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​​​Eduardo Cunha finalmente se foi. Talvez para sempre. E mesmo que tente um dia reeleger-se deputado federal, ou mesmo fiscal de quarteirão, terá muito a explicar aos eleitores e à Justiça. Aqueles podem até perdoá-lo, ou cair em sua conversa mole; esta, não. Cunha deve um cacife inteiro à Justiça, e não será meia-dúzia de cestas básicas que satisfarão o juiz criminal. O futuro do quase-ex-presidente da Câmara dos deputados está irremediavelmente selado perante a Lei. Não vale nem uma ficha do poquerzinho entre amigos na quarta à noite. Já era.

​​​Alguns de seus correligionários reclamaram, claro; o choro e o esperneio são livres, e um sujeito desse naipe nunca está só em suas ações subterrâneas. Mas não houve (nem haverá) pneus queimados, ruas e estradas bloqueadas, cusparadas na cara, discursos idiotas, teses imbecis, ameaças, atentados, vandalismo, incentivo à guerra civil e à luta de classes, invasões, agressões, xingamentos, louvor a terroristas, passeatas movidas a R$ 50 e mortadela, ode a bandidos, silogismos hipócritas, nem assassinato de nenhum Celso Daniel da vida. Nada disso.

​​​A razão é uma só: Por mais desonesto que seja, por mais falcatruas que tenha cometido, por mais que mereça a prisão, Cunha nunca arregimentou uma horda mercenária a lhe servir, aterrorizando seus inimigos. Cunha sempre foi um bagre ensaboado, com muita coisa a explicar e dinheiro a devolver, mas jamais pensou em cercar-se de militantes a soldo como sua guarda pessoal, paga com dinheiro público. Nem teve o poder de lançar ataques nas ruas contra quem se lhe opõe. Não consta que tenha mandado robôs cuspir no rosto de seus detratores, nem financiado blogs sujos a defender o indefensável. E, por pior que seja, o suspeitíssimo dinheiro que mantinha escondido na Suíça estava em seu nome, não no de laranjas ou paus-mandados.

​​​Cunha pode ser o que for, mas ao menos teve a fugaz decência de não fingir-se de santo, nem de se esconder atrás de mercenários disfarçados de defensores de “políticas sociais”. Cunha pode ser um tumor, mas será extirpado definitivamente e deixará, no máximo, uma pequena cicatriz. O lulismo é um câncer do qual não temos a certeza da cura e, mesmo debelado, só o será depois de um tratamento longo e doloroso. Para corpos e mentes. Algumas mentes (e bolsos) resistirão mais que a doença maldita.
​​​Por final, os honestos comemoram a saída de Cunha porque não aceitam falcatruas, nem têm bandido de estimação. Os desonestos comemoram por acreditar que sua defenestração garantirá mais umas chicanas em favor de Dilma. Gente desprezível.
​​​​​​                                    ***
​​​A recente novela judicial sobre a suspensão dos serviços de whatsapp teve lances inacreditáveis, mesmo para quem está acostumado com barbaridades jurídicas: Querendo punir a empresa controladora do programa de celular mais popular do País, essencial para trabalho, conversa e lazer de aproximadamente 90 milhões de brasileiros, o excelentíssimo magistrado optou pela brilhante ideia de suspender os serviços do aplicativo. Poderia ter multado a empresa, prendido algum diretor, bloqueado ativos, mandado alguém pra cama sem sobremesa, sei lá; preferiu impedir a comunicação gratuita de metade dos brasileiros. Impressionante. Deve ter sido o único caso na história do mundo onde os consumidores responderam pela desídia do fornecedor de serviços.

​​​A nota cômica (porém não menos espantosa) ficou por conta de uma vara criminal de São Paulo; seu titular, também juiz federal, ordenou que o whatsapp utilizado por sua vara tivesse seus serviços imediatamente restabelecidos, intimando as operadoras de telefonia de sua decisão. Só não explicou pra quem seus escreventes enviariam mensagens, visto que os serviços do velho e bom “zap” continuariam suspensos para os demais 89.999.999 usuários.

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