Sobre mim

Informações Gerais

  • Sexo

  • Data de Nascimento

    26/11/1950
  • Descrição

    Paulista, a paixão subversiva superarando limites. Desenhei, pintei, bordei, fotografei, filmei, publicitei, comuniquei e amei por aí. Comecei Rio de Janeiro, namorei Salvador, 10 anos de amor com a África, fiquei com Europa, em 90 reconquistei Sampa. Desde 97 amaziando Mato Grosso. Sempre insaciável de paixão. Designer, publicitário, cineasta, a criação me seduz. Não me levo mais tão a sério. A chance ANARQUISCA de provocar e evoluir.

Educação

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Não participa de nenhum grupo.
Labi Mendonça

Labi Mendonça

Hoje sei que o que sei não me garante nada além do muito que ainda não sei. Por isso é muito melhor continuar aprendendo.
- 3 anos atrás
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    Segunda, 29 Março 2010 15:16
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    Paulista, a paixão subversiva superarando limites. Desenhei, pintei, bordei, fotografei, filmei, publicitei, comuniquei e amei por aí. Comecei Rio de Janeiro, namorei Salvador, 10 anos de amor com a África, fiquei com Europa, em 90 reconquistei Sampa. Desde 97 amaziando Mato Grosso. Sempre insaciável de paixão. Designer, publicitário, cineasta, a criação me seduz. Não me levo mais tão a sério. A chance ANARQUISCA de provocar e evoluir.

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  • Labi Mendonça criou um novo tópico "\ Teimosia é burrrice?"\ no fórum.
    Eu juro que pensava errado. Tenho um amigo, designer e diretor de arte que trabalhou comigo por mais de 16 anos. O nome dele, João, português, lisboeta da gema, de origem nobre, família tradicional, cidadão viajado e bastante culto. Ele sempre me disse que eu não devia me iludir, pois a parte de portugueses que é mais culta e sofisticada, com maior verniz, é uma minoria em relação ao restante dos habitantes daquele “País de Saloios”, como ele me dizia. Eu juro que não entendia, pensava que era um preconceito dele, já que deixou Portugal um dia e jurou que não quer mais lá voltar. Tudo bem que a grande maioria de habitantes de lá ainda faz parte de cidades pequenas e de origem camponesa. Mas é um País milenar, uma cultura inserida na Europa, berço do velho mundo, uma das maiores potências coloniais da idade média à era moderna, até meados do século 20. Como entender o que ele tentava me mostrar?
    Eu conheci Portugal, fui algumas vezes, tive muitos amigos portugueses, e aos poucos fui aprendendo a entender o que ele pretendia expressar. Mesmo inserido na Comunidade Econômica Europeia, Portugal tem na sua cultura uma forte e arraigada influência dos hábitos e princípios de origem camponesa. Seria o mesmo que pensar que o Brasil é todo moderno, tecnológico e bem informado como os habitantes de São Paulo, Rio de Janeiro e três ou quatro grandes capitais. Na verdade, no interior do País, na imensidão de um território de dimensões continentais, na grande maioria de Estados, o Brasil é habitado por “caipiras”, onde a cultura sertaneja e rural ainda é muito forte. São Jacus com celular e smartphones na mão, andando de carro moderno, mas ainda cheios transbordantes daquela velha formação provinciana. Não se trata de uma diferença qualitativa, é uma diferença de formação, de hábitos, de valores, de influência cultural e de visão.
    Acontece que em Portugal, além dos aspectos já citados, é um País onde a ditadura de Salazar durou até o final dos anos 60, e onde a classificação de portugueses era feita pelos de primeira (nascidos em Portugal), de segunda (nascidos fora de Portugal, as colônias) e ainda os de terceira, quando filhos de portugueses de segunda, nascidos nas colônias e fora delas. A própria formação do povo português passou por diferentes misturas, povos, invasões, coligações de reinados, etc... Gerando um povo bem misturado. Segundo meu amigo, o poeta, cineasta e letrista Ruy Guerra: “Todos nós herdamos do sangue lusitano certa dosagem de lirismo, além da sífilis, claro!”
    Nas minhas pesquisas estudei o termo. Designa-se como saloio o habitante natural das zonas rurais do início do século XX em volta de Lisboa, a região saloia. A região saloia compreende vários concelhos, sendo os seus limites discutíveis. "Çalaio" ou "çaloio" era o tributo que se pagava do pão cozido na Corte e Patriarcado de Lisboa. Çaloio era também o nome que se dava aos mouros da seita "çalá" e no começo da nacionalidade era o nome que se dava aos descendentes dos provençais colonos oriundos de Salles d'Ande.
    No passado os seus habitantes viviam da agricultura, praticada em hortas e pomares, e do comércio de produtos agrícolas em mercados e na cidade de Lisboa. Ainda hoje se situa nesta região o mercado que mais carne de bovino fornece à capital, a Feira da Malveira. As mulheres ganhavam mais algum dinheiro como lavadeiras das famílias abastadas de Lisboa. Desses tempos em que muitas aldeias se enchiam de peças de roupa a secar ao sol ficou o termo Aldeia da Roupa Branca, que se tornou título de um filme dos anos 30 do século XX sobre esta região.
    Com produtos agrícolas de excelência (frutas, hortaliças, coelho, aves, ovos, queijo, caça,…), esta zona desenvolveu também uma gastronomia bastante variada e rica, sobressaindo as receitas de coelho, aves e porco. O queijo fresco ainda hoje é muito apreciado em todo o país.
    A maneira de trajar também era muito própria, incluindo o colete e o barrete que até a poucos anos ainda era usado por pessoas mais velhas em algumas destas aldeias.
    A origem destes habitantes do distrito de Lisboa é discutível, sendo atualmente aceite que tiveram origem nas comunidades mouras que, saindo da cidade de Lisboa para as zonas rurais após a Reconquista Cristã (1147) por D. Afonso Henriques, se dedicaram à agricultura e pequeno comércio.
    Atualmente a região saloia está bastante descaracterizada, tendo alguns concelhos deixado a ruralidade do passado tornando-se zonas urbanas. Amadora, Odivelas e partes significativas de Loures, Sintra, Mafra e Torres Vedras. As tradições e formas de vida tradicionais perderam-se no passado recente e os atuais saloios (principalmente as novas gerações) aparentemente em nada se distinguem dos lisboetas, nem dos habitantes de Oeiras e Cascais.
    Só que, bem, “uma vez saloio, sempre saloio”, diz meu amigo João. Ele ainda diz que “o pior que pode haver é um saloio abastado de dinheiro, pois terá a ignorância ampliada pelo poder aquisitivo, e veremos a barbaridade do rico bronco em toda a sua extensão”. Novamente, eu explico que ficava impressionado com essas declarações, pois mostrava uma revolta nele que eu julgava infundada. Mas ele tem conhecimento de causa. É teimoso demais.
    Outro amigo, cineasta, que trabalhou em Portugal, me disse uma vez como se fosse piada, mas com ar sério: “Um português já faz uma confusão dos diabos, imagine um País cheio deles”. Achei que era apenas uma piada de mau gosto. Até conhecer mais histórias. E meu talentoso e competente amigo João.
    Acontece que a gente vai vivendo e vai aprendendo. E eles estão voltando. Tem uma boa parte dos saloios que não se dão bem na terrinha, e quando conseguem uma oportunidade, se escapam para tentar a vida fora de Portugal. Parece que foi assim no passado, desde os tempos de Cabral. E agora que a crise começou a apertar em toda a região do Euro, o Brasil voltou a fazer parte do roteiro de aventureiros do Além Mar que pra cá vem tentar a sorte.
    “Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal.... Ainda vai tornar-se um imenso Portugal”... A voz do Chico Buarque cantando a letra de Ruy Guerra, em Fado Tropical, surge em meus ouvidos com umas quatro décadas de permanência e atualmente ganha ares de profecia.
    Aí, eu comecei a me recordar de todas as vezes em que tive um contato mais próximo com aventureiros que vieram para a terra descoberta por Cabral, investidores ou apenas trabalhadores, e fui identificando algumas características próprias, traços que se repetiam com muita regularidade.
    A Teimosia é uma das características do português. Segundo meu amigo João, foi graças a essa teimosia que nenhum povo, nem os mouros, conseguiu dominar aquela pequena terrinha ao sul da Europa. Morrem agarrados à sua teimosia mas não largam o osso.
    A Valentia é outra característica. O português é teimoso e valente. Enfrentaram os mares em naus construídas por eles mesmos, grandes construtores, numa época em que era preciso mais do que coragem para fazer as circunavegações.
    O ignorante não tem medo por ignorar o perigo. E mesmo sendo um povo onde uma minoria deteve o conhecimento da famosa Escola de Sagres, um dos baluartes do conhecimento na era dos descobrimentos, a grande maioria do povo português manteve-se agarrada à sua ignorância camponesa, para preservar-se enquanto cultura, a cultura do caipira, do padeiro, do artesão, do tecelão, do construtor, do comerciante, do ourives, do cozinheiro, do olivar, uma vez que de tempos em tempos outros povos mandavam mais em Portugal do que seus monarcas.
    Atenção, eu esclareço, este texto que estou construindo, não é um manifesto e muito menos desejo que o povo português se sinta ofendido quando abordo anarquistamente este tema desta forma. Estou colocando em pauta a teimosia saloia, a ignorância usada como barreira de defesa para se manter sem mudar.
    Sei reconhecer os gênios portugueses que ao longo de décadas eu conheci, e sei que não posso generalizar nada sobre tais questões. Meu objetivo é apenas revelar o que as minhas experiências tem demonstrado.
    Se o jacu, caipira do interior do Brasil já tem sua dose de ignorância que torna as coisas bem mais difíceis quando se trata de buscar a transformação de uma mentalidade para promover mudança e desenvolvimento no terceiro milênio, especialmente na área de marketing, como é a minha, tenho que confessar que a teimosia natural do povo português, aliada à ignorância que ele preserva como tábua de referências para se preservar enquanto cultura, torna o trabalho do consultor ainda mais complexo e difícil, quando se trata de portugueses tentando montar empresas no Brasil.
    Tenho enfrentado desafios terríveis. O pior ignorante é aquele que não quer nem pensar na hipótese de admitir que alguém tenha algo novo para ele ter de se adaptar.
    A esse quadro, se soma uma dificuldade mais recente, que a tecnologia trouxe com as facilidades de navegação e comunicação, permitindo que as pessoas por terem acesso à informação de toda sorte e feitio, se permitam pensar que com isso acabam tendo conhecimento, domínio e capacidade de discernimento sobre qualquer matéria. Arvorando-se a entender, opinar e jugar saber sobre temas que alguns levam toda uma vida estudando e trabalhando para aprender.
    Assim, do mesmo jeito que tem os médicos de internet, os engenheiros de internet, os comunicadores de internet, os sábios pensadores de internet, os profissionais de ocasião, muita gente acha que sabe o suficiente para não precisar seguir os especialistas de verdade.
    Mas, contratam os consultores, que é para dar respaldo às suas decisões, e não para ouvir, aprender, obedecer e seguir o que os consultores estão a orientar.
    No final, quando por ventura seus resultados não forem os almejados, certamente, terão os consultores para atribuir a culpa pelo insucesso. Mas, está reclamando do quê? Estão pagando! CONHECEM ESTE BORDÃO? Tem algo mais ignorante?
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    2 semanas atrás
  • Labi Mendonça created a new topic ' Alguma coisa errada ou alguma coisa certa?' in the forum.
    Eu estava passando pela rua e ouvi dois senhores conversando. Um dizia ao outro: “Acho que o Brasil não tem mais jeito”.
    O mais idoso, uns 90 anos, rijo, firme, bem arrumado, passo seguro, cabelo ralo e jeito de bem sucedido na vida soltou um resmungo concordando e emendou: “Que saudade dos militares, nunca pensei que diria isto! Mas a coisa está mesmo precisando de ordem e autoridade, com seriedade”.
    Na mesma hora me lembrei de que na noite anterior eu vira no noticiário da TV a “Comissão da Verdade” declarando que haviam descoberto que as torturas no tempo da ditadura militar haviam começado ainda bem antes do surgimento do movimento armado de oposição. O que provava que os militares haviam feito poucas e boas para tomar e manter o poder. Agucei o ouvido. Interessava-me a conversa dos dois vovôs. O mais jovem dos dois, um senhor de uns setenta anos, também conservado, cabelo pintado, roupas elegantes, casaco de couro, cachecol de lã, caminhava com calma sobre os seus sapatos pretos de couro alemão. Dois dignos representantes da classe dominante, provavelmente senhores aposentados ou empresários que estavam transferindo aos filhos a gestão dos negócios da família. Pensei para onde os dois estariam indo, naquela rua arborizada do bairro classe média alta de Higienópolis, São Paulo, Capital. Deduzi que iriam ao Shopping, possivelmente sentar naqueles cafés elegantes da entrada, tomar seu café ou chá, com pão de queijo ou croissant, analisando uma realidade que lhes parecia fora de controle e sem perspectivas de melhora. Tristes papos de velhos desanimados. Na mesma hora me recordei que ouvira algo muito parecido da boca de uma pessoa simples, uma funcionária subalterna na empresa, dois dias antes, comentando a falta de confiança que se tinha dos atuais governantes e políticos. Coçava-me a vontade de meter o nariz no papo dos vovês. Segui perto deles, ouvindo os argumentos deles que provavam que a corrupção só aumentou, que os políticos não tinham mais princípios, vendidos a interesses de manter o poder e os benefícios que recebiam nos cargos. Logo a seguir eu ouvi novamente a frase: “Essa democracia com os votos na mão da massa ignorante coloca o poder na mão de gente sem escrúpulos”. “Só elegem bandidos...”
    Esperei, eles chegaram ao cruzamento da Avenida Angélica e pararam aguardando o sinal. Eu estava logo atrás. A preocupação do mais novo era com a questão da segurança, da violência, da impunidade. Não resisti e perguntei: “Senhor, me desculpe, ouvi o que disse. O senhor não acha que esses problemas todos que temos hoje não se originaram lá atrás, no tempo da ditadura? E vieram se agravando pela alienação das pessoas, do atraso do povo e da ignorância?”
    Os dois me fulminaram com o olhar. Sentiram-se invadidos, expostos, afrontados. O mais jovem e mais enpolgado apressou-se a dizer: “Absolutamente”, essa bandalheira é obra desse governo corrupto!”
    O mais velho balançava a cabeça, não queria dar o braço a torcer, mas sabia que também não era como o amigo dissera. Me pareceu mais experto.
    Eu disparei ao mais novo: “O senhor acha que a lei tem que ser mais rigorosa, diminuir a maioridade penal?
    No semblante deles aparecia a certeza da concordância. O mais jovem afirmou:
    - É o único jeito. Prender e penalizar esses delinquentes, assassinos, drogados, animais...
    Eu tentei argumentar: “Mas como chegamos a isto? Não começou ontem. Se tivesse havido investimento em educação, distribuição de renda, reforma agrária, geração de empregos, nós não estaríamos neste estado de atraso. Os militares com seu sonho de construir uma potência estratégica se esqueceram de investir para tirar o País da miséria. Agora temos o resultado”.
    Eles não gostaram. O mais velho agora me observava com atenção. Lá no fundo do seu olhar ele sabia que havia um ponto de ponderação a ser reconhecido. Mas ele também não queria continuar. O mais jovem tentou manter sua defesa: “Que absurdo! Graças aos militares não descambamos para o caos, somos um País respeitado...”
    O sinal da avenida para pedestres ficou verde, poucos segundos para atravessar. Eles se foram. Meu caminho seguia em outra direção. Pensei: “Mas somos um País respeitado? E não vivemos o Caos do mesmo jeito?”
    Eu tinha que ir trabalhar, fui embora, sentindo uma vontade enorme de continuar aquela conversa...
    Segui meu cainho, imaginando quantas pessoas faziam a si mesmas naqueles dias as mesmas perguntas?
    Alguma coisa está errada em tudo isso, e muitas coisas acabam também erradas por causa disso. Ou então eu estou apenas enganado?
    Leia Mais...
    4 semanas atrás
    Flavia. Sabe,caro Labi...

