Iscas Intelectuais
O dia seguinte
O dia seguinte
Com o aumento considerável do mercado de palestrantes ...

Ver mais

Fact Check? Procure o viés.
Fact Check? Procure o viés.
Investigar o que é verdade e o que é mentira - com base ...

Ver mais

O impacto das mídias sociais nas eleições
O impacto das mídias sociais nas eleições
Baixe a pesquisa da IdeiaBigdata que mostra o impacto ...

Ver mais

Síntese de indicadores sociais 2016 do IBGE
Síntese de indicadores sociais 2016 do IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - ...

Ver mais

618 – No Toca Fitas Do Meu Carro – Scary Pockets
618 – No Toca Fitas Do Meu Carro – Scary Pockets
Mais um programa musical. E daqueles, cara. Você sabe ...

Ver mais

617 – O Clube da Música Autoral
617 – O Clube da Música Autoral
Uma das coisas mais fascinantes de quem se dispõe, como ...

Ver mais

616 – Na média
616 – Na média
Num ambiente construído para que as pessoas fiquem “na ...

Ver mais

615 – Fake News? Procure o viés
615 – Fake News? Procure o viés
Nova Iorque, madrugada de março de 1964. No bairro do ...

Ver mais

LíderCast 112 – Paulo Rabello de Castro
LíderCast 112 – Paulo Rabello de Castro
Professor, consultor, com vasta experiência no setor ...

Ver mais

LíderCast 111 – Tiemi Yamashita
LíderCast 111 – Tiemi Yamashita
LíderCast 111 - Hoje conversamos com Tiemi Yamashita, ...

Ver mais

LíderCast 110 – Rafael Baltresca
LíderCast 110 – Rafael Baltresca
LíderCast 110 - Hoje conversamos com Rafael Baltresca, ...

Ver mais

LíderCast 109 – Romeo Busarello
LíderCast 109 – Romeo Busarello
LíderCast 109 - Hoje conversamos com Romeo Busarello, É ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata - Temporada 02 Episódio 09 Quando ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 08 Já falei ...

Ver mais

Lições de viagem 11 – Santa Catarina
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Lições de viagem 11 Santa Catarina e seus diferenciais  Percebi que me encontrava num estado diferenciado na primeira vez que estive em Santa Catarina, em 1980, quando fui ministrar aulas em dois ...

Ver mais

Solidão em rede: estamos cada vez mais solitários
Mauro Segura
Transformação
Vivemos a "cultura do estresse", de não perder tempo e usar cada minuto para sermos mais produtivos. Mas isso tem um preço.

Ver mais

1936, 1984, 1918
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
A guerra civil espanhola (1936-1939) foi assustadora, cruel, mas teve seus lances tragicômicos. Um deles era a eterna bagunça entre as muitas facções que formavam as Forças Republicanas, ...

Ver mais

Região de conflito duplamente em foco
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Região de conflito duplamente em foco “Fronteiras? Nunca vi uma. Mas ouvi dizer que existem na mente de algumas pessoas.” Thor Heyerdahl Não é sempre que alguns dos focos mais controvertidos das ...

Ver mais

Cafezinho 82 – Paciência
Cafezinho 82 – Paciência
O que uma árvore frondosa precisa para se manter firme ...

Ver mais

Cafezinho 81 – A Confederação
Cafezinho 81 – A Confederação
A Confederação mais eficiente do Brasil é a dos bandidos.

Ver mais

Cafezinho 80 – A Copa que era nossa
Cafezinho 80 – A Copa que era nossa
Ao contrário do que acreditam coxinhas e petralhas, o ...

Ver mais

Cafezinho 79 – Desengajados Ativos
Cafezinho 79 – Desengajados Ativos
Engajamento vem do francês engager, que quer dizer “se ...

Ver mais

De divergências e respeito ao cidadão

De divergências e respeito ao cidadão

Adalberto Piotto - Olhar Brasileiro -

Por Adalberto Piotto

Eu tinha uns 20 anos, acho, quando fui na condição de jornalista e réu, pela finada Lei de Imprensa, a um tribunal.

Estava lá porque, como repórter de um semanário da minha cidade no interiorzão de São Paulo, eu tinha denunciado um ex-prefeito que tinha desviado dinheiro da educação para canalizar um córrego. Ele me processou.

Resumo a história pra dizer que o córrego nunca foi canalizado, a educação perdeu recursos, eu ganhei o processo ao ser absolvido das acusações e ele, o prefeito, ficou inelegível por 8 anos.

O caso é apenas uma introdução pra citar uma cena que me chamou a atenção, à época, pouco antes da primeira audiência no Fórum: o congraçamento dos advogados na salinha do inferno, também conhecida como sala da OAB.

