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Da boa educação brasileira e latinoamericana.

Da boa educação brasileira e latinoamericana.

Adalberto Piotto - Olhar Brasileiro -

Sabe aquele comportamento autodestrutivo da média dos brasileiros? Aquele de quando vêem alguma barbaridade ou falta de educação em qualquer lugar do mundo logo dizem: “deve ser coisa de brasileiro”, punindo todos os seus nacionais, seus conterrâneos imediatamente?

Uma reportagem do Jornal Zero Hora mostra que a falta de educação, o desrespeito e o vandalismo não tem identidade nacional. É internacional, o que não nos redime de nossos vândalos tupiniquins, de vasto histórico nos parques da Disney, mas amplia o horizonte da culpa, da autoria anticidadã. Eu prefiro dizer que vândalo e mal educado tem pessoalidade, nome e sobrenome e, sim, nacionalidade singular, a dele, só dele e para ele.

O artigo cita que turistas na Europa e na Ásia, em nome da fama efêmera nas redes sociais, estão vandalizando até obras e esculturas históricas e de valor imenso da humanidade pra fazer uma selfie que vai viralizar entre os milhões de tolos, independentemente da nacionalidade, que curtem outros idiotas.

Mas volto a minha pergunta inicial, sobre essa mania brasileira de se autodestruir, achando que a culpa do errado do mundo é coisa de brasileiro.

Brasileiros que pensam assim, que falem por si. Mal educados e vândalos têm nome e sobrenome, já disse. A nacionalidade deles é um detalhe que não pode ser solidarizada e viralizada.

Conto um caso recente.

No começo de julho, estive com minha família em Nova York. No penúltimo dia de viagem, num cruzamento da Quinta Avenida, paramos no semáforo vermelho dos pedestres. Foi quando avistei uma casca de banana inteira, virada pra baixo em cima da faixa de segurança, um pouco à minha esquerda. Parecia uma cena clássica de anedota, de cartum ou daqueles desenhos dos livros escolares de exemplos de má educação e perigo. Visualizaram a cena?

Pois bem. Mostrei aos meus filhos e, aproveitando o sinal fechado, fui lá, peguei a casca e tão logo com o sinal aberto atravessamos todos os que estavam ali em segurança e pude enfim por a casca na primeira lixeira do outro lado da rua.

Com as crianças e minha mulher comentamos o fato e especulamos o que teria causado aquilo. Falta de educação ou um ato despercebido? Julgar neste caso em definitivo, embora pareça simples, pode ser muito injusto.

Talvez um estúpido tenha simplesmente jogado a casca de banana no chão. Talvez tenha caído de alguém que pretendia jogá-la na lixeira e não percebeu o deslize.

Como disse, só especulamos. E seguimos no nosso passeio.

No dia seguinte, meus filhos, crianças ainda, foram contar a outro brasileiro, residente nos EUA e que presta serviços a turistas, o caso que tinham presenciado.

Ao relatar a história até o momento que viram a casca de banana sobre a faixa de pedestres, já logo ouviram deste outro brasileiro a sentença: “só pode ser coisa de brasileiro”, com toda essa mania e prejulgamento que reclamei no início do texto. E complementou com seu âmago cucaracha: “isso é coisa de brasileiro ou de latino”, referindo-se aos hispânicos, em grande número em Nova York e em todos os Estados Unidos.

Foi quando contamos a ele o desfecho da história. Se ele não tinha certeza se realmente um brasileiro tinha jogado a casca de banana na rua, nos tínhamos certeza que um latinoamericano brasileiro é quem tinha pegado a casca na rua e a colocado na lixeira, evitando um acidente e contribuído para a limpeza de Nova York, preocupado com o coletivo, seja que coletivo for.

Um silêncio constrangido foi notado de nosso conterrâneo precipitado.

Peço ao leitor deste relato que não ponha demasiado foco na minha atitude. Eu me orgulho dela, mas se trata apenas de uma obrigação de cidadão, não requer nada além de uma satisfação do outro que a vê.

O foco desse meu relato é nessa mania autodestrutiva e automática da média dos brasileiros de se culparem pela maior parte da falta de educação de turistas pelo mundo. Reclamo dessa mania autodestrutiva desses brasileiros que, de forma temerária, comprometem todos os brasileiros.

Que falem apenas por si, pelos seus, pela sua má educação, preconceito ou sentimento de inferioridade. Não o por mim, por todos os brasileiros e pelo Brasil.

Estou cansado de generalizações mal informadas.

Que o nosso país em si é maltrado e a média joga lixo na rua é um fato do qual reclamo e já escrevi várias vezes. E que não se culpem os macacos dessa vez. Eles estão no zoológico ou nas florestas agora.

Mas generalizar o comportamento brasileiro aqui ou no exterior, comprometendo a nacionalidade brasileira, é de uma estupidez atroz para a qual não terão minha solidariedade. Pelo contrário, combaterei isso.

Leia o texto no link. Vale a pena.

Vale mais ainda fazer parte do grupo de cidadãos, brasileiros ou não, comprometidos com a humanidade e o planeta.

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