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TRIVIUM CAP.2 – CRIAÇÃO DE SÍMBOLOS (parte 5)

TRIVIUM CAP.2 – CRIAÇÃO DE SÍMBOLOS (parte 5)

Alexandre Gomes -

Bom, você percebeu que as PALAVRAS são o meio que utilizamos para comunicar OUTRA PESSOA sobre a ESSÊNCIA das coisas que vemos ou imaginamos. Ou ainda, sobre INDIVÍDUOS que conhecemos.

Logo, é fácil para você, guria (ou velhinho…) compreender que PALAVRAS são SÍMBOLOS DE IDEIAS sobre a realidade. Afinal, são as palavras que usamos para descrever o que pensamos para outra pessoa.

Agora vem a parte chata que envolve qualquer estudo: que é COMO isso (ou algo) acontece.

Como CRIAMOS esses SÍMBOLOS.

Afinal, qual a utilidade disso? [essa é a pergunta de todo estudante faz, diante de um tema difícil que não tem paciência ou disposição para aprender].

A UTILIDADE em entender QUALQUER tema/assunto é duplo – no mínimo:

  1. o uso prático/profissional daquele conhecimento ou técnica. Seja para aplicar ativamente ou para usar o que foi aprendido para compreender novos temas, empregando o conhecimento aprendido para alcançar um novo aprendizado.
  2. Para expansão da própria inteligência. É o cérebro tanquinho, malhado, que o Luciano sempre fala. Quando se compreende algo novo, absorvemos uma nova forma de ver o mundo. Nos tornamos capazes de conectar ideias que antes nos pareciam distantes e sem relação.

Enfim, voltando ao nosso assunto de hoje… criar uma ideia universal envolve vários passos. E tais passos tem muito a ver com o indivíduo que está captando as impressões e pensando a respeito delas (as impressões).

Perceba o seguinte: qualquer um de nós vê a realidade através de nossos sentidos externos; observando objetos reais (pedra, carro, gato, casa, árvore). Desses objetos que observamos, criamos quase que instantaneamente um conceito geral de cada objeto.

Ex.: uma criança que vê um gato pela primeira vez, quando encontra um outro gato, entende claramente que se trata também de outro gato (ou seja, um outro ENTE DA MESMA ESPÉCIE).

Uma vez que nossos SENTIDOS EXTERNOS coletaram dados de REALIDADE, nossos sentidos internos (a imaginação, principalmente) criam uma imagem mental, um FANTASMA do OBJETO INDIVIDUAL PERCEBIDO. Fixamos esse fantasma na memória para usarmos quando bem entendermos.

É quando usamos nosso SENTIDOS INTERNOS que deixamos de ser apenas animais, e realmente honramos a capacidade física de articular SONS. Uma vez que temos uma ideia complexa para ser apresentada a outra pessoa – e não sabemos se essa pessoa conhece aquele objeto. Se não conhecer, ter em nossa memória o fantasma daquele objeto é FUNDAMENTAL.

Vamos recapitular! Nossos sentidos EXTERNOS (visão, tato, audição, olfato e paladar) captam aspectos específicos de um objeto; digamos… um filhote de cão que temos em nossas mãos. (ah, sim! O paladar entrou na jogada porque o pequeno não parou de te lamber no rosto e, óbvio, lambeu a sua boca). Bom, com esse conjunto de impressões sensoriais ABSORVIDOS pelos sentidos e enviados para nossa MENTE, entram em ação os SENTIDOS INTERNOS: a imaginação, a memória sensorial. O instinto e o sentido comum (ou sintetizador).

Continuando no exemplo do cãozinho. Através dos sentidos externos você captou dados sobre aquele SER (indivíduo) específico: o cheiro do filhote, o peso do animal e a textura de seu pelo, escutou seus latidos e viu os olhos curiosos direcionados a você, e o gosto da língua após ser lambido na boca – hehehehe.

Quando todos os dados chegaram à sua mente, o processo de criação de um conceito se iniciou. E a universalização do que você viu, passa a valer para todos os cãezinhos, pois na sua IMAGINAÇÃO está uma imagem básica para todos os filhotes de cães, o seu INSTINTO, junto com a MEMÓRIA SENSORIAL irá proteger você de novas lambidas na boca. E tudo isso estará organizado e preservado na sua mente graças ao SENTIDO SINTETIZADOR, que agregou tudo e acrescentou o cuidado com lambidas indesejadas.

O que eu exemplifiquei acima foi o seguinte: o objeto real observado é único e individual, e a percepção que nossos SENTIDOS EXTERNOS constroem é chamado de PERCEPTO.

Nossos sentidos internos recebem o PERCEPTO e com a IMAGINAÇÃO criam o FANTASMA (que é o percepto retido e olhado quando quer que se queira, pois está em nossa mente) – fantasma que também é individual, para que não nos esqueçamos do objeto observado.

Note que tudo isso acontece quase ao mesmo tempo, e que o MAIS IMPORTANTE ainda não foi descrito, mas já aconteceu!

O CONCEITO foi criado logo após o FANTASMA. O conceito é a abstração criada pela MENTE através do reconhecimento da ESSENCIA do objeto observado. Criando assim uma IDEIA que é UNIVERSAL, IMATERIAL e NÃO LIMITADA em algum LUGAR ou TEMPO específico.

Apenas o HOMEM tem o poder dessa abstração intelectual.

Por quê é assim? Bem, você pode ver isso como um indício de que temos uma alma imortal ou uma combinação genética única que nos presenteou com um cérebro mais complexo que todos os outros animais.

Mesmo assim, cabe um alerta:

O conhecimento INTELECTUAL (ou ABSTRATO) é mais claro, mas é menos vívido que o CONHECIMENTO SENSÍVEL ou CONCRETO. Seria bom exemplos para esclarecer, certo? Então vamos a eles!

Eu posso te dizer que o comprimento da circunferência é o dobro do seguinte cálculo: o raio desse círculo vezes o número Pi (π), ou seja, C=2 πR.

Como também posso pegar um barbante, amarrar um prego em cada ponta, esticando uma linha de 63cm, para enfim desenhar um círculo com raio de 10cm. Se você fizer as contas, irá descobrir que o comprimento deste círculo (de raio 10cm) é exatamente 63cm.

Eu também posso contar sobre a vez em que salvei três engenheiros e um estatístico que não se lembravam da famosa fórmula de Bháskara:

Meu professor de Matemática do ginásio gargalharia se soubesse do que aconteceu.

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