Iscas Intelectuais
Podpesquisa 2018
Podpesquisa 2018
Em sua quarta edição, a PodPesquisa 2018 recebeu mais ...

Ver mais

Como decidi em quem votarei para Presidente
Como decidi em quem votarei para Presidente
Não sei se estou certo, não fui pela emoção, não estou ...

Ver mais

Democracia, Tolerância e Censura
Democracia, Tolerância e Censura
O que distingue uma democracia de uma ditadura é a ...

Ver mais

O dia seguinte
O dia seguinte
Com o aumento considerável do mercado de palestrantes ...

Ver mais

639 – Chega de falar de política
639 – Chega de falar de política
Diversos ouvintes mandam mensagens pedindo para que eu ...

Ver mais

638 – O efeito Dunning-Kruger
638 – O efeito Dunning-Kruger
Cara, eu fico besta com a quantidade de gente que ...

Ver mais

637 – LíderCast 10
637 – LíderCast 10
Olha só, chegamos na décima temporada do LíderCast. Com ...

Ver mais

636 – As duas éticas da eleição
636 – As duas éticas da eleição
Gravei um LíderCast da Temporada 11, que só vai ao ar ...

Ver mais

LíderCast 132 – Alessandro Loiola
LíderCast 132 – Alessandro Loiola
Médico, escritor, um intelectual inquieto, capaz de ...

Ver mais

LíderCast 131 – Henrique Szklo e Lena Feil
LíderCast 131 – Henrique Szklo e Lena Feil
Henrique Szklo e Lena Feil – Henrique se apresenta como ...

Ver mais

LíderCast 130 – Katia Carvalho
LíderCast 130 – Katia Carvalho
Mudadora de vidas, alguém que em vez de apenas lamentar ...

Ver mais

LíderCast 129 – Guga Weigert
LíderCast 129 – Guga Weigert
DJ e empreendedor, que a partir da experiência com a ...

Ver mais

Cafezinho Live – Como será o Brasil com Bolsonaro
Cafezinho Live – Como será o Brasil com Bolsonaro
Um bate papo entre Adalberto Piotto, Carlos Nepomuceno ...

Ver mais

046 – Para quem vai anular o voto
046 – Para quem vai anular o voto
Fiz um vídeo desenhando claramente o que acontece com ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Quem não é capaz de rir de si mesmo será sempre um intolerante em potencial
Henrique Szklo
Humorista de verdade não tem lado, não tem ideologia, não tem bandeira. Independentemente de sua posição pessoal, tem de ser livre o suficiente para atirar em tudo o que se mexe e no que não se ...

Ver mais

Capitalismo Versus Esquerdismo*
Alessandro Loiola
Uma das consequências involuntárias do capitalismo é que ele coloca diferentes culturas e sociedades em contato direto muito mais amplo umas com as outras. Liga as pessoas entre si muito mais ...

Ver mais

A cavalgada de um cowboy
Jota Fagner
Origens do Brasil
Cowboy não havia dormido bem. Tinha feito corridas até às duas da manhã. O trabalho como moto-taxista costumava não render muito, mas em época de alta temporada a demanda era muito grande. ...

Ver mais

O ENEM e a (anti-)educação
Gustavo Bertoche
É preciso lançar pontes.
Nos dois últimos fins-de-semana, milhões de candidatos ao ensino superior realizaram as provas do ENEM. O vestibular é o telos do ensino fundamental e médio no Brasil. As escolas privadas assumem ...

Ver mais

Cafezinho 125 – O chute
Cafezinho 125 – O chute
Se o governador mentiu ou se enganou, peço desculpas ...

Ver mais

Cafezinho 124 – À luz do sol
Cafezinho 124 – À luz do sol
É assim, com a luz do sol, que a gente faz a limpeza.

Ver mais

Cafezinho 123 – A zona da indiferença
Cafezinho 123 – A zona da indiferença
Ter consciência sobre o que é certo e errado todo mundo ...

Ver mais

Cafezinho 122 – Vira a chave
Cafezinho 122 – Vira a chave
Mudar de assunto no calor dos acontecimentos é ...

Ver mais

De divergências e respeito ao cidadão

De divergências e respeito ao cidadão

Adalberto Piotto - Olhar Brasileiro -

Por Adalberto Piotto

Eu tinha uns 20 anos, acho, quando fui na condição de jornalista e réu, pela finada Lei de Imprensa, a um tribunal.

Estava lá porque, como repórter de um semanário da minha cidade no interiorzão de São Paulo, eu tinha denunciado um ex-prefeito que tinha desviado dinheiro da educação para canalizar um córrego. Ele me processou.

Resumo a história pra dizer que o córrego nunca foi canalizado, a educação perdeu recursos, eu ganhei o processo ao ser absolvido das acusações e ele, o prefeito, ficou inelegível por 8 anos.

O caso é apenas uma introdução pra citar uma cena que me chamou a atenção, à época, pouco antes da primeira audiência no Fórum: o congraçamento dos advogados na salinha do inferno, também conhecida como sala da OAB.

