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TRIVIUM CAP.2 – LINGUAGEM E SEUS SÍMBOLOS (parte 4)

Alexandre Gomes -

O caminho até agora está ficando longo, não é? Por mais que eu use exemplos próximos da realidade; ainda assim, eu e você estamos buscando entender conceitos abstratos. Afinal, estamos falando sobre os nomes das coisas (materiais e imateriais). Pois bem! No texto de hoje vamos tratar justamente como se organizam e dividem as palavras! Ou melhor dizendo: os SIMBOLOS – uma vez que cada palavra significa (simboliza) pelo menos alguma coisa.

A linguagem emprega QUATRO TIPOS de símbolos para representar a REALIDADE, que se organizam da seguinte forma:

– Dois tipos são para a descrição do INDIVÍDUO:

  1. a) o símbolo próprio, que são os nomes próprio dos indivíduos. Tais como: Machado de Assis, Rio Amazonas, Cidade do Recife, etc. e;
  2. b) o símbolo empírico, que são as descrições particulares. Tais como: o atual gerente da loja, a mulher que estava histérica, a mobília desta casa (notou que houve uma especificação no tempo, no espaço ou em ambos?)

Perceba que a LINGUAGEM seria IMPOSSÍVEL se houvesse apenas SÍMBOLOS PRÓPRIOS. Basta que você imagine quantas combinações de letras seriam necessárias para designar pessoas, lugares ou épocas específicas. Palavras gerais como “ano”, não existiriam. Haveria apenas – talvez – um nome próprio… algo como… Tibúrcio! E quando este [ano] acabasse, nunca mais tal nome seria usado; (ok, essa seria a parte boa, nos livraríamos de Tibúrcio). Mas quantas combinações pronunciáveis seríamos capazes de criar para cada ano? Cada mês, semana, dia e por aí vai?

Seria loucura!!

Notou que não podemos viver só com símbolos próprios? Os símbolos empíricos servem justamente que eu diga aqui para você “Luciano Pires produz um podcast excelente!” e você entenda que estou listando um símbolo próprio (Luciano Pires) e dois símbolos empíricos (podcast e excelente) – sendo o  símbolo “podcast” uma descrição particular de um tipo de gravação de áudio e o segundo símbolo, um adjetivo de qualidade acima do ótimo (que é outro adjetivo, mas você me entendeu) – vamos deixar o verbo (produz) e o adjunto para depois, ok? (mesmo assim, cada um deles é um símbolo).

A consequência de uma LINGUAGEM feita puramente por símbolos próprios é que a única forma de compartilhar qualquer conhecimento seria por EXPERIÊNCIAS COMUNS. Ou seja, qualquer conhecimento descoberto por um grupo seria parecido com uma piada interna – só aqueles que vivenciaram a experiência reveladora entenderiam do que estava sendo dito, pois não haveria um símbolo empírico para explicar para quem não viu o evento que gerou o conhecimento novo.

O que fica claro é: ideias gerais ou universais não poderiam ser expressas em uma linguagem que só tivesse símbolos próprios. Ou seja, SEM uma linguagem de símbolos empíricos pré-existente, você DIFICILMENTE seria capaz de entender o funcionamento de uma chave grifo (ou de cano), pois as chances de vê-la funcionando são bem pequenas.

E se você pensa que o problema de comunicação seria apenas hoje em dia, imagine explicar a utilidade de um arco-e-flecha para um jovem caçador na Antiguidade sem uma caça gentil, que se dispusesse a ficar parada como alvo até que o caçador experiente demonstrasse VÁRIAS VEZES o uso da ferramenta para o aprendiz. Sem os símbolos empíricos não conseguiríamos sair das cavernas, não é?

Isso nos leva para os próximos dois tipos de descrição da REALIDADE: são os símbolos que descrevem a ESSENCIA das coisas.

  1. O nome comum: criança, cadeira, hora, quadrado, etc. Todos esses são nomes comuns, listados em dicionários e que dão a ESSÊNCIA das coisas que descrevem. Juntando todas as espécies e gêneros. Perceba, SALTO é um tipo (espécie) de movimento; voar, andar e rastejar são outra ESPÉCIE (ou tipo). <esmo sendo cada um deles também um movimento (o que os une é que todos têm o mesmo gênero).
  2. A descrição geral: termos como: animal racional, triangulo equilátero e rei da Inglaterra. Perceba que mesmo usando NOMES COMUNS para criar uma descrição geral (ou universal), foi possível chegar a ESSÊNCIA de cada coisa. Reforçando: quando digo REI da Inglaterra eu busquei destacar duas coisas: os reis, entre todos os homens, e os reis ingleses entre todos os reis.

Porém, algo muito sério deve ser destacado. Juntar aleatoriamente nomes comuns não criam descrições gerais válidas. Uma vez que as DESCRIÇÕES GERAIS precisam REPRESENTAR UMA ESSÊNCIA ou NATUREZA DE CLASSE que seja intrinsecamente POSSÍVEL, ainda que não exista de fato. Vamos aos bons exemplos, certo? É válido usar descrições gerais como: sereia, extraterrestre e corintiano honesto. Tais coisas NÃO EXISTEM, mas como podemos IMAGINÁ-LAS, ELAS SÃO POSSÍVEIS.

Agora, tente imaginar um CÍRCULO QUADRADO? Ou um QUADRADO TRIANGULAR? Percebam que as palavras se encaixam tranquilamente, mas elas fazerem sentido… não faz, certo? Talvez faça na cabeça de quem acha que só porque as palavras soam bem, elas comandam a realidade.

O ponto é: enfileirar nomes comuns e dizer que criou um novo conceito impossível de ser imaginado não é sinal de grande inteligência, ou profundidade de pensamento. É apenas burrice. Ou malandragem retórica para impressionar pessoas simples. Se você está pensando que estou fazendo proselitismo político, está enganado. Porém, se sua lembrança o/a levou para alguns livros que falam de Segredo Quântico, Magia Quântica e asneiras similares… aí sim, você acertou em boa parte do que estou falando aqui.

Pois bem, gentil leitora; caro leitor. Você já deve ter notado que a frequência aumentou. Então oficializo aqui: todos os dias 07 e 21 do mês tem post sobre o Trivium. Então comente, critique e/ou me xingue nos comentários, que tentarei responder (educadamente, é claro). Agora, se realmente tem paciência, entre na Confraria Café Brasil que sempre estou lá – e garanto: tem gente muito mais interessante por lá.

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