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A cordinha de cada um de nós

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Mauro Segura - Transformação -

Na Índia, o elefante é um animal sagrado. Muitos deles vivem livres, porém muitos outros são criados em cativeiro. Quando bebê, o elefantinho é amarrado a uma árvore com uma corda forte. Ele tenta de todas as maneiras se livrar da corda, o que é muito natural pois os elefantes são animais para viverem livres, mas como ele ainda não é tão forte para romper a corda, ele se acostuma a ficar preso. Ao longo do tempo o animal desiste de tentar escapar. Inconscientemente, o elefantinho assume que a corda sempre será mais forte do que ele.

O elefante bebê cresce, fica forte e gigantesco, mas nunca mais vai tentar se livrar da corda. Ele pode até ser amarrado a uma árvore pequena, com uma corda fina, porque ele não vai mais tentar sair. A ironia é que o elefante poderia facilmente libertar-se arrancando a árvore ou rompendo a corda, mas sua mente foi condicionada por suas experiências anteriores quando bebê e não faz mais a menor tentativa de se libertar. Ou seja, o gigantesco e poderoso animal limitou sua capacidade de seguir os seus instintos. Os elefantes dos circos passam pela mesma experiência, são domesticados dessa forma e muitas vezes vivem presos com uma simples e frágil corda amarrada em suas pernas.

Essa história parece ser a metáfora do que acontece conosco dentro da sociedade, como cidadãos e trabalhadores. Apesar de vivermos numa sociedade livre e democrática, muitas vezes nos sentimos tolhidos por nossos pais, amigos, chefes, governantes e colegas de trabalho. A cordinha vai sendo colocada em nossas pernas, na verdade em nossas mentes, lentamente, desde quando somos crianças e adolescentes. Estamos falando de costumes, valores, conceitos, preconceitos, ética, credos, cultura, regras, medos e tudo que você consiga imaginar. Assim o nosso cérebro vai murchando, a nossa capacidade de pensar diferente vai sendo minada e nossos sonhos vão sendo enterrados.

Isso acontece dentro do nosso lar, na roda de amigos, no trabalho, em todos os lugares. Olhe para rua e verá um monte de pessoas carregando suas cordinhas, sem perceberem. A maioria das pessoas sofre da “síndrome do elefante indiano”. Quebrar esse paradigma é um processo lento, de aprendizado, rebeldia e de transformação cultural. Liberta-se da corda parece mais difícil do que parece, mas alguns conseguem… e quando conseguem algumas histórias surgem bonitas e transformadoras, como Gandhi, Thomas Edison e Steve Jobs. São pessoas que pensaram diferente, perseveraram em suas crenças e transformaram a sociedade.

Por outro lado, histórias bonitas não são feitas apenas de transformações radicais ou disruptivas. Cordinhas também podem ser rompidas dentro de nossas casas ou no trabalho, no dia a dia, em nosso cotidiano e nas situações mais rotineiras. São nestes momentos que o preconceito e a cultura existentes em nossas cabeças são desafiados. É aí que a cordinha é esticada e temos a chance de rompê-la. E, somente quando rompemos a cordinha, nós nos transformamos e crescemos como seres humanos.

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