    Às vezes tenho a impressão de que as pessoas de boa fé, que se destacaram como líderes, no tempo da ditadura, morreram torturadas e só agora a "Comissão da Verdade" está mostrando (lógico que em parte) quem são estas pessoas.

    O que sobrou para governar o país foi a escória, pessoas interessadas em poder e dinheiro não para o povo,mas para si e seus parentes e conhecidos. Pessoas que se aproveitaram viram na ignorância e imbecilidade brasileira uma fonte inesgotável de renda,usando a lei para isso e ainda com a aprovação dos otários nas urnas...Daí esse bando de corruptos que entra ano e sai ano continua "mamando nas tetas" da nossa "pátria amada" e "mãe gentil".

    Grande abraço, meu caro...
    4 semanas atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Estamos todos loucos? no fórum.
    Desde 2005 eu escrevo estas Anarquiscas, com o objetivo de fazer um exercício de reflexão com a ajuda dos leitores, buscando pescar o ângulo menos explorado, o aspecto não visto, o lado que a mídia não aborda e a visão mais irreverente e menos óbvia. São perto de 150 textos, a grande maioria de análises e questionamentos.

    Tenho captado a realidade por vertentes diversas e de forma subversiva. Mas preciso confessar que o que mais tenho visto é uma deterioração de alguns aspectos que acho muito importantes. Quando faço uma análise geral, fico muito apreensivo. Será que estamos todos loucos? Muitos me dizem para ser otimista.

    Na sociedade brasileira, a cada dia as pessoas parecem mais consumistas, imediatistas, superficiais, sem ideologia, sem critérios e sem valores. O que interessa é ganhar dinheiro, aproveitar a tecnologia cada vez mais acessível para desfrutar de prazeres fugazes de consumo, sem se preocupar muito com o que isso significa em termos de posicionamento perante o futuro. No discurso, todos se dizem mais ecológicos, mais saudáveis, mais politicamente corretos. Na prática isso não cola. Mas faz de conta.

    Nas redes sociais, vemos estampada a solidão de muitos que se comunicam virtualmente com dezenas de outras pessoas todos os dias, várias horas por dia, e que revelam, na sua ansiedade permanente, publicando e compartilhando sua angústia, buscando preencher o vazio em que se encontram, grudados nas telas de seus computadores, tablets e smartphones, desdesperados, como náufragos agarrados á sua boia virtual.

    Nos bares das cidades, pelas ruas e calçadas, vemos muitas pessoas buscando nos copos meio cheios e meio vazios de cerveja e outras bebidas alcoólicas o linimento para as angústias, as feridas, as frustrações. Não são pessoas alegres, são pessoas que tentam desesperadamente afogar as pressões. Nas baladas vejo mais desespero do que alegria. Não é um caso isolado, é cada vez mais gente fazendo isso logo que saem de seus serviços.

    O número de crimes, assaltos seguidos de mortes, menores drogados que não hesitam em disparar contra pessoas inocentes e que nem esboçam resistência aumenta a cada reportagem.

    Caixas eletrônicos de cidades pequenas assaltadas e detonadas com dinamites, por bandos de dez ou doze armados até os dentes virou mais comum que previsão do tempo.

    Ônibus incendiados nos bairros mais populares das cidades é ocorrência corriqueira.

    Drogados pelas ruas de muitas cidades consomem crack e outras drogas como se fossem hordas de zumbis, deteriorando cada vez mais a situação que os poderes públicos não conseguem controlar. Promiscuidade, miséria humana, desespero, autodestruição.

    As grandes empresas agigantadas por milhões de consumidores e com serviços deficientes não conseguem nem sequer dar satisfação dos milhares de reclamações que todos os dias lotas seus sistemas de atendimento ao consumidor e/ou usuário.

