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CAPÍTULO 2 – NATUREZA E FUNÇÃO DA LINGUAGEM (parte 1)

CAPÍTULO 2 – NATUREZA E FUNÇÃO DA LINGUAGEM (parte 1)

Alexandre Gomes -

Continuando o trabalho em resumir (e aprender com) o Trivium, segue agora a primeira parte do resumo do capítulo 2 do livro. Sim, primeira parte porque esse é um capítulo extenso, com várias informações a serem entendidas e resumir tudo de uma vez ia gerar um texto muito longo e a apreensão das lições iria se perder; por isso o resumo virá em partes. Vamos lá!

A LINGUAGEM tem uma FUNÇÃO tripla:

– comunicar o pensamento;

– comunicar a volição (vontade);

– comunicar a emoção.

As volição e emoção (vontades e desejos) podem ser expressas por gritos ou exclamações, que também são chamados de INTERJEIÇÕES. Por exemplo, aquele “ah-há!!” que significa “te encontrei!” ou “aí está você!”, ou um “hã?” que expressa uma dúvida sobre algo. Nenhuma dessas expressões é uma palavra em si, ou de alguma linguagem específica. São expressões internacionais e compreendidas independente da língua nativa de quem fala ou escuta.

Os seres humanos, por serem animais racionais, e capazes de acumular conhecimento, passam a necessitar de algo mais que gritos e exclamações para se expressarem. É necessário articular os sons na forma de frases. É através de sons unidos que são criadas as frases. Tais frases tornam a comunicação possível. Perceba: por sermos racionais, temos algo a dizer. Como também somos seres sociais, temos alguém a quem dizer algo. Por fim, por sermos animais necessitamos de um meio FÍSICO para comunicar ideias de uma mente isolada (de todas as outras) para outra mente igualmente isolada.

Modos de Comunicação:

Há somente dois modos possíveis de comunicar ideias através de um meio material:

Por IMITAÇÃO;

Por meio de um SÍMBOLO.

A IMITAÇÃO é um meio efetivo, mas limitado para expor a essência das coisas. Por exemplo, eu posso desenhar um cachorro para alguém e essa pessoa saberá que eu estou tratando desse animal, e não de uma planta. Porém, quem vê meu desenho de um cachorro não vai entender nada mais além disso: “um cachorro”, se eu desejo dizer algo mais além de mostrar um cachorro, terei que usar outro modo de comunicação para ir até a essência do que quero falar.

O SÍMBOLO é um signo sensível arbitrário, cujo significado é imposto a ele por convenção. Todo SIGNO tem um significado, quer por natureza, quer por convenção.

– SIGNOS NATURAIS: uma nuvem é signo (sinal) de chuva; a fumaça é signo de fogo. Perceba que a ideia é passada claramente para quem a vê, sem a necessidade de um vocabulário, alfabeto ou língua específicos. É quase como a interjeição apresentada acima – só que o que é dito é através de elementos presentes na realidade.

– SIGNOS POR CONVENÇÃO: em um sinal de trânsito, convencionamos que a luz verde é indicativa de movimento, já a luz vermelha, uma ordem para PARAR. Os símbolos por convenção podem ser classificados em dois tipos diferentes: ESPECIAIS E COMUNS.

ESPECIAIS: são signos criados por especialistas e de alcance internacional. Uma tabuada é entendida do mesmo jeito seja por um brasileiro, que lerá em português, bem como por um alemão, que lerá em alemão.

COMUNS (palavras): inventada por pessoas comuns para atender necessidades de comunicação no curso da vida. Por isso é mais adequada para comunicação que as línguas especiais, ainda que seja menos precisa e ambígua, no sentido de que uma palavra pode ter dois ou mais significados. Um exemplo para ambiguidade de significados pode ser o verbo “assistir”, que tem a mesma grafia (signo) seja quando significa ver algo, seja quando significa ajudar alguém. E se formos pro inglês, piora, pois há vários verbos que tem a mesma grafia quando estão no tempo verbal presente ou passado — é só lembrar do verbo ler (to read), que a grafia para o presente [ele] lê (read) é a mesma para [ele] leu (read); apenas com o som da voz diferenciamos, pois no primeiro caso ouvimos rêad (presente) e no segundo caso ouvimos réad (passado).

Para concluir esta primeira parte, vou ilustrar como é comum menosprezarmos a evolução dos signos para expressar ideias e conceitos. Você deve lembrar dos algarismos romanos. Eles são bem bacanas para escrever o número dos séculos, por exemplo. Mas imagine realizar operações básicas com numerais romanos? Um cálculo simples como 235 x 4, em algarismos romanos [CCXXXV x IV], teria que ser feita da seguinte maneira:

CC x IV = DCCC

XXX x IV = CXX

V x IV = XX

Resultado: DCCCCXXXX, que poderia ser reescrito CMXL, que é a versão romana de 940. Viu que trabalheira? Agora imagine essa questão no Enem deste ano…

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