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Jorge De Lima - Iscas Olhos&Alma -

Foto-depressao

 

Depressão

 

Esta semana a depressão levou mais uma vítima famosa. Diariamente quantos não morrem direta ou indiretamente por ela? Me impressiona ouvir que pessoas como o  Ator norte americano Robin Williams  tratam de depressão por mais de 10 anos sem melhora, caso semelhante ao de Chico Anysio. Mas por que ainda ouvimos falar que depressão não tem cura? Por que ainda existem pessoas sofrendo, se matando por uma doença que hoje tem tratamento com eficácia e cura?

 

Resolvi escrever este artigo como uma homenagem ao ator Robin. Pude acompanhar cerca de 80% de sua produção em diversos filmes: Patch Adams – “O Amor é Contagioso”; “Sociedade dos Poetas mortos”; “Gênio indomável” filme pelo qual ganhou um óscar de melhor ator. Nos filmes é notória a percepção que Robin além de ser um excelente ator era uma alma sensível. De certo crítico como todo bom comediante, atento as nuances do cotidiano, da vida social em seus detalhes.

 

Por anos em minhas aulas de saúde mental usei um filme para iniciar os alunos sobre como melhorar e humanizar as formas de tratamento em saúde.

Patch Adams – O Amor é Contagioso era o filme interpretado por Robin Williams, filme que agora fica emblemático por que nele existe uma cena na qual o personagem, Patch tentaria o suicídio por perder o amor de sua vida, uma colega assassinada. Um filme básico mas que mostrou a grandeza de um ator ao interpretar muito bem o drama de muitas pessoas que acabam por tentar ou cometer o suicídio.  No caso de Patchna última hora ele desiste se transformando posteriormente em um dos maiores referenciais de tratamento humanizado em saúde no mundo. Podia falar de vários personagens e papéis interpretados por Robin mas paro por aqui. Ele não foi meu paciente e não o conheci como ser humano, vi apenas o fruto de sua obra em vários papéis sensíveis de pessoas inteligentes e nisto vi um ponto comum com a história de vários pacientes que trato.

 

Nestes últimos 25 anos de minha existência me dedico a estudar e a tratar pessoas com depressão. Sei que existe cura e que ela ocorre em média entre 8 meses e 1 ano de tratamento, para tanto usamos técnicas e metodologias combinadas. Hoje atendo em média 30 pessoas por semana com diagnóstico de depressão. Fora outros casos da saúde mental. Coordenando o Grupo de Apoio em Saúde Mental e dando ainda supervisão a outros colegas psicólogos e psiquiatras não vi o caso apenas de meus pacientes, mas entendi a doença no atacado, ouvindo e atendendo a milhares de casos. A maior parte dos pacientes é o que Robin nos mostrava, pessoa sensível, mais pacata, pouco introvertida, tendência a melancolia e a um estado bucólico, em sua maior parte pessoas críticas e questionadoras de nossa vida social e do sistema em que vivemos. Uma boa parte dos pacientes que atendi eram muito inteligente.

 

A maior parte das pessoas tem uma visão distorcida da doença. Muitos acham que um ator rico e famoso que ele não teria motivos para ter uma doença como a depressão. Porém como toda doença ela é democrática atacando da mesma forma ricos e pobres, pessoas comuns e celebridades, pessoas de todas idades, crença religiosa enfim todos estamos sujeitos a ter uma doença.

 

Todavia para mim é inadmissível ainda ver que o que poderia ser tratado e curado, ao contrário é negligenciado. O principal motivo disto é em primeiro lugar a falta de informação. Segundo o radicalismo de certos profissionais que tratam a saúde como dogma e não mais como ciência, negando as evoluções e as atualizações necessárias. Por fim o que mata é a teimosia tanto dos profissionais quanto dos pacientes que se acomodam.

Se você é um paciente ou familiar exija a melhora em um tratamento.

Tratar para não melhorar isto não é certo.

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