    Os planos de saúde, mal administrados, mal geridos, mas cada dia mais essenciais, não funcionam direito e nem garantem uma qualidade e agilidade nos serviços, deixando seus usuários que pagam caríssimo por um péssimo atendimento.

    Na política, o cidadão vê que nada é o que dizem ser, políticos mentem, desviam, malversam, abusam, e não tem mais vergonha de fazer as lambanças que cada vez mais são reveladas, pois nada acontece. Nem os que são pegos, julgados e condenados, cumprem as penas. Uma pena, e os otários pagam as contas desses marajás.

    No sistema judiciário, justiça parece ser cada vez mais uma utopia. E no sistema prisional que teoricamente deveria recuperar é a universidade do crime.

    Na grande maioria das ordens religiosas, o desespero para atrair fiéis, se mistura com a necessidade de faturamento, e a fé e a crença religiosa tornam-se uma característica de barganha no jogo de comércio e alienação. Até a escolha de um Papa vira uma espécie de show interplanetário, onde os povos assistem à exposição teúrgica e litúrgica onde o espetáculo vira produto na mão dos grandes veículos de comunicação de massas.

    As pessoas atacam conceitualmente as ditaduras de esquerda, que se aguentam na miséria, através de uma força que deveria ser apenas ideológica, mas acaba se tornando a prisão violenta de grande impacto repressivo, provocando uma inversão total de valores, de princípios, de honra, e se mantém a poder de mortes e medo. Em vez de ser a base da liberdade se tornam o reduto da força e do totalitarismo.

    No mundo ocidental, o neoliberalismo com toda a sua licenciosa e infiel cartilha de teoria aberta e sem restrições, acaba gerando o ócio dependente que não resolve a crise de produção e aumenta ainda mais a incapacidade de gerar riqueza real que retire o capitalismo da espiral falimentar em que mergulhou. Ainda vamos ver isso de perto.

    Nas escolas, no berço educacional da nossa nação, mais se fala de Funk, de Festa, de Sexo e de Balada do que de disciplina e estudo. E na saída tem brigas que parecem até um ringue de luta. Por falar em luta, grandes marcas e grandes canais de TV patrocinam e exploram a violência de gladiadores modernos que se agridem para o gáudio de plateias sem a menor vergonha daquelas modalidades, disfarçadas de esporte.

    Eu poderia continuar aqui, criando parágrafos atrás de parágrafos, para mostrar que o caminho de rosas está cheio de espinhos. Eu quero acreditar que tudo isso é apenas um olhar carregado de sombras, de angústias de quem já viu demais a demagogia vendida como esperança. Tento e espero que me convençam do contrário. Mas a sensação que tenho é que estamos mesmo ficando loucos. Os Maias talvez estejam certos. É o começo do fim.
    COM_KUNENA_READMORE
    2 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Ano sem receita, mas com esperança no fórum.
    Em março de 2012, eu estava perplexo com a situação que nos esperava para o ano. E publiquei uma Anarquisca que se intitulava A RECEITA DO ANO. Bem, eu não falava de culinária, mas dava uma analisada geral no cardápio do cenário que nos esperava naqueles nove próximos meses. Fui ler novamente, como sempre faço, para ver se tem algum registro essencial e verifiquei que salvo raras exceções, tudo parece indicar que o cardápio se manteve. Para 2013 não existe uma receita clara. O único sinal certo para 2013, é que a esperança conseguiu se infiltrar nos condimentos, para dar aquele alento no sabor do cardápio requentado, e é preciso falar sobre isso.



    Houve em 2012 um julgamento fenomenal que teoricamente deveria mandar os grandes vilões da política e da corrupção para o Xadrez. E eu vi a esperança colorir o olhar das pessoas. Passados alguns meses, olha só, nada aconteceu, e o povo vai se esquecendo do caso. Mas parece que foi uma vitória e nasceu uma esperança.
    Um advogado em São Paulo assassina a ex-namorada e a joga dentro do carro numa represa. Passa-se mais de um ano e ele foi julgado e condenado. Vai ficar um pouco na cadeia. Mas não muito. Alguma esperança se anuncia de que se fez justiça.
    Uma ex-garota de programa casada com um empresário rico e mulherengo, infiel e devasso, humilhou a moça e ameaçou jogá-la na sarjeta sem a filha, a ponto de a moça surtar de ódio, cometer o crime, matar o marido e esquartejar. Está comendo cana, e vai ter um julgamento inexorável. Deverá pegar a cana, pois não tem a riqueza nem o poder da família do falecido marido. A esperança é que o júri perceba que ela até fez justiça... Mas aqui não rola isso. Sem esperança.
    Um goleiro de sucesso mandou matar a amante, piriguete profissional que o chantageava com o filho. O corpo despareceu. Um monte de gente ajudando o crime. O mandante e o executor já foram condenados. Vão pegar cana. Mas não por muito tempo. Teria a esperança na justiça merecido crédito?
    Parece que a justiça, o judiciário em geral, resolveu dar uma prova de que existe justiça, que nem tudo acaba sem julgamento justo, sem o devido peso da lei. Eu poderia citar outros exemplos. Mas é desnecessário. Acho que é uma tentativa de amenizar a opinião pública e criar esperança. Além de disfarçar a ineficiência desse sistema que é lento, injusto, desigual, desorganizado, alienado e medieval, e muito pouco eficiente. Acho até que é venal em muitas instâncias e varas. Aqui a esperança não merece crédito.
    Até o Papa, desiludido com a dificuldade de liderar seus comandados, e diante do desgaste físico acarretado pelas pressões jogou a toalha. Aí, a Igreja Católica foi buscar o novo Papa na Argentina, colocando um mediador que vai ser uma espécie de emblema, um santo homem que resgata a esperança dos fiéis, enquanto internamente os cardeais se confrontam pelo controle da Igreja. A esperança dissimula a decadência.
    Portanto, estamos no ano da esperança. No meio de março, quando todos os anos, o ano tenta pegar no tranco, percebo que as mudanças indicam que coisas mudaram, mas também mostram que quase tudo ainda segue como estava. Ou seja, mexem nas pedras, mas o jogo não avança.
    Vai ter copa das Nações, vai ter inauguração de estádio sem parar, vai ter muito futebol, ultimate figther, vai ter muita jogada de marketing para mostrar que o governo é o melhor para o povão, que tirou o pobre da miséria, vai ter muita miséria sendo vendida como solução, vai ter muito acidente por excesso para provar que as pessoas estão vivendo no limite, vai ter muita gente fazendo média nas redes sociais para criar a falsa sensação de que tem alguma importância no mundo conectado, vai ter movimento das forças invasionistas mundiais para forçar conflitos, que não passam de jogadas mais agressivas no tabuleiro estratégico, buscando dar esperança de que as coisas mudam.
    Tudo muda, mas este ano é apenas de esperança. No Brasil, vão preparar o ano de 2014, com copa do mundo e eleições majoritárias. Precisamos dar o desconto, estão investindo demais na esperança.



    Não acho ruim, somente acho que devemos ter o desconfiômetro ligado, pois não tem receita para saber vencer, mas tem que tentar. Se ficar na esperança não rola.
    E vou buscar o mesmo fecho do ano passado. Se repararem bem, ao nosso redor, nas ruas, nas cidades, em todos os municípios deste País, vemos o cenário de falta de seriedade administrativa, ruas esburacadas, hospitais que não funcionam, escolas depredadas, professores agredidos e banalizados, falta de saneamento básico, drogas invadindo praças e ruas, polícia sem lei, prisões superlotadas como escolas do crime, menores virando monstros e matando sem remorso, vereadores, deputados e senadores que parecem marajás, sustentados por verbas cada vez maiores, e um monte de político fazendo discurso mentiroso de que o futuro será diferente. Aqui morre a esperança.
    Esse é o cardápio de sempre.
    COM_KUNENA_READMORE
    3 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Carnaval Arte Total no fórum.
    Esse era o nome de um programa de TV que eu projetei em 1989, para ser feito na extinta TV Manchete, no Rio de Janeiro. No projeto colaboravam alguns grandes amigos e conhecidos, o Maestro Armênio Graça Filho, o Carnavalesco Eduardo Lage e sua mulher, e outros que se interessaram para levar adiante o programa. Seria um programa semanal, onde se mostrava tudo sobre a preparação do carnaval ao longo de todo o ano, contaria sobre os enredos, e esclareceria sobre a história dessa festa popular. A tese que lastreava o título é que o desfile das Escolas de Samba, assim como as demais festas regionais na época do carnaval, é uma síntese que reúne manifestações artísticas populares de música, de dança, de coreografia, de adereços, de iluminação, de figurino e fantasias, de técnicas de apresentação circense, de show para grandes plateias, e mais uma infinidade de detalhes que envolvem criatividade, arte, cultura e tradições. Por isso a sugestão de TOTAL no título. Na época minha produtora que também estava sendo iniciada, recebeu o nome de Arte Total. A ideia foi bem recebida no início e havia o interesse da emissora no programa. Mas, como sempre, apareceram os atravessadores, os enciumados, e a coisa não vingou. Na TV tem muito disso, os de dentro não gostam quando aparece gente de fora com novidades. Não aconteceu. Mas... Qual não foi a nossa surpresa quando meses depois, no carnaval de 1990, o tema da cobertura da TV Manchete para o carnaval, oportunamente “chupado” da nossa proposta passou a ser “MANCHETE CARNAVAL TOTAL”. Ficamos bem magoados.



    Mas isto não interessa mais, é memória de outros carnavais. O que importa é que naquela época tínhamos consciência de que a cada ano, o evento CARNAVAL se tornava um dos maiores de nosso calendário turístico em escala mundial, e mais do que isso, a festa popular se transformava em um dos maiores senão o maior espetáculo cênico do planeta.



