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De volta para o presente…

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Filipe Aprigliano - Iscas do Apriga -

 

O que seria o tempo explicado de forma simples? Não falo aqui do contínuo espaço-tempo (inclusive, se você não sabe do que se trata, vá pesquisar, porque é muito interessante), falo apenas do tempo que podemos experimentar como seres humanos.

A primeira visão do tempo é bem popular e aceita em qualquer boteco. Imagine que seria um fluxo unidirecional de momentos, e na perspectiva do indivíduo, seria a cadeia de eventos que se sucederam desde o momento em que se tornou consciente de si.

A segunda visão, que faz mais sentido para mim, já gera grande polêmica pelos bares desse Brasil. Nessa perspectiva o tempo como experiência não existe, a única coisa que podemos experimentar é o presente, um eterno presente, onde a vastidão e implacabilidade do tempo teórico são irrelevantes. Nessa visão, todas as experiências de passado e futuro não são reais, ou seja, são produtos da mente, produzidas sob os parâmetros de cada um, nas circunstâncias momentâneas de cada um.

Pois bem, qual a relevância dessa discussão? Quem leu minha isca “Existo, logo penso” (e não se ofendeu com o conteúdo) sabe da minha teoria de que quase tudo que pensamos ser é pura ilusão. Ao contrário do que anos de construções equivocadas nos levam a crer, não somos nossos pensamentos, nossa personalidade e nossos corpos, e sim os observadores e criadores da nossa própria existência.

Enfim, para quem interessar possa, gostaria de propor algumas mudanças de perspectiva mais práticas, deixando um pouco de lado a diarreia mental.

A mais importante proposição é essa: Saia da máquina do tempo mental! Volte para o presente, ou seja, abandone os delírios da sua mente e volte para o mundo real.

Muitos são os motivadores para esse movimento, e eu poderia desenvolvê-los mais, mas como isso é uma isca, vou apenas elencá-los:

 

  1. Se o seu passado foi bom, revivê-lo com frequência é uma fuga, provavelmente pelo medo da mudança;
  2. Se o seu passado foi ruim, revivê-lo com frequência também é uma fuga, provavelmente pelo medo dos sofrimentos e fracassos se repetirem;
  3. Se o futuro que você projeta é bom, visitá-lo com frequência não é a melhor forma de torná-lo realidade;
  4. Se o futuro que você projeta é ruim, visitá-lo com frequência é a melhor forma de torná-lo realidade.

 

Em todos os casos, seja vivendo no passado ou no futuro, não estar no presente vai privá-lo de enxergar oportunidades que estão bem na frente do seu nariz. Além de consumir energia que podia estar direcionada a executar coisas de uma forma mais consciente.

Isso é muito importante, a consciência, vamos voltar a esse conceito logo em seguida. Mas antes perceba que o medo é uma constante em todos os impulsos de não viver no presente: o medo de errar, o medo de perder, o medo de sofrer, o medo da mudança.

Para se livrar do medo são precisas algumas posturas simples, mas que você deve se forçar a exercitar com frequência, até que se tornem hábitos subconscientes:

 

  1. Sempre aceitar as coisas sobre as quais não tem controle: assim que uma dessas coisas for identificada, não gaste nem mais um segundo da vida sofrendo por isso, reserve sua energia para algo produtivo;
  2. Sempre agradecer por todas as coisas: apreciar o emprego, a casa, a saúde, a família, os amigos, os talentos e também os eventos ruins e desafiadores, mas que trazem frutos de crescimento e evolução pessoais. Se você deseja algo mais, sempre compare o valor desse algo mais com todo o resto que você já tem, e seja sempre grato;
  3. Sempre dar chance a empatia antes de julgar: quando alguém te irritar, pense como seria estar no lugar dela física e emocionalmente, se isso não for possível, pense como seria se alguém que você ama estivesse no lugar dela;
  4. Sempre praticar o bom humor: procure pelo absurdo em tudo, mude a perspectiva de um problema, de um desafio, de um drama, até encontrar uma que seja absurda para essa situação, e se for adequado, não deixe de compartilhar com quem está a sua volta. Tudo na vida tem um lado absurdo, é só procurar.

 

São muitas recomendações iniciadas com o “sempre”, e é aí que entra a tal da consciência. Nenhuma dessas tarefas é possível enquanto você viaja no tempo, é preciso estar presente, atento a tudo que ocorre, percebendo e corrigindo constantemente seus pensamentos e emoções.

Nesse sentido somos observadores e criadores. Conscientes de tudo que ocorre no presente, podemos alocar energia nas emoções certas, na hora certa, e criar o mundo que desejamos, sem ansiedade e com prazer pela vida, encontrando realização no próprio processo de viver.

Esse é o primeiro passo, talvez o mais importante, tornar-se consciente de que existe um presente, rico em prazeres e oportunidades, que passou despercebido até agora. Os próximos passos envolvem a evolução dessa consciência, a tomada de total responsabilidade pela própria vida, e a capacidade de vislumbrar e construir qualquer futuro que se deseje.

Se você acha que essas são apenas frases de efeito, você precisa urgentemente abandonar a imagem que tem de si próprio e começar essa jornada.

Gostaria apenas de finalizar agradecendo ao Leo Gura, do site actualized.org, que me ajudou a organizar minha própria jornada em níveis que nunca imaginei possíveis. Entre as coisas mais impactantes que ele me ensinou:

A sociedade em que vivemos (da cultura pop e das redes sociais) torna os nossos sonhos muito rasos. A primeira coisa a fazer é abandonar  a crença de que existe um limite para o que podemos realizar como indivíduos.

Obrigado pelo seu tempo. Quem sabe nos falamos novamente?

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