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A Dissolução e o Imaginário

A Dissolução e o Imaginário

Jorge De Lima - Iscas Olhos&Alma -

A construção da ilusão e do negativismo

A psicose política já por nós a anos citada impõe ao mercado a ilusão como forma básica de socialização. Aparentar tornou se mais importante que ter ou ser. A variante infindável de linhas de crédito, parcelamentos, carnês transformou o mercado de consumo no Brasil. Todo mundo, especialmente a classe política, falava de crescimento se transformando naquilo que jamais sonhou. “Ressurgiu” das cinzas uma classe média que não se contentava a pertencer a este grupo, e queria mais: mordomia, viagens ao exterior, todos bens de consumo antes distantes agora podiam ser adquiridos e  desejados.  A mesma coisa na classe D e… tudo é possível com uma linha de crédito ou carnê. Como é que vai se pagar tais dividas, outro problema, isto não se escreve no contrato assinado. O importante nisto tudo foi e é dar lucro a bancos, a empresas de empréstimo consignado,  telefonia, a grandes montadoras, a um pequeno segmento de empresas beneficiadas, as mais amigas dos que estão no poder. O discurso oficial da ilusão com isto toma forma: que o mercado cresceu, que existem mais empregos, a economia reconstrói o milagre econômico brasileiro e saímos do subdesenvolvimento chegando a possibilidade de dizer que nos tornamos um país de primeiro mundo. Ilusão e delírio, uma obsessão, ou fascinação que impede o individuo de perceber a realidade, apenas discurso, oratória, manipulação dos meios de comunicação ou das estatísticas, ou dos números dos balancetes da economia hoje contestados.

O imaginário é rei e senhor no processo da dissolução. A ideologia contaminada que outrora versava sobre  movimentos políticos com identidade, hoje faz da bolsa de valores e do crédito especulativo seu avatar. Produção real besteira, jogar com números, trocar cheques em várias contas e fingir mais presente que imaginamos. A propaganda vira a alma do negócio e o produto final… hoje é uma choradeira, falta de confiabilidade, corrupção, e o choque da observação que a realidade é bem diferente do apregoado pela classe política nos últimos 16 anos.

O movimento psicológico decorrente deste jogo social é o de um profundo pessimismo. Hoje é cena comum na vivência das pessoas não acreditar e ser negativo ao extremo em um processo que beira a obsessão. Sem a capacidade de perceber a realidade distorcida, em um ato de fé que não mensurou o auto-cuidado, o salutar desconfiar e ou ver as reais possibilidades. Este é o sentimento geral coletivo, quase à semelhança de um indivíduo que recém descobre o par de cornos que carrega posto pela eleita amada, digna de suas promessas de amor. chifre e traição. O traído que descobre que iludido laceou demais e descuidou, deu bobeira, em momentos estratégicos nos quais não poderia vacilar e se entregar. O dilema de Sancho Pança que seguia a loucura de Dom Quixote, seus delírios e que acomodado ou por mero interesse se viu imerso nos problemas…ah, malditos feitiços…

Nossa atualidade é regida por um amplo negativismo que nada mais é que a ressaca do período pós ilusão, no qual o sentimento de onipotência imperava. Mas o que é este ser negativo que não consegue perceber a realidade, mas tanto reclama, faz protestos e vota nos mesmos indivíduos que o expoliam?

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