    Mas não bastava verificar que o desfile das escolas de samba era um conjunto de doze espetáculos seguidos, durante duas noites, onde cada um possuía mais de três mil integrantes se apresentando, representando um enredo, que conta cada um uma história ou tema, e que é desmembrado em diversos pedaços como “atos” de uma peça de teatro de exibição única, um musical fabuloso, mágico, espetacular em todos os sentidos e mostrado a milhares ou milhões de pessoas. Eu sempre fui muito ligado ao carnaval, desde a fundação de uma escola de samba em minha cidade natal, na juventude, onde saía todos os anos, primeiro como integrante da bateria, depois ritmista, e finalmente passista da ala show jogando capoeira na avenida. Depois, quando fui viver no Rio de Janeiro comecei a frequentar os ensaios das escolas de samba eu fui naturalmente absorvido pela cultura carioca. Essa ligação não se interrompeu nem quando estive vivendo por dez anos na África, Moçambique, onde montamos um bloco formado por brasileiros, improvisando instrumentos, e que saía todos os anos desfilando na avenida principal de Maputo, a capital, para diversão de todos. E ao regressar ao Brasil em 1989, percebi que o carnaval brasileiro, como um todo, a cada ano se sofisticava ainda mais, se profissionalizava, e gerava um sem número de atividades artísticas, produtivas e comerciais, durante todos os meses do ano, preparando a grande festa de fevereiro.



    Foi isso que nos levou a querer criar o tal programa de TV, para acompanhar e fazer um panorama desse universo criativo, artístico, produtivo, que é particularmente forte tornando-se um segmento da economia de alguns Estados brasileiros. Afinal de contas, mais do que tudo, o Carnaval como nós o fazemos, independente das diferenças regionais em cada Estado, é uma festa genuinamente brasileira.



    Neste carnaval, pude assistir pela TV aos desfiles em São Paulo e no Rio de Janeiro, e as festas em outras regiões. Agora, ao terminar de assistir a última Escola de Samba desfilar no Sambódromo, vibrando de emoção, eu achei que deveria escrever este texto. Principalmente porque existem aqueles individualistas que olhando para o egoísmo de seu próprio umbigo, são detratores dessa festa popular de tamanha magnitude. Aceito que as pessoas que não gostem não se envolvam ou não se motivem a brincar o carnaval. É normal. O que não acho correto é tecerem um monte de críticas, de ironias, de julgamentos superficiais, tentando ridicularizar a festa, sem perceber o quanto estão alienados do que representa esse grande evento.



    O Carnaval Brasileiro, especialmente o desfile das Escolas de Samba é um dos maiores espetáculos cênicos do planeta. Tem pessoas que são capazes de pagar centenas de dólares para ir assistir um espetáculo musical da Broadway, nos E.U.A., mas olham com desdém para um show centenas de vezes maior e mais complexo e não menos belo como é o desfile de uma Escola de Samba. É surpreendente ver como nossos carnavalescos se sofisticaram, aprenderam a desenvolver os enredos dentro de um conceito de megaespetáculo, sem perder as raízes de festa onde participa a comunidade, mas tornando o negócio um grande negócio, que tanto traz divisas através da atração turística que representa, como também ao ser transposto para produto de exportação, que é levado para o mundo, em micro espetáculos, programas de TV e Vídeos em DVD.



    Em torno do carnaval, se desenvolveu toda uma indústria de produtos, aperfeiçoados para atender as necessidades dos carnavalescos. Trabalham o ano todo e fazem pesquisas se parar para aperfeiçoar seus produtos. Fábricas de produtos artísticos, tecidos, plumas, serralherias, engenharia mecânica e hidráulica, instrumentos musicais, injetoras de plástico, tintas, corantes, luminárias, e nem sei mais quantas outras que vão se aperfeiçoando, progredindo, gerando empregos e gerando lucros. As baterias são verdadeiras orquestras percussivas, que tem que ensaiar e aprimorar sua apresentação exaustivamente o ano todo, e nesses ensaios, são gerados negócios que ativam a vida comercial, social e cultural das comunidades. Para desenvolver os enredos que devem obedecer às regras do concurso, são feitas pesquisas, estudada a história, e esse material que é cultura e informação é compartilhado com a comunidade que acaba por participar também das escolhas do samba enredo a ser apresentado. Todo o desfile é na verdade um monumental show de canto e dança, com milhares de integrantes que tenta contar ao mundo o enredo, de uma forma artística, criativa, inovadora, alegre e absolutamente coletiva, praticamente uma única vez, sem ensaio geral e de forma totalmente natural, mesmo que se utilize cada vez mais de apoio tecnológico para embelezar ainda mais o espetáculo. Mais uma vez, repito, devemos aceitar quem não goste, não ache graça nem se interesse. Mas o mínimo que essas pessoas dever manter é uma respeitosa atitude de admiração quando falar de uma das maiores e mais espetaculares festas populares do mundo.



    Sim, CARNAVAL É ARTE TOTAL, com composições musicais, arranjos orquestrais, enredo, fantasias, dança, coreografia, canto coletivo, artesanato, engenharia técnica de equipamentos, pirotécnica, iluminação, efeitos especiais e sei lá quantas coisas mais são fundamentais para fazer esse show. Só que devemos alertar, nem só de rosas é feito esse jardim, onde também tem o verde e o barro.



    Quando o negócio começa a virar mais negócio e os interesses negociais começam a ser mais importantes do que a prioridade e o respeito pela cultura popular, o show pode perder parte do encanto.



    Muitas coisas vão sendo alteradas, impostas e modificadas. Por exemplo, antes, o espírito liberal e profano do carnaval inspirava que as belas mulheres e até belos exemplares do sexo masculino pudessem se exibir praticamente desnudos, com fantasias mínimas, desfilando a beleza sensual de seus corpos sem medo de serem felizes. Isso embelezava a festa e era uma atração aos olhos do público. Agora, com os negócios priorizados acima da diversão popular, com a cobertura de TV sendo vendida para o mundo todo, com todas as exigências de tornar o espetáculo mais liberado para todas as idades, as fantasias passaram a ser mais recatadas, menos provocantes, e uma característica da festa foi se perdendo.



    Outro aspecto que pode se tornar estranho é o que aconteceu com o carnaval apresentado este ano pela minha escola do coração, a Estação Primeira de Mangueira. Sabe-se lá por quais interesses de ambos os lados, conseguiram “vender” o enredo que cantasse a cidade de Cuiabá, Mato Grosso. Até aí, tudo bem, poderia ser uma excelente forma de promover a cidade que deverá ser uma das sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014. Acontece, que para quem é de Cuiabá, e para quem vive aqui, o enredo apresentado, embora muito bem confeccionado, com alegorias, adereços e fantasias que buscavam superar as limitações narrativas, não foi sequer um arremedo do que poderia ser. A letra do samba enredo, nem cantou direito a Mangueira, nem a cidade de Cuiabá e sua cultura e coisas pitorescas. Foi um pálido arremedo de enredo sem muito nexo que o carnavalesco tentou complementar com um trabalho hercúleo de criatividade no desenvolvimento das alas. Mas como o enredo em si estava frouxo, sem liga, sem consistência, ficou uma salada estranha, tanto para quem conhece, como para quem não conhece. E uma coisa mal enjambrada acaba resultando em consequências. A escola inchada de figurantes, tentando inovar com duas baterias (talvez para compensar a falta de encanto do enredo) teve sua harmonia comprometida, se atrapalhou no desfile, e ultrapassou o tempo regulamentar. Foi um desfile aonde vimos a paixão da comunidade dando o sangue, vimos a emoção dos que desfilavam, tentando levar a escola ao sucesso. Mas, lamentavelmente, algumas coisas não estavam bem desde o início e aos poucos o caldo desandou. Eu sou mangueirense de coração, adoro Cuiabá, onde vivo com minha família faz mais de 17 anos, e não me convenci do que vi e assisti. Talvez o carnavalesco não tenha culpa do que aconteceu. Um enredo enfiado pelo gargalo dos negócios pode não ser a melhor das formas de se desenvolver um carnaval. Não sei. Não deu certo.



    Fiz questão de registrar essas reflexões aqui, com minha visão de exaltar essa festa popular onde a busca pelo prazer contagia a grande maioria das pessoas que se deixam envolver pela felicidade. Mas algumas vezes interesse comercial demasiado atrapalha.
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    4 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Para Soltar a Franga no fórum.
    Parece que a cada ano o carnaval chega mais depressa. Na verdade, eu acho mesmo que temos uns 360 dias de carnaval, e cinco dias de cinzas por ano. Não estou exagerando. Pode não ser aquele carnaval tradicional de fantasias, confetes, bailes e desfiles de Escolas de Samba na Avenida, mas que é uma tremenda bagunça, uma festa sem precedentes, todo mundo fingindo que faz certinho a sua parte, e quase ninguém interessado em dizer que não. É tudo de faz de conta... Parece até festa de carnaval.



    Pensam que eu estou mentindo? Então, vejamos: o Governo e os governos vivem desfilando numa fantasia de que estão fazendo o melhor, chegam até a gastar milhões em propaganda para difundir isso, mas nós que pagamos os impostos, e deveríamos receber o que é nosso direito, ficamos no ora veja, desamparados, vendo o bloco dos foliões de colarinho branco e cargos oficiais gozando a rodo com nossa grana.



    A justiça fez um puta dum escarcéu, passaram horas na TV no julgamento do século, o morcegão preto de toga se fez de durão, condenaram todo mundo, mas os réus estão no camarote VIP, bebendo e comendo do bom e do melhor, livres e soltinhos, rebolando na nossa frente. E a gente com cara de otário esperando que apelem, julguem novamente os recursos, e depois, bem, depois chega novo carnaval e vamos todos pular com o Abadá do bloco dos iludidos.

    O Ex... Que falava e dizia, dando lição de moral em todos, ficou superbilionário e seus filhos idem, numa escalada inacreditável para quem saiu de onde saiu. Mas como é um coitadinho do povo, o povo acoberta. Aceita e finge que nada aconteceu. Afinal, se todos roubaram e enriqueceram também, que mal tem este em fazer o mesmo?

