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Crise, oportunidades e gargalos

Luiz Alberto Machado - Iscas Econômicas -

Crise, oportunidades e gargalos  

O Brasil no limiar de 2017

Há um mito no Brasil de que a escola pública é muito ruim e a escola privada é muito boa. Não é verdade, ambas são ruins, pois os professores são formados pelas mesmas universidades.”

Claudia Costin

As últimas previsões do mercado divulgadas pelo Relatório Focus do Banco Central apontam para uma queda de 3,48% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, o que representa nova revisão para baixo e confirma o que todos já sabiam: trata-se da maior recessão da nossa história, uma vez que jamais o Brasil havia passado por uma situação dessa natureza, qual seja, dois anos seguidos com crescimento negativo superior a 3% ao ano.   A divulgação desse dado não chega a se constituir em surpresa, uma vez que muitos analistas já indicavam essa situação em suas previsões, com pequena margem de diferença apenas quanto ao número final da queda de 2016, como se vê no gráfico 1, apresentado pelo Prof. Simão Silber em palestra na Ordem dos Economistas do Brasil.

 Projeção do mercado para PIB e inflação

Gráfico 1 – Previsão do mercado – em março de 2016 – para PIB e inflação

A boa notícia em relação a 2015 é que pelo menos a inflação registrou considerável recuo, devendo fechar o ano muito próxima do teto superior da meta, em torno de 6,52%, muito melhor do que os 10,61% do ano passado. Esse resultado – com pequena variação – também já era esperado, uma vez que os efeitos negativos decorrentes da manobra eleitoreira representada pelo congelamento dos preços da energia elétrica e dos combustíveis efetuada em 2014 deixaram sua marca na inflação de 2015 e, dado o fraco desempenho da economia brasileira em 2016, não havia pressão de demanda sobre o nível geral de preços.

É bom reafirmar que o referido mau desempenho da economia brasileira não pode ser explicado, como foi tentado várias vezes pela equipe econômica da presidente Dilma Rousseff, ao mau desempenho da economia mundial, visto que os principais atores como Estados Unidos, China e até a União Europeia registraram crescimento positivo tanto em 2015 como em 2016.

O ponto fora da curva, efetivamente, foi o desempenho do Brasil, que se encontra entre os piores de todo o mundo. Em seu relatório do final do primeiro semestre, o FMI previu que apenas 17 de 160 países deveriam registrar crescimento negativo em 2016, sendo que apenas 5 destes 17 deveriam ter desempenho pior do que o do Brasil – Equador, Macau, Guiné Equatorial, Sudão do Sul e Venezuela, como pode ser visto no gráfico 2.

World Economic Outlook 2016

Gráfico 2 – Os 17 países com crescimento negativo em 2016 segundo as projeções do FMI  

Chegamos, portanto ao final de 2016, numa situação bastante grave, considerando que o elevado desemprego, com aproximadamente 12 milhões de desempregados, não deverá recuar no curto prazo, uma vez que as previsões otimistas que se seguiram ao afastamento de Dilma Rousseff e sua substituição por Michel Temer criaram a falsa ilusão que a simples mudança do ocupante do Palácio do Planalto seria suficiente para produzir uma imediata retomada do nível de atividade econômica.

A esse respeito, vale um parêntesis. Causou-me surpresa observar que analistas experientes e respeitadas empresas de consultoria chegaram a publicar projeções para 2017 com crescimento do PIB de 1,5% e até de 2%. Fazendo uma analogia com os tipos de inovação concebidos por um dos mais consagrados especialistas na matéria, Clayton Christensen, sair de um crescimento negativo da ordem de 3,5% para um crescimento positivo de 2% de um ano para outro corresponderia a uma mudança disruptiva. Lamentavelmente, na economia, salvo em situações muito excepcionais, as mudanças costumam ser incrementais e não disruptivas, de tal forma que o mais sensato é torcer para que em 2017 consigamos sair do vermelho (negativo) e ingressar no azul (positivo), mesmo que esse número esteja muito próximo de zero. O objetivo a ser alcançado é reverter a tendência que vem sendo observada nos últimos anos.

Feitas essas considerações a respeito da grave crise que estamos vivendo e olhando para o futuro, há algo de positivo a ser apontado? Esta é a pergunta que muitos brasileiros estão se fazendo.

Mesmo não querendo entrar no pantanoso campo das projeções, no qual os meteorologistas parecem estar se aperfeiçoando mais rápido do que os economistas, vejo algumas oportunidades à frente.

A primeira delas reside no campo da inflação, em que é possível prever uma continuação da tendência de queda, o que permitirá a redução consistente da taxa básica de juros, fator fundamental para a retomada do nível de atividade.