Advogados de acusação e defesa se refestelavam exageradamente em abraços calorosos de grandes amigos, inclusive minha testemunha principal, também advogado, que tinha providenciado todas as provas que me levaram a escrever a reportagem, para momentos depois se digladiarem nas discussões em defesa da parte de cada um.

Não esperava, dado o ritual de civilidade do Forum, que antes das alegações se estapeassem. Mas que, ali, naquele momento, mantivessem só a civilidade dos cumprimentos formais, educados, só isso. Seria o suficiente, não seria?

Aquela cena dantesca, que alguns dirão que se trata de uma prova da convivência “civlizada” (uso o termo de novo) entre antagonistas no mérito, adversários no processo, mas nunca inimigos mortais pela causa, me deixou perplexo. Aos 20 anos, cheio de ideologia, tendo escrito a reportagem e denunciado o ex-prefeito que tinha praticado um atentado à verdade ao desviar recursos obrigatórios para a educação e não canalizado o córrego, ou seja, caso de malversação de dinheiro público, a cena do congraçamento causou em mim prerplexidade.

Eram todos, coincidentemente, advogados: a fonte da informação e dos documentos, na condição de minha testemunha; o alvo das denúncias, o ex-prefeito que me processava por calúnia, difamação e injúria, e seu causídico de acusação; além, claro, do meu primeiro advogado no processo. Este último, destituído da defesa por mim, logo depois, porque negociou uma retratação minha às escondidas, portanto desautorizada, sem meu conhecimento, que de tão ilegal e maldosa foi depois anulada pelo juiz. A mentirosa retratação foi considerada ofensiva à minha honra e à lei, dado que fora publicada em outro jornal, sem meu consentimento – duas ilegalidades – algo que a própria Lei de Imprensa proibia.

De novo, insisto, não pretendo aqui condenar a civilidade entre adversários, a elegância no trato, a perseverança nas relações bem educadas mesmo entre opositores. Não! De forma alguma. Sou um defensor disso tudo.

Só não posso considerar normal afagos, risos e abraços no melhor estilo ‘grandes amigos’ no momento em que partes lutam por divergências sérias, ilegalidades que comprometiam, neste caso que narrei, a educação de crianças e o saneamento básico de todos. Ilegalidades que expunham desvios de conduta, má gestão, recursos públicos perdidos.

Lembro-me muito bem de não ter cumprimentado o outro lado, o ex-prefeito que me processava, alvo de minhas reportagens que o denunciavam como um mau gestor público. Não acenei com gestos de cograçamento em nenhuma das sessões que nos encontramos. Tampouco o agredi ou me imaginei fazendo isso. Mantive a distância e o tom sério que preservavam o ambiente judicial, o respeito ao devido processo legal e a minha integridade moral. Só isso. Era o sufuciente. Pra dignidade, necessário.

Conto toda essa história por causa desta foto abaixo, de Dilma, Cardoso e Aécio, desse clima de amizade e bom humor entre opositores no Senado no momento em que o país decide sua vida no processo de impeachment de Dilma Rousseff. A divergência legal e de projeto de nação que opõem ambos os lados em suas manifestações oficiais, não poderiam permitir a nenhum deles mais que o sereno e respeitoso cumprimento formal ao opositor. E só.

Foram, perigosamente, além. Todos os da foto abaixo e outros de outras cenas que este retrato não revela! Cruzaram a linha da hipocrisia e, ao supostamente manterem o “respeito” dessa forma tão efusiva, desrespeitaram os cidadãos de bem que lutam sem rir por um país melhor. Nada abala os argumentos que podem depor a presidente ou mantê-la, porque legal ou retoricamente válidos.

No entanto, a cena constrange de cá. Seria melhor que começasse a constranger os de lá.

Não imaginem os leitores que essa seja a primeira vez que isso acontece ou que me acontece. Quando âncora de rádio, portanto sem imagem, conduzi um debate no estúdio de São Paulo, entre parlamentares em Brasília, no Congresso. Logo depois, vim a saber pelo repórter local que os assistia, que eles, apesar da forte divergência demonstrada no ar, se abraçavam no momento da crítica ao outro. Considerei ofensivo à verdade, ao jornalismo, a mim, e, sobretudo, à audiência. Coloquei ambos os parlamentares na geladeira. E de lá não saíram antes de eu deixar a rádio.

Respeito é bom e alguém precisa tomar providência.

Senão, sempre haverá lembrança do célebre causo do filme Philadelphia:

“O que são 200 advogados acorrentados no fundo do mar? Um bom começo.”

Ps.: link e foto originais de reportagem do Jornal O Globo na internet, 30/08/2016.

http://oglobo.globo.com/brasil/senadores-se-confrontam-no-julgamento-do-impeachment-mas-em-intervalo-fazem-piadas-20015553?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

Ver Todos os artigos de Adalberto Piotto