    Esta semana, foi pra acabar. Era o baile dos horrores, na eleição para presidente do Senado. Um sujeito que teve que renunciar para não perder o cargo ao ser afastado por corrupção há dois anos, volta e se torna presidente com 56 em 78 votos, conduzido por nada mais, nada menos do que o senhor Sarney, o Ali Babá do Maranhão, o dono de quase tudo no Estado, e um dos homens mais poderosos no grande esquema de pilhagem que este País apresenta nos últimos 25 anos. Poder do comando, poder do esquema, e cabrestagem eficaz de senadores cúmplices. Mas é tudo feito sob o manto da democracia, nada podemos fazer. Não qual a diferença com a Venzuela.

    Por falar em democracia, faz dez anos que a maioria dos votos levou a oposição de esquerda que se dizia salvadora da pátria ao poder, e desde então, o que vemos semanalmente de denúncias de corrupção, de enriquecimento milagroso, de articulação entre megaempresas e o poder político na troca de favores, é de deixar qualquer bandido da penitenciária com complexo de inferioridade. Aliás, daqui a pouco teremos que pagar também mais custos com psicólogos para atender esses coitadinhos encarcerados no sistema prisional, cumprindo pena ou esperando julgamento, que se sentirão deprimidos, arrasados, inferiorizados com sua incompetência e desvalia.

    No Rio, um grupo enorme de policiais se uniu, articulou e assassinou uma Juíza, para evitar que julgamentos e sentenças fossem adiante. Se a polícia está assim, os bandidos civis tem todo o direito de reivindicar tratamento diferenciado, para não serem confundidos com os bandidos de farda. Daqui a pouco vai ter plano de aposentadoria para bandido, defendido pelo sindicato dos presidiários, e que terão fundos que os bandidos dos governos, das assembleias e das Câmaras vão aprovar.

    O Bloco dos corruptos é imenso e tem fantasias para todos os perfis, desde o vereadorzinho pé de chinelo de cidadezinha chinfrim que aumenta seu vencimento logo que pode, até os mais encorpados dos deputados estaduais e federais. Senadores, salvo raríssimas exceções, dignas de contar em dedos da mão, estão corporativamente engajados na manutenção da farsa, e o povo ainda acredita que tenha jeito.

    Durante todas as 52 semanas do ano, o povo se aglomera em filas de transporte ruim, de SUS e Pronto Socorros desabastecidos, da burocracia das repartições, dos bancos, dos departamentos de crediário das lojas, dos concursos de emprego, das esperas por medicamento e hemodiálise, dos intermináveis engarrafamentos nas ruas, dentro de transportes precários que não tem segurança, que são queimados, que são conduzidos por outros desesperados para cumprir sua missão diária de malucos. Se somadas todas essas horas, significa que boa parcela do tempo de vida dessa gente bronzeada que questiona seu valor vai pro saco de confete. E essa gente alegre e de bem com a vida reserva as poucas horas restantes para engabelar “malemá” suas tarefas no trabalho e depois correm para a cerveja, a cachaça e os ensaios da escola de samba e para as filas das casas de diversão suburbanas, balançar funkeiramente o esqueleto, sem segurança e sem conforto. Ali, nesse processo, de violência, de bebida e exageros, morre muita gente pelo Brasil a fora todos os dias. Se somar por ano deve dar o mesmo montante que uma tragédia. Passa batido por ser a prestação. Quando uma muita boate de classe média pega fogo o mundo acorda. Sem falar no que também se morre por conta do alcoolismo. Mas a propaganda na TV e nos outros veículos reforça o consumo ao extremo. No carnaval então...É 100%.

    Temos leis de monte, mas ninguém leva a sério, quem tem que cumprir não cumpre, e quem tem que fazer cumprir diz que não tem efetivo nem recursos para controlar. Acaba que enquanto não acontece uma tragédia, tudo fica na conta do mesmo carnaval anual, onde a seriedade não pode dar as caras e quem reclama é chato.

    As igrejas cada dia mais cheias de irmãos, fiéis, sinagogas lotadas de religiosos, os terreiros de Umbanda batendo tambor, Candomblés matando galinha preta como um abatedouro, velas sendo acesas como se fosse um tsunami de fé e devoção, num ecumenismo colorido e festivo, onde mais se faz ritual e teurgia do que se transforma o ser humano ali engajado. Aliás, o ser humano está deixando de ser.... Parece uma boiada sem noção. Mas a fé tá lá para servir de tapa olho.

    No mundo corporativo, tome de palestra, curso, coaching, guru, mestrado, MBA, e por aí vai. A massa vive em curso, uma festa. Mas se você pegar essa gente toda e colocar para fazer uma prova de segundo grau não passa quase ninguém. E se for examinar o que as empresas gastam com esse esforço de compensar o despreparo, é um investimento que não rende.
    Sem falar no custo governo, que para os investidores e empreendedores, se torna um peso excessivo. Mas todo mundo finge que tá dando certo, que tá tudo bem, e não saímos do subdesenvolvimento real. Agora, vamos cruzar fevereiro com todos esses cordões engalanados, festejando, bebendo pulando e cantando, pois ninguém e de ferro e precisamos no mínimo de cinco dias de folia. Depois vem a Copa das Confederações, Natal e....Quatro dias para curtir as cinzas....
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    5 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Aqui se faz... no fórum.
    Um dia eu escrevi um texto aqui que se intitulava “Essa tal felicidade” e falava da nossa obrigação por buscar a felicidade, como condição indispensável para ter saúde, alegria, capacidade de atrair o bom e fabricar o melhor. Nele eu atestei que me achava um sujeito feliz, fazia um balanço, olhava o caminho percorrido e chegava à conclusão de que era muito feliz.
    Claro que no texto anterior eu falei também de todo o aprendizado, do processo de dificuldade, de frustrações, de doenças, perdas, até alcançar uma capacidade de perceber que a felicidade é um estado que fabricamos. Mesmo estando no meio das grandes batalhas, usamos para reverter dificuldades em alavanca e alcançar a alegria e a satisfação. Na época eu achei que escrever sobre isso poderia ajudar outras pessoas. E me libertava dos traumas que vivi. Foi muito bom. Foi nessa época que passei a focar com grande interesse o prazer. Como bom subversivo, eu encontro prazer em provocar mudanças.



    O pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Ricardo Monezi, afirmou que “a felicidade foi percebida durante muito tempo como “o quanto uma pessoa se sentia bem consigo mesma e com o mundo ao redor”. Hoje, sabe-se que a definição é ainda mais ampla, pois a felicidade é muito subjetiva. O conceito tem que ser adaptado de acordo com cada história de vida. A sensação de estar bem consigo mesmo varia de pessoa pra pessoa”. E é natural das pessoas buscarem o prazer como satisfação de suas vontades. Desde que não prejudique terceiros.
    Faço questão de reforçar. O mais importante de tudo é ter uma atitude que demonstre o interesse em ter felicidade. Quando agimos assim, produzimos uma reação química e física, o universo começa a reagir e nos favorecer no momento em que nos mobilizamos buscando nossa satisfação. E percebemos que a felicidade pode ser exercida de duas maneiras diferentes: como um prazer momentâneo a cada atitude, e também como uma maneira de ser diante da vida. Quem vê a felicidade como uma vontade que deve ser buscada diariamente, tem comprovadamente mais saúde. Apesar de a felicidade ser um conceito extremamente subjetivo enquanto ideia e exercício de comportamento humano, é um processo objetivo em seus efeitos no corpo e na mente. A felicidade é um estado que mexe com todos os sentidos. Ser feliz faz bem para a saúde, melhora o funcionamento do corpo humano. E um corpo com saúde está mais apto a desfrutar o prazer.



    É por isso que eu passei a ser mais brincalhão, mais descontraído, mais provocador, mais questionador, mais agitador, menos patrulhado, menos contido, menos reprimido. Pois entendi que vibrando de acordo com a minha natureza inquieta e dinâmica, seguindo os impulsos da minha hiperatividade, eu também sentia prazer em mexer com tudo e todos à minha volta, não para gerar desconforto, mas para gerar alegria, diversão, encantamento, interesse e prazer. A subversão entendida como processo de alavanca de mudança para melhor. Sabendo da minha natureza subversiva, aceitei com mais naturalidade que me sinto feliz quando estou trabalhando para estimular mudanças, transformações, evolução que gerem felicidade.



    Foi a partir desse ponto que decidi fazer as coisas que tenho que fazer para sobreviver, com foco naquilo que me dá prazer, sem me preocupar com as dificuldades naturais de cada processo. Aos poucos fui perdendo o medo de agir de forma mais autêntica, mais despojada, mais objetiva. Agora, cada passo que eu dou, está definitivamente encaixado num conjunto que sei fazer parte dessa viagem, onde a busca do prazer e da felicidade estejam sempre presentes. E a viagem passou a ter e fazer sentido.



    Buscar a felicidade começa no que temos de mais importante que é o amor de quem nos ama e quer bem. Socialmente, refazer ligações com amigos e também provar do prazer de conviver com eles, não só nas redes sociais, mas também presencialmente é uma forma de cultivar prazer. E com isso, senti brotar em meu interior uma nova energia, uma força que confia, sugerindo que é bom seguir no caminho de fabrico da felicidade.



    Foi por isso que decidi escrever meu texto sob este título: “Aqui se faz...” Sim, lembra um ditado, mas que eu entendo terminar de forma diferente. “Aqui se tem”. Cada um que aplique como gostar. Eu agora tenho certeza de que ao fazer, ao buscar, ao ser, também provocamos aquele efeito borboleta que ajuda e mudar as coisas e podemos com isso desfrutar do prazer. Prazer de fazer. Em uma época onde o indivíduo, está mais voltado para o seu umbigo, sua satisfação individual, com a perda dos valores ideológicos que idealizavam resultados mais coletivos, acredito que é coerente a busca da felicidade e do prazer pessoal. Sou um criativo, vivo de ideais, de apontar soluções, de criar enredos, histórias, romances, roteiros, filmes, textos e peças de comunicação. Com isso, realizo o processo de fazer e plantar minha visão onde alcanço prazer de interferir no pensar, no sentir, no emocional de cada um. É a minha busca do sonho de ser subversivo com prazer, pois a tal de felicidade é fundamental.
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    5 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Agora é o fim! no fórum.
    Não acabou o mundo. Lamentavelmente, ao meu entender, perdeu-se uma ótima oportunidade de livrar o universo desta praga chamada de humanidade. Sei que muitos dirão que eu estou sendo pessimista, e sem esperança no ser humano.
    Mas todas as provas, ou a grande maioria delas indica que esse ser realmente é daninho, danoso, maldoso, cruel, sem consciência, egoísta, mesquinho, e muito mais coisas ruins...
    Claro que existem exceções. Algumas, como Jesus, Gandhi, Maomé, Budha, Madre Tereza, e mais uns poucos, não se enquadram, mas a história tem provado que são totalmente exceções. Casos raríssimos que mesmo dando o exemplo e sendo cultuados, como santos, não chegam a modificar a natureza cruel dessa espécie. O ser humano é um animal racional ruim, mau, cruel, sórdido, egoísta, sem escrúpulos, e sem o menor grau de consciência. Uns mais, outros menos, mas poucos estão a salvo desse enquadramento.



