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A primeirona

A primeirona

Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

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O centenário da 1ª Guerra Mundial, semana passada, foi muito lembrado na Europa, por motivos óbvios. Esse conflito, que destruiu toda uma geração, um quinto da França e metade da Bélgica, inaugurou um novo tipo de guerra: A moderna, política e total. A partir de julho de 1914 (até novembro de 1918), as beligerâncias internacionais deixaram de ser simples conquistas de território ou pilhagem de bens, como foram durante centenas de anos. Criou-se a Grande Guerra, uma espécie de briga de turma sem motivos muito claros, onde dois blocos antagônicos usam desculpas bobas pra se destruir total e mutuamente. Ah, as burrices humanas… nesses 100 anos decorridos passamos a numerar essas guerras mundiais. Como disse Einstein, não se sabe quais serão as armas numa eventual 3ª Guerra, mas a 4ª será travada com paus e pedras.

A 1ª Guerra acabou com os sonhos bobos de glória em combate. Ensinou aos jovens que não há nenhuma glória em matar e morrer em trincheiras imundas, cheias de ratos e lama. Nunca houve guerra tão sangrenta, sob a ótica de baixas militares. Baixas civis não eram comuns, mas a fotografia, os jornais e o cinema, em toda a sua crueza, trouxeram as imagens do horror – relativamente distante – às cidades, inovando ao expor à população os campos de batalha até então conhecidos somente por relatos. Era o inferno ao alcance de todos.

Também estrearam no campo tecnológico eficientes máquinas de matar. Submarinos, metralhadoras, aviões, gás venenoso, minas explosivas, tanques. Uma gama de modernidades aumentando exponencialmente o número de vítimas. Nunca (nem mesmo na 2ª Guerra) matou-se tanto por nada em número de soldados. Batalhas duravam meses inteiros (como a do Somme, ou a de Verdun), matando milhões em troca de uns poucos quilômetros de terra-de-ninguém esburacada. No primeiro dia do Somme houve 60 mil baixas britânicas por nada.

Ao final de quatro anos, pouco se avançou em terreno, mas a safra diabólica deixou 10 milhões de mortos e 20 milhões de feridos, mutilados, desfigurados, aleijados, psicóticos. A “guerra que acabaria com todas as guerras” não passou de um gigantesco matadouro. E apenas 21 anos depois embarcamos na próxima. Mas os europeus aprendem com seus erros.

Nós, nunca. A pequena participação brasileira em 1918 virou, injustamente, motivo de piada, com a tal “batalha das toninhas”: O cruzador Bahia, em Gibraltar, atacou com cargas de profundidade (à época, rudimentares barris cheios de dinamite) um bando (cardurme?) dessa espécie de golfinho, matando dezenas delas; acreditavam ser um submarino alemão. O problema é que nos anos 10 não havia radares, sonares, captadores de som, lasers, sensores de calor, computadores, varinha do Harry Potter, nem nada que indicasse onde estavam os submarinos inimigos… a não ser a boa e velha observação via “olhômetro”; agitação na superfície significava fogo imediato – e perguntavam depois. Exatamente como faziam alemães, americanos, ingleses. Ou seja… a chacota é incabível. Era um engano comum.

Mas a gente não aprende nem em um século, diferente de povos culturalmente mais evoluídos. Na verdade, pioramos (quase) sempre. Nos últimos doze anos então… haja toninhas.

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