Advogados de acusação e defesa se refestelavam exageradamente em abraços calorosos de grandes amigos, inclusive minha testemunha principal, também advogado, que tinha providenciado todas as provas que me levaram a escrever a reportagem, para momentos depois se digladiarem nas discussões em defesa da parte de cada um.

Não esperava, dado o ritual de civilidade do Forum, que antes das alegações se estapeassem. Mas que, ali, naquele momento, mantivessem só a civilidade dos cumprimentos formais, educados, só isso. Seria o suficiente, não seria?

Aquela cena dantesca, que alguns dirão que se trata de uma prova da convivência “civlizada” (uso o termo de novo) entre antagonistas no mérito, adversários no processo, mas nunca inimigos mortais pela causa, me deixou perplexo. Aos 20 anos, cheio de ideologia, tendo escrito a reportagem e denunciado o ex-prefeito que tinha praticado um atentado à verdade ao desviar recursos obrigatórios para a educação e não canalizado o córrego, ou seja, caso de malversação de dinheiro público, a cena do congraçamento causou em mim prerplexidade.

Eram todos, coincidentemente, advogados: a fonte da informação e dos documentos, na condição de minha testemunha; o alvo das denúncias, o ex-prefeito que me processava por calúnia, difamação e injúria, e seu causídico de acusação; além, claro, do meu primeiro advogado no processo. Este último, destituído da defesa por mim, logo depois, porque negociou uma retratação minha às escondidas, portanto desautorizada, sem meu conhecimento, que de tão ilegal e maldosa foi depois anulada pelo juiz. A mentirosa retratação foi considerada ofensiva à minha honra e à lei, dado que fora publicada em outro jornal, sem meu consentimento – duas ilegalidades – algo que a própria Lei de Imprensa proibia.

De novo, insisto, não pretendo aqui condenar a civilidade entre adversários, a elegância no trato, a perseverança nas relações bem educadas mesmo entre opositores. Não! De forma alguma. Sou um defensor disso tudo.

Só não posso considerar normal afagos, risos e abraços no melhor estilo ‘grandes amigos’ no momento em que partes lutam por divergências sérias, ilegalidades que comprometiam, neste caso que narrei, a educação de crianças e o saneamento básico de todos. Ilegalidades que expunham desvios de conduta, má gestão, recursos públicos perdidos.

Lembro-me muito bem de não ter cumprimentado o outro lado, o ex-prefeito que me processava, alvo de minhas reportagens que o denunciavam como um mau gestor público. Não acenei com gestos de cograçamento em nenhuma das sessões que nos encontramos. Tampouco o agredi ou me imaginei fazendo isso. Mantive a distância e o tom sério que preservavam o ambiente judicial, o respeito ao devido processo legal e a minha integridade moral. Só isso. Era o sufuciente. Pra dignidade, necessário.

Conto toda essa história por causa desta foto abaixo, de Dilma, Cardoso e Aécio, desse clima de amizade e bom humor entre opositores no Senado no momento em que o país decide sua vida no processo de impeachment de Dilma Rousseff. A divergência legal e de projeto de nação que opõem ambos os lados em suas manifestações oficiais, não poderiam permitir a nenhum deles mais que o sereno e respeitoso cumprimento formal ao opositor. E só.

Foram, perigosamente, além. Todos os da foto abaixo e outros de outras cenas que este retrato não revela! Cruzaram a linha da hipocrisia e, ao supostamente manterem o “respeito” dessa forma tão efusiva, desrespeitaram os cidadãos de bem que lutam sem rir por um país melhor. Nada abala os argumentos que podem depor a presidente ou mantê-la, porque legal ou retoricamente válidos.

No entanto, a cena constrange de cá. Seria melhor que começasse a constranger os de lá.

Não imaginem os leitores que essa seja a primeira vez que isso acontece ou que me acontece. Quando âncora de rádio, portanto sem imagem, conduzi um debate no estúdio de São Paulo, entre parlamentares em Brasília, no Congresso. Logo depois, vim a saber pelo repórter local que os assistia, que eles, apesar da forte divergência demonstrada no ar, se abraçavam no momento da crítica ao outro. Considerei ofensivo à verdade, ao jornalismo, a mim, e, sobretudo, à audiência. Coloquei ambos os parlamentares na geladeira. E de lá não saíram antes de eu deixar a rádio.

Respeito é bom e alguém precisa tomar providência.

Senão, sempre haverá lembrança do célebre causo do filme Philadelphia:

“O que são 200 advogados acorrentados no fundo do mar? Um bom começo.”

Ps.: link e foto originais de reportagem do Jornal O Globo na internet, 30/08/2016.

http://oglobo.globo.com/brasil/senadores-se-confrontam-no-julgamento-do-impeachment-mas-em-intervalo-fazem-piadas-20015553?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

Ver Todos os artigos de Adalberto Piotto