    Basta olhar em volta. Agora fica fácil, pois perto do fim, fazem as retrospectivas. A gente coloca na balança o lado bom e o lado ruim. E o lado ruim ganha longe do bom.



    Sem falar naqueles casos crônicos de ódio entre humanos, que no Oriente Médio, Palestina, Israel, Faixa de Gaza, África, são levados ao extremo. Será que podemos considerar Hitler muito pior diante do que fazem os Judeus hoje contra os Palestinos?



    Aí, olhando a lista das coisas que fiz na minha última Anarquisca, reparei que daquela data para cá, o quadro até piorou.
    As campanhas de bebida alcoólica continuam alimentando de verbas a TV, a fantasia e o desejo de vício das pessoas, e mais gente jovem se torna alcoólatra. Milhões de dependentes desse vício lícito. Isso não é nocivo?
    Fazem campanhas para o desarmamento. Mas as armas nunca matam ninguém. Quem mata são as pessoas. Que usam armas do mesmo modo que usam carros enquanto estão cheias de bebida.



    Aí, endureceram a Lei Seca, e isso nos mostra que os FDP irresponsáveis que são pegos nas Blitz, gente que se diz normal, é uma pequena parcela dos que bebem e dirigem como verdadeiros criminosos em potencial, e não são tratados do mesmo modo que uma pessoa do bem que for pega portando uma arma. Isso é ou não é hipocrisia e cumplicidade de todos?



    Só porque uma sociedade como a Americana que produz centenas de filmes e seriados de TV onde se pratica a arte de matar com todo o requinte, criando nos jovens essa vontade latente, de disparar e matar, enfrenta de vez em quando uma loucura de um desses jovens que se desajusta mais um pouco e mata um punhado, começam novamente as campanhas para desarmar as pessoas. Mas e os filmes, não seriam eles muito mais danosos do que as armas?

    Eu aceitaria qualquer campanha de desarmamento, se houvesse a eliminação total das campanhas que estimulam o consumo de bebidas alcoólicas. E todos os filmes que retratam a violência gratuita e doentia. Fazendo nascer nas pessoas a vontade de vingança, de descontar suas angústias, as frustrações de tanta desigualdade.



    Todo mundo fala que o homem precisa cuidar do meio-ambiente, mas ninguém encabeça as campanhas contra o uso da energia atômica, uma energia suja, que deixa um lixo muito nefasto.
    As engrenagens da sociedade de consumo estão voltadas para o aumento do consumo, da geração de mais lixo, de mais uso de recursos não renováveis, no aumento da exploração do petróleo e seus derivados, e pouco se investe em outras formas alternativas, menos poluentes, menos danosas.



    A humanidade quer desfrutar de mais conforto, de mais riqueza, de mais produtos descartáveis, sem pensar que é isso que provoca os piores problemas ambientais. Agora, quando o governo Francês resolve aumentar impostos sobre os mais ricos, alguns se mudam para paraísos fiscais, pegando asilo outros países, como é o caso emblemático do ator Gerard Depardieu. Pode um exemplo de egoísmo como esse? Será que o imposto o deixaria muito menos rico? Que ganância é essa, se ele pode contribuir com uma economia em dificuldade?
    Aqui no Brasil nós pagamos muito imposto em troca de nada, nada recebemos do Governo que gasta mal, desvia os fundos, favorece seus apoiadores, e ninguém reclama. Fazem o que bem entendem. Dá para respeitar essa gente?
    Essa humanidade não merece a minha consideração. Não que eu seja bom, nem muito diferente, mas tenho a coragem e a clareza de bradar contra essa mentira deslavada que o homem vende para os demais, apenas para fingir que tudo vai melhorar. O final do ano chegou, mas o final do mundo ainda demora um pouco.
    Agora que chegamos ao final, do ano, e mais perto do final do poço, eu digo que não tenho um botão vermelho para apertar, dando início ao colapso total, mas confesso que se tivesse, estaria tentado a apertar, e não teria muita consideração com a escória humana que habita esse planeta. Só para defender o resto do sistema solar.
    Faria esse ato sem muito dó ou pesar. Como talvez tenha pensado em fazer um jovem desesperado nos E.U.A., desiludido, desequilibrado pela clareza de ver como o ser humano é tosco, cruel e imperfeito, que pegou umas armas e foi para uma escola atirar em gente. Afinal, ele na sua loucura redentora identificou que gente é um mal a ser eliminado.
    Ninguém é melhor do que ele, apenas menos programado, menos corajoso, menos lúcido na sua demência saneadora.
    Eu também, não sou tão “pouco louco”, sou muito mais, pois só apertaria o botão se tivesse a certeza de não restaria ninguém mais para contaminar o resto do universo


    Não vou salvar a humanidade nem o planeta. Mas serve este para tentar abalar um pouco alguns dos que talvez leiam este meu desabafo!
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    6 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Mais uma vez o Papai Noel no fórum.
    Todo ano parece que é a mesma coisa. O mundo finge que esquece suas mazelas, as pessoas deixam suas crueldades cotidianas, para “vestir” a fantasia do natal, aquele enganador espírito natalino que faz as gentes se sentirem na obrigação de demonstrar generosidade e gratidão.



    Ao mesmo tempo, bate aquela tentação incontrolável de comprar, consumir, já que foi para isso que foram investidos os bilhões de recursos no marketing e na propaganda do dia do Papai Noel, de ação de graças, do dia da família, ou, seja lá como for que chamam a celebração do 25 de dezembro.



    No passado eu sofria por ter que criar campanhas, estimulando essa loucura consumista, vendendo ou ajudando a vender essa mentira de que no natal todo mundo se enche de amor pra dar.
    Hoje, vejo a lufa-lufa das lojas, a pressão social dos grupos procurando presentes para trocar, fazendo listas de amigo oculto, e me sinto meio extraterrestre nesse ambiente.



    Tudo bem que é uma época para fazermos um balanço de nossas atividades ao longo do ano, verificar se melhoramos como pessoas, reunir parentes, confraternizar, geralmente preparando uma comida gostosa, ou mais de uma, para aproveitar esse momento de fecho anual. Isso deveria ser a grande prioridade. Mas, tudo indica que não é...



    O que fica mais evidente é que podemos observar uma contradição incrível entre as propagandas que passam na TV e as notícias que passam nos telejornais e reportagens.
    Eu listei algumas só para ter noção.
    Quadro Nacional:
    - Acidentes no trânsito aumentam com vítimas fatais;
    - Filas intermináveis nos hospitais sem condições de atendimento;
    - Enchentes e gente desabrigada em algumas cidades castigadas pela chuva; Em outras, os desabrigados estão ali desde o natal passado.
    - Guerra suja e mantida sem esclarecimento entre bandidos e polícia mata mais do que guerra civil em São Paulo; E e outras cidades ocorre o mesmo.
    - Economia brasileira dá sinais graves de anemia, e o governo não sabe mais como esconder essa crise;
    - Na política o Julgamento do Mensalão não foi suficiente para remover a corrupção do poder e a Polícia Federal consegue revelar mais falcatruas que o poder permitiu;
    No Quadro Internacional:
    Israel está investindo e construindo mais na Faixa de Gaza, e confirmando que não está disposto a facilitar para que a Paz realmente aconteça na região;
    - China e Japão disfarçam conflitos no mar, enquanto Coréia finge que não está fazendo tudo para provocar... Tudo indica que ali haverá outro foco de conflitos;
    - Na África, as mazelas aumentam em Países muito pobres, independentemente de uma aparente mudança no curso da história, e torna-se visível a formação de classes dominantes que se tornam poderosas economicamente sobre a miséria da população cada dia mais castigada;
    - Na Rússia a coisa ficou definitivamente russa! Entre a máfia e a força dos militares, nada fica claro ali. Dá até medo pensar no que estarão metidos;
    Nos E.U.A. parece que o sonho americano que Obama vendeu está demorando para ser declarado um verdadeiro pesadelo, mas a alternativa que havia ainda era pior! Uma hora a casa ainda cai;
    Na Europa, malabarismos e negociações tentam adiar a falência definitiva dos já falidos, justamente para que a engrenagem se mantenha operante, mas parece que vai faltar metal para essa máquina;



    Mas o ano chega ao fim e ninguém quer fazer o balanço da situação estragar a festa.
    A despeito disso tudo, o mundo continua correndo o risco nas mãos de uma humanidade que diz uma coisa e faz outra, acumula lixo atômico, contaminam nascentes, abusa de recursos naturais, queima vegetação, desmata, desertifica, joga lixo em excesso, consome sem necessidade, bebe álcool em demasia e dirige sem respeito à vida, agridem e abusam de animais, torturam e matam crianças...



    Esse é o homem bom que acredita em Espírito do Natal.
    Mas eu aposto que a grande maioria vai fingir que nada disto é real, e vai continuar a fazer as mesmas besteiras, vendendo essa mentira de se acreditar em Papai Noel.
    COM_KUNENA_READMORE
    7 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Podres Poderes no fórum.
    Eu estava quieto. Não queria mais mexer em lixo. Mas esta manhã um amigo me mandou um e-mail com um link, para que eu lesse o artigo: Jornalismo macabro: escondendo os cadáveres que não interessam com aqueles que interessam | Reinaldo Azevedo. Na Veja. (link no final)
    Fui ler. O assunto é a onda de mortes violentas em São Paulo nos últimos meses. E não só em São Paulo, mas em todo o Brasil. E comecei a pensar....



