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Consciência… branca?

Consciência… branca?

Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

A notícia chamou atenção nos jornais impressos e eletrônicos: “Câmara de Sertãozinho cria dia em Homenagem à Consciência Branca”. Hein?

Pois é: Entre outras medidas, o presidente da Câmara decretou ponto facultativo no município no dia 21 de novembro, um dia depois da validação de idêntico benefício no Dia da Consciência Negra. A ideia do chefe do legislativo local fez chover críticas, e protestos, vindas principalmente de movimentos negros que pretendem derrubar a medida. A ideia realmente é mais do que boba, é desnecessária. Mas as críticas são fortes: Chamam a atitude do vereador de “preconceito”. Será?

Outra que deu o que falar foi a imagem propagada pelo uísque Johnnie Walker no Facebook pela mesma data: Um portrait de um jovem negro com a palavra “branco” e um texto conclamando ao fim do racismo. Recebeu um dilúvio de xingamentos, ameaças, críticas, afirmando que a bebida escocesa estaria culpando os negros pelo racismo. Será mesmo?

A proposta do legislativo de Sertãozinho é infantil, até meio ridícula; a imagem do uísque pode até ser mal esclarecida… mas em nenhum dos casos houve racismo, intolerância, preconceito ou algo do gênero. Tá na hora de tirar o pé do acelerador nessa fúria de acusar tudo e todos de serem criminosos. Discriminação e racismo devem ser combatidos, sempre; mas daí a interpretar as ações alheias como crime é muito complicado. Fica parecendo as “previsões” de Nostradamus: Cada um entende uma coisa diferente. Aí não dá.

Infelizmente, os críticos dos dois casos confundem a doença com o remédio; pretendem combater uma intolerância sugerida (ou imaginada) com violência declarada. Isso equivale a espancar alguém pra diminuir a violência.

Faz lembrar o “remédio” dos comunistas, que acreditam ser a intervenção do Estado a solução mágica para todos os problemas sociais e econômicos. E quando o Estado falha (como falhou em todos os casos no mundo onde essa tática foi aplicada), eles alegam que mais intervenção do Estado é a nova solução. Até que o problema acabe de vez com o povo… e o Estado juntos. Vide União Soviética, Cuba, Albânia, Venezuela, Coreia do Norte e qualquer outro lugar que abraçou essa demência.

Infelizmente caminhamos para o mesmo resultado negativo no quesito da palavra “cor”, esse vocábulo usado de forma odiosa, bastarda, que segrega sempre e nunca junta. Nos anos 80, esse “campo” foi retirado dos documentos oficiais, a pedido das minorias, porque dava espaço ao preconceito. Hoje, voltamos a ela para combater o mesmo preconceito alegado. Qual o nexo disso?

Intolerância racial é ruim sempre, de qualquer jeito. Inaceitável. Mas também não dá pra partir pra esse tudo ou nada de enxergar em qualquer ato uma ofensa racial. O ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, foi acusado de não ser negro “o suficiente”, pois agiria “como branco”. Poucas (talvez nenhuma) entidades de direitos humanos ou liberdades civis saíram em defesa dele. Mas se sublevam contra uma foto na qual interpretam intolerância? Toleram o explícito e malham o possivelmente inexistente? Qual a razão disso?

A ex-candidata à Presidência Marina Silva foi igualmente, humilhada, xingada e ridicularizada pelas tropas lulistas durante a campanha eleitoral. Não se ouviram vozes em sua defesa, nem de ONGs étnicas, mesmo sendo ela frágil, mulher, humilde e negra. Por quê? Será que há preconceito seletivo? Preconceito útil, que pode ser explorado politicamente, e por isso é perdoado de imediato? Mais um “mal necessário”, mais um fim que justifica os meios, como a morte de Celso Daniel e o Petrolão?

Também não se vê ninguém chamando de racista ou preconceituoso o ex-atual-co-presidente Lula, que acusa a elite branca (principalmente a paulista) de todas as maldades do planeta. Se tiver olhos azuis então, é caso de fuzilamento sumário. Isso é correto? Ou isso não é preconceito, não é apologia à luta racial? Bom, nenhuma novidade pra que passou a vida pregando a luta de classes e a ditadura do proletariado como epifânia mágica para a igualdade e a paz interplanetária.

Sim, black is beautiful, como se dizia nos anos 70. Mas nem por isso a brancura é necessariamente feia ou ruim. Na dúvida, melhor evitar a Câmara de Sertãozinho e tomar só uísque Black & White, enquanto não vislumbram alguma mensagem racista subliminar nele.

Consciencia... Branca imagem 1

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