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Jota Fagner - Origens do Brasil -

Enquanto voltava para casa carregando alguns livros que acabara de comprar, encontrei uma senhorinha muito simpática que costumava trabalhar numa banca de jornal aqui perto. Havia sido demitida por irresponsabilidade e agora passava os dias perambulando. Ela me cumprimentou, perguntou de minha família, viu os livros em minhas mãos e perguntou se eu “estava na livraria?”.

“Quase isso”, respondi orgulhoso. “Estou voltando da feira de livros da USP. Aproveitei a oportunidade para comprar algumas edições que eu vinha namorando”.

Ela me olhou com um jeito professoral e soltou a ladainha de sempre: “Ler é muito bom. Eu gostaria de ter tempo”.

Meu sangue ferveu, mas se tratava de uma senhora. Contei mentalmente até dez, respirei fundo e segui mudando de assunto. Falei de como estava quente, “esse verão promete, né?” Ela anuiu e o papo continuou assim até que cada um seguisse caminhos diferentes.

Não foi a primeira vez que ouvi aquela desculpa. Na verdade, ela é muito constante. Invariavelmente essa é o argumento daqueles que têm vergonha de admitir que não gostam de ler. O hábito de leitura precisa ser cultivado. O ideal é que se comece com leituras mais leves. Livros infantis e histórias em quadrinhos podem ajudar. Aos poucos o nível de dificuldade deve ser aumentado. A cada nova etapa o leitor desenvolve novas habilidades. E esse é um processo que demora anos. Não se torna um amante da leitura da noite para o dia, porque ler não é algo natural.

O problema é que virou senso comum falar sobre os benefícios da leitura. Todo mundo ouve dizer que quem lê mais desenvolve melhor sua inteligência, torna-se mais culto, atinge outros níveis de compreensão da vida e não sei mais o quê. Sendo assim, ninguém quer admitir publicamente que não gosta. A solução encontrada é apelar para a falta de tempo.

Tenho amigos que são muito fãs de histórias em quadrinhos, mas nunca saíram desse nível. Continuam colecionando edições encadernadas de histórias de super-heróis, mas não conseguem terminar um livro sequer. A desculpa? A velha falta de tempo.

Conheço outros que estão, todos os finais de semana, enchendo a cara em mesas de bar. Passam, em média, entre seis e oito horas bebendo. Gostariam muito de ler, mas a falta de tempo não permite. Alguns outros são adeptos das maratonas de séries e filmes. Passam entre oito e 12 horas a cada nova maratona. Sonham em ter um pouco mais de tempo para a leitura.

A falta de tempo parece ser o problema dos brasileiros. Difícil é admitir que a leitura não está entre as prioridades. O investimento para se tornar um bom leitor é muito grande. Livros são caros, muitas vezes difíceis de conseguir. O tempo despendido para se tornar um bom leitor pode ser aproveitado com atividades que trarão prazeres mais imediatos. A leitura só dá retornos no longo prazo. Talvez seja esse tempo que as pessoas não tenham, ou melhor dizendo, não estão dispostas a investir.

Dificilmente um leitor sem muita experiência tirará proveito de um livro do Guimarães Rosa ou do Euclides da Cunha. Seria mais fácil começar com Paulo Coelho, Augusto Cury ou Harry Potter – sem demérito algum. Mas é preciso ir subindo os degraus gradativamente, ou corre-se o risco de nunca atingir sua capacidade total.

O problema com esse argumento da falta de tempo é que ele pressupõe que aqueles que leem não fazem outra coisa da vida. Admito que, como jornalista e professor, estou muito mais próximo das letras do que a maioria das pessoas. Mas também tenho minhas atividades e obrigações. Posso passar semanas ou meses sem terminar um único livro caso eu descuide da disciplina diária. Mas esse hábito, por ser um dos mais antigos que desenvolvi, tornou-se uma necessidade.

Vinte minutos de leitura antes de dormir já me dão certo consolo. Mas esse sou eu. Pessoas diferentes têm diferentes prioridades. Mas não venham me dizer que é falta de tempo. Isso é o mesmo que me chamar de vagabundo.

J. Fagner

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