    Achei engraçado como são as coisas da informação/notícia: Se por um lado, o texto parece "corrigir" a leitura do que acontece em SP, mostrando, que não é o terrorismo que a imprensa está tentando passar, por outro lado, mais uma vez identifico que quem escreve na VEJA, quase sempre tem o foco de defender os interesses políticos da oposição ao PT, ou seja, enquanto o governo de SP e a Prefeitura não são do PT, não se pode atacar ou deixar que ataquem e denigrem a administração estadual e municipal. E o Azevedo aproveita para nos mostrar que onde existe a administração petista, no caso o Nacional ou Federal, o problema aumentou. Não é ENGRAÇADO?

    O artigo do Azevedo é muito bem escrito, esclarecedor, bem fundamentado. Não estou defendendo o PT, muito menos dizendo que a matéria não seja muito boa e esclarecedora, ao mostrar que SP é MENOS PIOR que no resto do BRASIL, especialmente quando expõe dados e estatísticas que as demais reportagens não fazem.

    MAS, fico analisando que não deixa de ter seu FOCO interesseiro, seu aspecto de DEFESA do grupo que está no poder, sem tocar no problema que é uma grande e dolorosa verdade:

    1 - aumento considerável de mortes violentas por armas de fogo no País, especialmente em São Paulo nos últimos meses;

    2 - aumento da violência no confronto aberto entre forças policiais, para-policiais, milicianos, grupos de extermínio, crime organizado, etc.... Isso sim deve ser visto como um sinal claro de que está sendo movida UMA GUERRA, e nós não sabemos o que está por trás disso, se é somente os interesses do narcotráfico, ou se existe também a mão dos interesses do sistema, criando seus mecanismos de terrorismo, para obter alguma vantagem no tabuleiro. O que é verdade é que morre mais gente que em muitas guerras pelo mundo.

    3 - O sistema prisional brasileiro, completamente superlotado e falido, além de não conseguir comportar a quantidade de gente que entra, não faz mais a sua função de recuperar quem quer que seja, pelo contrário, transformou-se numa grande escola de violência e crimes. Mas nenhuma solução é desenvolvida. E ainda temos que pagar ajuda de bolsa presidiário.

    O que eu não gostei no artigo, é que ele poderia fazer esse tipo de conclusão que eu fiz, para mostrar, que independentemente de quem está no poder, há décadas, nenhuma das facções partidárias governantes, está fazendo o que deveria, o dinheiro do povo é gasto aos montes, mas o problema fica cada vez pior. E para os cidadãos de bem, que pagam seus impostos, a segurança está cada dia ficando menor, com o aumento dessa violência que não se consegue encontrar a origem real. Alguma coisa está muito mal explicada. E seu Azevedo não explica.

    Enquanto isso, o mundo está ficando muito mais alienado, cheio de falsos discursos, muito bonito nas declarações de todos que fazem discurso, mas horrível nas atitudes reais, e no que vemos acontecer. De Belo Monte, passando por questões de terras indígenas até descambar na calamidade da educação. Os governos não governam como deveriam e prometeram. Os governantes enriquecem e o problema aumenta.

    Eu fiz um apanhado das plataformas eleitorais mais recentes e verifiquei o que está acontecendo na prática. Todos os políticos, sem exceção, prometeram em várias eleições que tomariam medidas para as seguintes áreas:

    Educação, Saúde, Saneamento, Habitação, Transportes, Segurança, não necessariamente nesta ordem.

    Estes seis itens deveriam já apresentar grandes soluções e melhorias na maior parte dos municípios do País, afinal, já se passaram quase vinte e dois anos desde a eleição do Collor de Melo para a presidência. O que será me mudou de verdade para as pessoas em duas décadas?

    Eu desafio que me indiquem aqui o que foi feito de fato para uma melhoria substancial na realidade deplorável em que se encontra a grande maioria das estruturas municipais nestas áreas. Independente do partido, todas as prefeituras não conseguem corrigir seus males, e no caso da segurança, das drogas, e do crime organizado, o que posso perceber é que o lixo chegou até nos parlamentares, como provou o julgamento do chamado mensalão.

    Estava assistindo os noticiários desta semana. Fiquei admirado como ainda existe uma grande situação de impunidade, a despeito de alguns locais onde o Ministério Público tenta pressionar para que ajam mais transformações. Apenas um julgamento público do Supremo, deu a sensação de que o País vai ser passado a limpo. Será?

    O pior é assistir os velhos políticos sendo reeleitos seguidamente, mostrando que o povo está cúmplice dessa corja. E pelo jeito, continuamos na mão de bandidos.
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    7 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico A liberdade do Pênis no fórum.
    Passou outubro e com ele a famosa e disputada época das eleições. Agora voltamos ao Fuck Fuck de todos os dias, com os governantes que escolhemos.



    Por isso, o tema se coloca importante.
    Em uma das minhas Anarquiscas de 2007, intitulada “Tendências do ânus”, escrevi sobre minha constatação da enorme quantidade de vídeos e material de sexo explícito que proliferava na internet, refletindo uma tendência de maior interesse das pessoas por uma prática sexual digamos menos convencional, indicando maior procura pelas passagens das traseiras do que pelas dianteiras na invasão dos territórios do prazer.
    Na época eu não estava preocupado com a opção sexual das pessoas, nem com a atenção dada ao exagero dos volumes, tamanhos e invasões aberrantes que apareciam nos vídeos. O que me intrigava era o marcante interesse das pessoas por esse tipo de material, e, por consequência direta, pela prática de sexo pelo buraco lá de baixo, comum em homens e mulheres. E sendo utilizado para o prazer por homens e mulheres, diga-se de passagem. Estava identificando um “movimento” na sociedade, que ficava mais explícito com o passar do tempo e a maior circulação de informações. Na época, eu achava que o irmão menos glamourizado da vagina e do pênis, merecia ser agraciado com um artigo que lhe destacasse o interesse que estava ganhando perante a sociedade. Afinal, ele também é um protagonista importante na história sexual da humanidade. Que o digam Napoleão e Calígula, sem falar de últimos tangos em Paris e outras cidades onde o “Bunga Bunga” sempre esteve presente.



    Deixo bem claro aqui que a minha preocupação não foi moralista, nem tentou expressar nenhum tipo de preconceito pelos amantes do sexo anal. A minha preocupação ao escrever tal artigo, foi chamar a atenção para a tendência apontada, já refletindo indícios que vivíamos a era de ouro do ânus. Na verdade, o “litle hole” nunca saiu do cardápio desde a Grécia antiga, mas aparecia no terceiro milênio com mais relevância e presença marcante em acontecimentos significativos no cenário de banalidades e futilidades ocupando a atenção da nossa mídia mais vista e ouvida. Um indício de que esse tal de irmão emergente dos anais das nádegas estava mesmo se assumindo como foco do interesse das grandes massas de aficionados por suas delícias é a massiva presença nas paradas gay que se tornaram um evento cada vez mais apoteótico e mobilizador, onde o tal do brioche agita, pisca, se inflama, reivindica, se encanta, se apaixona, se irmana e se entrega, perdidamente devasso aos delírios da generosidade, da tentação e do pecado.



    Claro que defendo sempre a luta contra a discriminação e o preconceito de gênero e de opção sexual. Eu estava apenas apontando mais um indício revelador de tendências.
    Agora, aproveito para comentar que ao mesmo tempo em que vivemos ares de liberação, tenho percebido uma permanência bem anacrônica da maioria dos programas de fofocas e da atenção dos paparazzi. Uma caretice antiga, puritana e sem noção, de ficar dando notícia de “quem beijou quem” na noite ou na praia, qual celebridade deixou a calcinha em casa ntes de sair para a balada, qual foi o peitinho que se pronunciou no decote, quais as roupas de maior transparência no SPFW, se as modelos usam calcinha ou tapa sexo. É realmente a prova de que o povo é careta e preconceituoso, e a mídia reforça isso!
    Paradoxo, a sociedade fica liberal e mais repressiva. Se por um lado, tem mais liberdade e menos repressão, vejo muito puritanismo saltando aos olhos das pessoas. É uma contradição.



    Na internet, todo dia, podemos ver fotos de praias, européias e brasileiras, com gente nua, tomando seu banho de mar e de sol, sem a necessidade pudica de se tapar com roupas. Em algumas delas até a prática do sexo é livre, ninguém se chateia ou se preocupa com isso.
    Mas, hoje, quando a liberdade da vagina, e a majoritária majestade do ânus, imperam, tem gente querendo impedir a liberdade do pênis.



    Recentemente, uma exposição no Leopold Museum de Viena, dedicada ao homem nu, gerou protestos e revoltas de inúmeras pessoas que não gostavam de ver a figura humana masculina com seu aparelho sexual exposto.



    A "Naked Men" (Homens Nus) tem representações do nu masculino desde o ano de 1800 até os dias de hoje. A exposição conta com 300 obras, muitas de artistas importantes, como Paul Cézanne e Joseph-Desire Court. É pau para dar e vender! Mas, muita gente não gostou da história, principalmente das imagens das obras expostas fora do museu e do cartaz de divulgação da mostra, que foram rejeitados pela população local. Por conta disso, os organizadores tiveram que censurar as imagens, cobrindo as partes íntimas dos homens retratados.



