudiu em pé o impeachment de Fernando Collor em 1992, e que o procedimento é legítimo. Também finge esquecer que os ricos e poderosos do País, de banqueiros a empreiteiros, apoiaram Lula e Dilma por 16 anos – sem olvidar toda a descoberta da Lava Jato. Bancos, empreiteiras, Petrobrás, políticos comprados (vendidos?) através de mesadas generosas de dinheiro público… Na visão do Docu, tudo isso é mentira. Dilma caiu porque estocava vento muito bem, e só.

Seguindo a cartilha lulista de desinformação a qualquer custo, só devotos da seita foram ouvidos no Documentira, embora todos os adversários sejam acusados de participar de um imaginário “golpe” que uniu judiciário, congresso, jornais, TV, população… ou seja, um complô de quase todos contra a pobre Dilminha, inocente em seu castelo construído com ferrugem vinda de Pasadena.

Docu não se lembra dos quatro anos de recessão brutal, do desemprego de 14% da população, dos empréstimos a fundo perdido fornecidos a ditaduras caloteiras, pedaladas fiscais, discursos ininteligíveis em Dilmês castiço, inflação de 11%, juros altíssimos pagos ao bancos em razão da dívida pública, nem da falência da Petrobrás. Tudo isso é bobagem. Detalhes tão pequenos de nós… duzentos milhões, Roberto.

O mais interessante, como lembrou o jornalista Josias de Souza, é quando Docu chega ao fim: Termina com um discursinho ridículo do condenado Lula da Silva durante a campanha de Fernando Haddad, o poste 2, à presidência. Diz o sujeitinho, nas derradeiras cenas, numa frase ridícula, piegas, ao estilo Che Guevara, que podem matar as rosas, mas não vão impedir a chegada da primavera, jactando a vitória deles nas eleições. Infelizmente, Docu não veio com o final completo, real: O povo rejeitou Haddad na presidência e Dilma no Senado. Para eles, veio apenas o inverno merecido.

Muito provavelmente, Docu não vai ganhar nada no Oscar, e a lulada poderá voltar ao ódio antiamericano eterno. Como sempre, vão alegar que “foi uma vitória”, e todas as outras desculpas que dão quando perdem. Lembrando o grande Roberto Campos, para a esquerda não há derrotas, só sucessos mal explicados.

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