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Não, não é por ser mulher

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Por Adalberto Piotto​

Não, presidente Dilma, não é por ser mulher que a senhora está sendo impedida de presidir o Brasil.

Não raro, a senhora recorre a esse argumento. Fez hoje uma vez mais, no que pode ser seu penúltimo dia como presidente.

Ser mulher nunca foi a razão.

Fosse por isso, não teria sido sequer eleita. E a senhora venceu duas eleições. permita-me lembrá-la. Verdade que sob um marketing mentiroso e ultrajante, economia inflada por modelos insustentáveis e muita militância quebra-Petrobras, quebra-Correios, etc, sinais indeléveis de estelionatos eleitorais, mas a senhora foi eleita duas vezes. Duas!

Ser mulher e “a primeira mulher presidente”, ao contrário, devem tê-la ajudado a cegar os eleitores para os verdadeiros aspectos de sua personalidade e a completa falta de habilidades administrativas. E o jogo sujo de suas campanhas, sobretudo a última que, preconceituosa e machista, não poupou com mentiras e ofensas, uma mulher brasileira muito mais importante e reconhecida que a senhora internacionalmente. Incomparavelmente mais, sejamos claros.

Aliás, foi desespero eleitoral ou ciúme de mulher – e seu marqueteiro, além de seu espúrio padrinho Lula – o que a moveu para ataques tão rasteiros e mentirosos contra Marina Silva?

Portanto, é, sim, vergonhoso que busque no gênero um abrigo para sua derrocada justa e necessária, legal e reconhecida. Olhar para sua condição de mulher como justificativa para sua queda só aumenta a percepção de sua pequenez.
Isso ofende as mulheres e seus defensores indepedentemente do gênero. Eu estou ofendido.

O que influenciou seu impeachment, e minutos de humildade lhe mostrariam isso com eloquência, foi sua incompetência, arrogância, abuso, desrespeito, falta de vergonha, falta de respeito com os brasileiros e os país. E suas afrontas fiscais que nenhuma dona de casa, por mais simples que seja, cometeria com o orçamento próprio ou do Estado.

A senhora não está à altura de ser comparada a uma dona de casa que faz a feira e o mercado com a responsabilidade que lhe é inerente.

A senhora ofende essas mulheres. Elas são de bem e aprender com elas pode lhe garantir uma despensa a preservar sua cozinha quando deixar o palácio e seus mimos e mordomias.

A incredulidade que nos acomete é justamente porque não imaginávamos que poderia haver alguém tão irresponsável a ocupar a Presidência da República, mulher ou homem.

A senhora nos surpreendeu de forma terrível e, de forma jocosa, em vez de recolhida, insiste na petulância de olhar ao redor a procura das razões que a destituíram. Razões que só existem dentro de seus desvarios e defeitos, ao que parece, irreconhecidos pela dona que mente pra si mesma.

Não será facil a reconstrução do país.

No entanto, não duvide que o Brasil e os brasileiros avançarão sem a senhora e guardarão seu exemplo para nunca mais vê-lo copiado.

Embora seu imenso estrago ainda vá se revelar maior, uma conta que teremos de pagar, o que vai atrasar a sonhada recuperação, protelada pela sua insistência em permanecer no poder, ela virá.

Diante de milhões de brasileiros trabalhando para restabelecerem suas vidas e a de seu país, por ora, seria um estorvo menor e uma tentativa de elegância republicana se a senhora percebesse suas imensuráveis limitações, além de seus arroubos esquizofrênicos, e se recolhesse ao silêncio, à profundidade da reclusão da alma e da autoanálise.

Os grandes fariam isso.

Mesmo a senhora não sendo um deles, pode se inspirar na grandeza alheia.

Sei que ela lhe é inalcançável.

Mas tentativas normalmente são bem vistas.

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