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Tiroteio no Saloon

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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

“Sou do Mato Grosso. Lá a gente lida com chantagista assim: é matar ou morrer”.                                                                      

A dramática frase acima foi replicada pelo site O Antagonista, dando como fonte a Folha de São Paulo: https://www.oantagonista.com/brasil/matar-ou-morrer

Lendo a frase, digna de faroeste dos anos 60, o cidadão imaginaria que o autor da pérola seria um John Wayne, um Clint Eastwood, Alan Ladd, Charles Bronson, Yul Brinner ou Lee Van Cleef.  Mas para decepção dos cinéfilos, e mais ainda de qualquer brasileiro, o dito é de um ministro do Supremo Tribunal Federal, o inconfundível Gilmar Mendes.

A alegada razão para esse ato de macheza duelística ao meio dia, numa rua poeirenta de uma cidadezinha do Texas com os Colt .45 cuspindo chumbo, tem uma causa tão estranha como as palavras resultantes: De acordo com Mendes, um colega do STF estaria sendo chantageado. Não deu detalhes, nem apresentou provas, nem o nome da suposta vítima, nem ao menos identificou o chantagista; tampouco revelou qual seria o motivo da chantagem ou quais as exigências do criminoso. Só deu a entender que a Lava Jato, operação mais vitoriosa da história da República no desmonte do crime organizado, extrapola seus limites. Não acusou frontalmente ninguém. Só jogou o dólar de prata pro alto pra ver se algum cowboy acerta (o atual levanta-que-eu-corto). Sem pegar no pianista, por favor, hein?

Peralá: um ministro do STF faz uma acusação desse porte, de extrema gravidade – como se reclamasse que o sorvete veio com pouca cobertura – e fica tudo por isso mesmo? Negativo. Muito corretamente, a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL/SP), alertou que Gilmar Mendes deve ser ouvido com urgência pela Procuradoria Geral da República para que se apure essa alegação assustadora, com imediata abertura de inquérito. Mendes, o indefectível, não deu mais nenhuma pista depois de lançar o pomo da discórdia sobre a mesa do saloon. Silêncio total. Não se ouve nem o tilintar dos copos. Só o vento lá fora, empurrando o mato seco pelas ruas.

Até as moças de corpete apertado e pernas de fora que animam o saloon sabem que há guerra declarada entre Mendes e figurões da Lava Jato – incluídos no rol delegados federais, juízes, receita federal e membros do ministério público, como se esses fossem os bandidos. Os verdadeiros criminosos estão devidamente identificados (em parte) e muitos já cumprem pena pela destruição do Estado e desvio de rios de dinheiro público. Estão acusando o xerife, e não os pistoleiros. É o rabo balançando o cachorro. Ou o cavalo do bandido, como queiram.

Por mais que o brasileiro esteja com o couro grosso diante de excessos praticados por membros de todas as modalidades de poder, acreditando serem donos do País, e não meros servidores públicos, ainda é assustador ouvir ministros do Supremo batendo boca em plena sessão, xingando uns aos outros, dando entrevistas de cunho partidário, antecipando votos pela TV ou fazendo jogo de cena político. É absolutamente impensável um ato tresloucado semelhante na suprema corte de qualquer país que já tenha abandonado a Idade Média. Mas aqui é o Brasil brasileiro, é a jecaria, é a roça, a terra dos jagunços, o atraso, a ignorância travestida de “progressismo”. Não temos nem o charme dos antigos westerns.

Em outra entrevista, Mendes afirmou que a receita federal “está sendo usada como órgão de pistolagem de outras instituições”. Ou seja, tiroteio no saloon. Sempre quebram o espelho do bar e algum bandido é atingido na escada, se esborrachando nas mesas de baixo.

Não deu outra: Os procuradores responderam que Gilmar Mendes “continua a ofender gratuitamente a honra de magistrados e servidores porque acredita estar acima do bem e do mal.” Sacaram antes e acertaram o alvo. Mas por enquanto é só treino.

A hora do duelo final entre a turma dos mocinhos e a dos bandidos tá chegando? É uma gente tão estranha, o submundo do poder é tão vasto, envolve tantos mistérios com tantos interesses inconfessáveis… Tá mais pra Star Wars do que faroeste.

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