Passando para o campo de observação da história recente da economia brasileira, verificam-se uma série de janelas de oportunidade. Se o Brasil saberá aproveitá-las ou não, apenas o tempo dirá.

Entre as janelas de oportunidade, encontra-se o comércio exterior, onde o desempenho do Brasil foi pífio, em comparação com outros países emergentes que adotaram políticas muito mais agressivas. Dois exemplos típicos disso são a Coreia do Sul e a China, que não apenas ampliaram consideravelmente sua participação no mercado mundial, mas também alteraram o perfil de suas exportações, com a presença crescente de produtos de elevado valor agregado. O gráfico 3 ilustra bem essa situação, mostrando a diferença entre o Brasil, que continua exportando praticamente a mesma coisa que exportava em 1984 e a China, cujas exportações aumentaram exponencialmente nesse período.

China e Brasil - participação nas exportações

  Gráfico 3 – Crescimento comparado das exportações do Brasil e da China (1980-2014)  

A mudança na política de comércio exterior brasileira, que já vem sendo objeto da ação do ministro José Serra, será essencial para dar início a uma eventual recuperação nesse campo, fortemente prejudicado com a excessiva ênfase dada ao Mercosul nos anos em que o País foi presidido pelo PT.

Outra janela de oportunidade pode ser identificada no campo da inovação, em que a quantidade de patentes registradas pelo Brasil é insignificante, como se vê na tabela 1. Num mundo altamente competitivo, em que a inovação é de crucial importância para a competitividade, é inadmissível que um país com as características e o potencial do Brasil, se encontre numa posição como essa. Para mudar essa situação, no entanto, é necessário rever as condições para registro de patentes atualmente vigente, pois há relatos de que, diante das dificuldades existentes e do prazo para obtenção de um registro, alguns empreendedores brasileiros optam por se instalar fora de nossas fronteiras com o objetivo de registrar suas patentes em países com condições muito mais favoráveis e prazos muito mais curtos para a concessão do registro.

Posição País Patentes
Estados Unidos 2,2 milhões
Japão 1,6 milhão
China 875.000
Coreia do Sul 738.000
Alemanha 549.000
França 490.000
Reino Unido 459.000
Rússia 181.000
Suíça 148.000
10ª Canadá 144.000
11ª África do Sul 112.300
12ª Austrália 112.100
13ª México 96.900
14ª Irlanda 96.500
15ª Itália 68.000
16ª Finlândia 46.800
17ª Índia 42.900
18ª Mônaco 42.800
19ª Brasil 41.400
20ª Polônia 41.200

Fonte: Organização Mundial de Propriedade Intelectual (WIPO)  

Tabela 1 – Número de Patentes por Ano

Tendo mencionado a questão da competitividade, aí reside outra janela de oportunidade, pois o Brasil, como pode ser visto na tabela 2, caiu mais uma vez no ranking mundial da competitividade publicado pelo Fórum Econômico Mundial, o que vem acontecendo desde 2013, quando foi interrompida a boa sequência – não linear – verificada praticamente desde que foi conquistada a estabilidade monetária em 1994.

Ano Classificação do Brasil
2005 65ª
2006 66ª
2007 72ª
2008 64ª
2009 56ª
2010 58ª
2011 53ª
2012 48ª
2013 56ª
2014 57ª
2015 75ª
2016 81ª

Fonte: Fórum Econômico Mundial (WEF)  

Tabela 2 – Competitividade do Brasil[1]

Outra janela de oportunidade apresenta-se no setor do turismo, em que o Brasil ocupa uma posição pouco relevante no ranking dos países que mais atraem turistas anualmente. Fico indignado quando constato que um país com tamanhas e tão variadas atrações como o nosso fica atrás de uma série de outros que não possuem nem de perto as atrações de que o Brasil dispõe. A situação é tão grave que mesmo tendo sediado em 2014 e 2016 dois dos eventos esportivos de maior repercussão, a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos, a posição do Brasil no ranking mundial pouco se alterou, como se pode ver na tabela 3.

