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Creche sem Partido

Creche sem Partido

Filipe Aprigliano - Iscas do Apriga -

Que tal comprar uma chupeta do Marx para o seu bebê? Ele ainda é considerado um filósofo por algumas pessoas de bem. Que tal do Che Guevara então? Não é assassino suficiente? Temos Mao Tsé-Tung… matou o suficiente pra você? Então beleza… vamos de combo: Marx, Engels, Lenin, Stalin e Putin…. Essa é a chupeta que rima com capeta!

Essas chupetas são de verdade, vendidas no site http://www.zazzle.com.br/. São o que aparece quando você faz uma busca por Marx+Chupetas. Será que eles fazem parte de alguma conspiração comunista?

Então façamos outra busca, pela palavra Marx apenas… aí já surgem adesivos para carros dizendo que ele é um idiota, que está no inferno rindo da nossa cara e que vive no coração de quem ocupa a Casa Branca atualmente.

Muito bem, bem vindo ao mercado das idéias, um mercado como outro qualquer, onde as coisas tem um preço, tem produtores e consumidores.

Adesivos

Em um mercado saudável precisamos deixar rolar. O sistema regulador de preços é a oferta e a procura. Até aí tudo bem, mas como em todo mercado, temos os produtores mais bem sucedidos tentando monopolizar a produção e pessoas insatisfeitas com a qualidade dos produtos solicitando regulações do Estado.

Cuidado com o que você deseja, pode acabar conseguindo. E nada é mais prejudicial do que regulações no mercado de idéias.

E quem ganha? Alguns ganham batalhas e muito dinheiro, mas ninguém ganha em definitivo, porque não é uma guerra, é um mercado, e mercado não tem vencedor definitivo, é um fluxo eterno.

Agora é a hora da treta. Vamos falar da creche sem partido. Você que está lendo esse texto, conhece como funciona uma escola pública no Brasil?

Para inicio de conversa, simplesmente não funciona. Eu não sou professor, mas tenho vários amigos e familiares que dão aula em escola pública e o problema raiz não é a doutrinação das crianças pelos professores. O problema é muito mais grave.

Os professores já são amordaçados hoje, por um sistema podre de aprovação automática, onde é vedada qualquer iniciativa de disciplinar os alunos. Por outro lado, os alunos mais violentos e problemáticos aprendem desde cedo, que vitimismo é sinônimo de carta branca para fazer qualquer desgraça impunemente.

Sabe o que as crianças não podem fazer em hipótese alguma? Faltar aula… Isso não!!! Faltar aula é inaceitável porque os pais recebem advertência, e eventual suspensão dos benefícios sociais (leia-se bolsa família).

O resto todo é de mentirinha. As escolas públicas são creches perenes, que entregam adolescentes de fraldas para as quotas do ENEM ou para sofrerem o pão que o diabo amassou no mercado de trabalho, por não saberem nem somar, nem ler, nem escrever.

Quem garante a perpetuação desse cenário lastimável, não é um grupo de professores Marxistas doutrinando as crianças na ponta, é uma burocracia estatal centralizadora da educação. Temos um exército de pedagogos adoradores de Paulo Freire para oprimir o professor que tiver a petulância de querer ensinar alguma coisa. O professor é o elo mais fraco desse imbróglio, normalmente mais fraco que os alunos.

Sinceramente, eu reconheço e abomino essa desgraça do marxismo cultural, e sei que muitos professores são de esquerda mesmo e puxam a sardinha para o discurso anti-capitalista. Mas sejamos sinceros, até uns 5 anos atrás 95% da população brasileira se dizia de esquerda. E graças às 10 pragas do Egito, todas filiadas ao PT, os 5% que gritavam:  Acordem, acordem!!!… Agora são amigos de Facebook de outros 45% da população.

Finalmente temos uma polarização real, que abriu espaço para o debate, o que é ótimo. Mas lembrem-se, o mundo das idéias não é uma guerra com dois lados, é um mercado de muito agentes e interesses.

Por isso, a chupeta do Che Guevara custa R$ 41,70 e a do Marx R$ 34,35… Um é mais POP que outro. A chupeta combo é mais barata ainda, porque precisa conhecer história para entender o conceito, a procura é menor.

O projeto da Escola sem partido é bem intencionado, mas é uma solução que pede para o Estado monitorar a si mesmo, será mais gasto público para não resolver nada.

Para termos uma escola sem partido (o que seria ótimo), precisamos primeiro ter escolas… E atualmente só temos creches, ou melhor, hospícios públicos para professores mal pagos e alunos de baixa renda.

Para início de conversa, precisamos acabar com a aprovação automática, se isso vai aumentar a evasão escolar, eu sinto muito, pelo menos quem fica aprende alguma coisa. O governo quer tapar o sol com a peneira, fingindo que está educando pessoas com estatísticas maquiadas, mas o preço social é muito alto.

Minha proposta é descentralizar a educação, acabar com esse negócio de currículo obrigatório. Acho que os professores de cada escola, de preferência com a participação da comunidade que faz uso dela, deveriam ter o direito de optar por uma grade que lhes pareça mais útil para a realidade regional daquelas crianças, só isso já seria uma enorme barreira para qualquer tipo de doutrinação sistêmica.

Mas aí vem um problema, estamos mais preocupados em entrar numa tribo para odiar outra tribo, do que em discutir a raiz dos problemas com a porcaria da mente aberta. Então lasquem-se pra lá. Fui!

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