Lugar País Nº de Turistas
França 83,7 milhões
Estados Unidos 69,9 milhões
Espanha 64,9 milhões
China 55,6 milhões
Itália 48,5 milhões
Turquia 37,9 milhões
Alemanha 33,0 milhões
Reino Unido 32,6 milhões
Rússia 29,8 milhões
10º Hong Kong 27,7 milhões
11º Malásia 27,4 milhões
12º Áustria 25,2 milhões
13º Tailândia 24,7 milhões
14º México 24,1 milhões
15º Grécia 22,0 milhões
16º Canadá 16,1 milhões
17º Polônia 16,0 milhões
18º Macau   14,5 milhões
19º Coreia do Sul  14,2 milhões
20º Holanda  13,9 milhões
21º Japão  13,4 milhões
22º Ucrânia 12,7 milhões
23º Hungria 12,1 milhões
24º Cingapura 11,8 milhões
25º Croácia 11,6 milhões

Fonte: Organização Mundial do Turismo  

Tabela 3 – Ranking Mundial do Turismo[2]  

Evidentemente, para que essas oportunidades se transformem em realidade, alguns gargalos terão de ser superados, a começar pelo ambiente de negócios vigente no Brasil, que continua amplamente desfavorável como evidenciou a pesquisa Doing Business, realizada anualmente pelo Banco Mundial, publicada em outubro último.

No ranking global de 190 países liderado pela Nova Zelândia, seguida por Cingapura e Dinamarca, o Brasil aparece na 123ª posição, caindo duas posições em relação à edição anterior (121ª). Essa colocação nos coloca em desvantagem tanto em relação a outros países emergentes como Turquia (69ª), África do Sul (74ª) e China (78ª), como em relação a países latino-americanos como México (47ª), Colômbia (53ª), Peru (54ª), Chile (57ª), Paraguai (106ª) e Argentina (116ª).

O maior de todos os gargalos, porém, encontra-se na educação, onde o País continua revelando péssima performance, como foi mostrado pelo recém-divulgado resultado do Programme for International Student Assessment (PISA), a mais respeitada pesquisa de desempenho comparado na educação, realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), contando, no Brasil, com a colaboração do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), órgão vinculado ao Ministério da Educação (tabela 4).  

Posição País Matemática Ciências Leitura
Cingapura 564 556 535
Hong Kong 548 523 527
Macau 544 529 509
Taipé 542 532 497
Japão 532 538 516
Beijing, Shanghai, Kiangsu e Guangdong (China) 531 518 494
Coreia do Sul 524 516 517
Suíça 521 506 492
Estônia 520 534 519
10ª Canadá 516 528 527
11ª Holanda 512 509 503
12ª Finlândia 511 531 526
13ª Dinamarca 511 502 500
14ª Eslovênia 510 513 505
15ª Bélgica 507 502 499
65ª Brasil 328 332 358

Fonte: PISA-OCDE/INEP  

Tabela 4 – O Brasil no PISA

Vale destacar, com base na tabela 4, a diferença atribuída à educação pelos países asiáticos, que ocupam as sete primeiras colocações, e o Brasil, que ostenta a lamentável 65ª posição. Se concordarmos com o economista britânico Alfred Marshall, segundo o qual “o mais valioso de todos os capitais é aquele investido em seres humanos”, há um longo caminho a percorrer até que deixemos de ser “o país do futuro”.

Por fim, não resta dúvida de que tanto para a superação dos gargalos, como para a transformação das oportunidades em realidade serão de fundamental importância a coragem e a capacidade de articulação do governo.

Iscas para ir mais fundo no assunto  

Referências e indicações bibliográficas

CHRISTENSEN, Clayton M. O Dilema da Inovação. Tradução de Edna Emi Onoe Veiga. São Paulo: Makron Books, 2001.

GIGLIO, Zula Garcia, WECHSLER, Solange M. e BRAGOTTO, Denise (orgs.). Da criatividade à inovação. Campinas, SP: Papirus, 2009.

MARSHALL, Alfred. Princípios de economia: tratado introdutório. Tradução revista de Rômulo de Almeida e Ottolmy Strauch. Introdução de Ottolmy Strauch. São Paulo: Abril Cultural, 1982. (Os Economistas)

Referências e indicações webgráficas

COSTIN, Claudia. A educação, se não for bem trabalhada, aumenta a desigualdade”, diz diretora global de educação do Banco Mundial. Entrevista à revista Fecomércio, publicação da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Disponível em http://www.fecomercio.com.br/noticia/a-educacao-se-nao-for-bem-trabalhada-aumenta-a-desigualdade-diz-diretora-global-de-educacao-do-banco-mundial.  

MACHADO, Luiz Alberto. Inovação ou adaptação. Disponível em http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12215.

[1] É bom frisar que o número de países considerado na amostra de cada ano não é fixo, apresentando variação nas diversas edições da pesquisa. [2] O Brasil, cujos dados demoraram a ser computados, ficaria na 41ª posição, com cerca de 5,8 milhões de turistas em 2014, que foi um ano atípico em razão da Copa do Mundo.

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