    Convenhamos que isso é um contrassenso, inclusive na Europa, onde as praias estão repletas de pessoas sem roupa, homens e mulheres. E publicamente. O que intriga, é que a genitália feminina pode ser vista e mostrada, de diversas formas, exaltada, enaltecida, recebendo cuidados de cortes de cabelo e moda fashion, mas a genitália masculina não. Essa é tabu e não pode ser exibida. Na TV a cabo, nos programas para adultos, como sexy time e muitos similares, vemos as mulheres nuas, as cenas de sexo, “quase explícito”, mas jamais aparece um pênis sequer, chegando ao cúmulo de em algumas situações, aparecer a famosa tarja colorida escondendo o dito cujo. É impressionante. Eu sou homem, prefiro ver mulheres nuas a homens, mas imagino que as mulheres e boa parte dos gays e bissexuais gostariam de ver o equivalente nos atores masculinos. Alguém, especialmente quem filma, talvez por uma imposição do mercado, trata de ocultar as cenas mais explícitas, o que torna os filmes uma coisa meio patética, forçada, sem realismo. Acho brochante.



    Paralelamente, em tempos de sucesso de livros como a trilogia sadomasoquista “50 tons de cinza” que provocaram um aumento considerável nas vendas de artefatos eróticos nas lojas de sex-shop, a ponto de receber uma reportagem especial na edição da Veja SP, tudo indica que o campeão das vendas são os “pênis” artificiais, com e sem vibradores e seus similares. E, pasmem, novamente podemos verificar que sua majestade, o ânus, volta a comandar a festa. Enquanto os costumes mudam, as pessoas deixam seus buracos e volumes cada vez mais liberais, mais livres e sem restrições, para que possam descobrir escondido o que muita gente está dando sinal escancarado de que está aproveitando tudo o que pode.



    Agora, aumentou também nas estatísticas a venda do artifício que é chamado de “strap on” ou seja, aquela cinta ou calcinha que a mulher coloca para encaixar um pênis artificial. A liberdade do pênis no novo universo sexual liberado dos casais, que tentam reaquecer suas relações, orientados por palestrantes bem sucedidas, indica que a mulher prende um falo de ciberskin na sua virilha e vai exercitar o seu sonho de “falus fantasy” praticando a inversão em seus parceiros, que também estão mais ousados e descobrindo que podem ter duas vias de prazer, explorando as delícias do brioche. É... Acreditem! Por isso tem tanta travesti ficando rica no cenário da venda de sexo. Vocês não imaginam o que a gente fica sabendo ao entrevistar uma atendente de sex shop.



    A moça que me tentava vender cada aparelho que mais parecia arma de filme de ficção científica, não acreditou que eu estava apenas fazendo uma pesquisa para o meu artigo. Ela relatava entusiasmada o funcionamento de cada um dos modelos e dos prazeres que pode proporcionar. Ela disse que quando as mulheres perceberam que estavam perdendo seus parceiros para os travestis, resolveram virar a situação, literalmente. Quando perguntei se ela havia provado todos os artefatos, ela me olhou por alguns instantes e talvez vendo confiabilidade nos 50 tons de cinza dos meus cabelos brancos disse em tom de confidência: “Quase todos, mas não são todos os namorados que gostam, só os mais descolados”.
    Portanto, amigos, se preparem, sob a regência de sua majestade o ânus, e do jeito que as vendas de livros e artigo eróticos apresentam grande ascensão, teremos em breve uma era de “liberdade do pênis”, até porque, na sociedade cada dia mais liberada e sedenta de prazeres, um não faz muito sucesso sem o outro. E possivelmente um novo best seller se anuncia: “Pau no Coelho”. Agora entendo o motivo dos vibradores mais completos em exposição terem como estimulador clitoriano a figura de um rabbit. Fala sério!



    Para encerrar, considerando os resultados das urnas, acho que o povo anda mesmo adorando um “falo”.
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    8 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Setembro Negro e collorido no fórum.
    O título remete a uma organização palestina e também a um momento histórico. E o collorido veremos adiante. Mas tudo isso tem certa conexão.
    Setembro Negro está relacionado ao mês de setembro de 1970, quando o exército jordaniano atacou as organizações guerrilheiras da OLP, baseadas na Jordânia, visando expulsá-las do país. Os refugiados palestinos tiveram que emigrar em Massa. Nos dez dias do chamado Setembro Negro as estimativas variam de 3.000 a mais de 10.000 mortos. No Cairo, o programa radiofônico A Voz dos Árabes considerou ter havido genocídio.



    A Organização Setembro Negro foi um grupo militante palestino, fundado em 1970. O nome do grupo decorre dos conflitos citados acima, quando o exército da Jordânia atacou os militantes da OLP em 1970. O Setembro Negro é muito conhecido pelo sequestro e assassinato de onze atletas israelenses, e pelo assassinato de um agente policial alemão, durante o ataque à Vila Olímpica dos Jogos Olímpicos de Munique na Alemanha, em 1972, fato que ficou conhecido como o Massacre de Munique e que completou agora 40 anos.



    O “collorido” deve-se a uma série de fatos com referência a cores e tonalidades diferentes. O primeiro é o fato de se comemorar vinte anos do impeachment do ex-presidente Collor de Mello, e do surgimento do movimento dos “Caras Pintadas” que foram às ruas para um “Fora Collor” que reforçou a decisão tomada de forçar a sua saída.
    Também cheio de cores, especialmente em função da identidade dos partidos, está o trabalho de fazer as campanhas municipais dos candidatos decolarem, com todos os matizes de um colorido oportunista, que procura convencer os eleitores de que o que se apresenta é novo, renovador, e prenúncio de um novo tempo para as cidades brasileiras. É discutível, duvidável diante de uma análise superficial de todos os candidatos, a maioria remanescente de velhos tempos de mesmice, e, pior ainda, frustrante ao revelar a dificuldade deles em propor algo realmente diferente das antigas promessas repetidas e jamais cumpridas em todas as eleições.



    Mas, nem só de cores variadas se faz o panorama do mês de setembro neste País. Chega alavancado por um grande sucesso de vendas internacional a trilogia “dos famosos cinquenta tons de Cinza”. Fenômeno editorial que representa 25% do mercado americano de ficção adulta, a trilogia se tornou um fenômeno mundial e tem dado mais lucros que o esperado. Nos Estados Unidos, a narrativa do thriller romântico somou mais de 10 milhões de cópias comercializadas em seis semanas, número que faz da série um dos maiores best-sellers de todos os tempos. A inglesa E. L. James — uma ex-executiva da TV londrina, é mãe de dois filhos adolescentes e foi recentemente eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. Os livros Cinquenta tons de cinza, Cinquenta tons mais escuros e Cinquenta tons de liberdade serão adaptados para o cinema pela Focus Features, da Universal Pictures — os direitos foram comprados por um valor recorde de US$ 5 milhões. A apimentada trilogia narra a relação entre uma recatada jovem de 22 anos, recém-saída da universidade, e um enigmático e atormentado empresário. Estimulada a desafiar seus limites e preconceitos, Anastasia Steele contrapõe a irresistível atração que sente por Christian Grey — um bilionário muito charmoso, brilhante e, ao mesmo tempo, intimidante — às singulares exigências sexuais que ele impõe, a começar por um contrato assinado que permite a Grey o controle completo de sua vida.



    Trocando em miúdos, temos aqui claro como o branco, e gritante como o preto, um fenômeno que atesta a contradição permanente de uma sociedade repleta de preconceitos, de moralismo, que liberada pela publicação no circuito comercial convencional e pelo sucesso de vendas dessas obras, se entrega a ler e fantasiar as parafilias sexuais que a autora transporta dos folhetins eróticos para a condição de literatura reconhecida pelo status quo. A maioria dos sex shops quando pesquisados atestam que após o sucesso comercial do livro aumentou substancialmente a procura pelos artefatos eróticos citados nas dominações dos livros. E alguns hotéis trocaram a famosa bíblia dos quartos por um dos livros. O que nos faz imaginar que entre quatro paredes o Cristo no crucifixo deve retirar as mãos dos pregos e tapar os olhos, diante da nova onda de licenciosidade erótica de reaquecimento sexual nos amantes. Que diante das famílias desfilam como guardiões da moral e dos bons costumes.



    Mas setembro estava mais para negro mesmo. Por preconceito o ponto máximo que se atingiu, foi a censura do Facebook que retirou um cartum onde aparecia a Virgem Maria com seios de fora. Um desenho inocente e sem nenhuma conotação erótica ou sexual.
    E nas cores da primavera florida que chegou com ondas cinzentas de frio e chuva, a economia completou um quadro de profundas contradições, quando vemos de um lado o Banco Central tentando enfrentar uma ameaça de inflação que vai voltando, e o Governo tentando estimular medidas de apoio ao crescimento da economia, responsável nos últimos anos por uma nítida ascensão social e econômica de uma baixa classe média que emerge nessa fase de maior estabilidade economica nos últimos 10 anos.
    Na ponta mais obscura desse setembro negro, cinzento e colorido, a chamada crise econômica europeia permanece cada dia mais complexa, demonstrando que o que fazem, mesmo com medidas de socorro e crédito, não é suficiente para salvar um processo cujos hábitos, vícios e deformações se desenvolveram por muitos anos e já se tornaram crônicos.
    Mas, nem só de cores é feito o panorama de setembro. No meio do túnel escuro que é o complexo processo do julgamento do chamado “Mensalão”, o STF nos mostra o que ficava oculto sob o tapete do desconhecimento, as contradições, as lutas intestinas, as ferrenhas brigas pelo poder dentro da instituição, onde alguns Juízes extrapolam a lisura que deve ter sua posição, e diante de todos, entram em conflito, expondo suas próprias humanas veleidades, vaidades, orgulhos e interesses, usando como palco o julgamento inédito que se exibe para a sociedade. As transmissões nos revelam negros e brancos do alto de seu poder togado, entrando em confronto diante das câmeras, e revelando que não estão ainda isentos de suas humanas fraquezas. Mas, o pior é que a luz no final do túnel ainda não está visível embora já tenham ocorrido condenações.
    Ao final do mês, na Assembleia Geral das Nações Unidas, tivemos a prova dos contrastes que ainda se apresentam no tabuleiro das nações. Os principais confrontos que há décadas são os maiores responsáveis pelos conflitos entre os povos, não mostraram sinas de evolução, e tanto o meio-ambiente, como as grandes massas de desvalidos nos países pobres, continuam a valer menos do que os interesses gananciosos de poder, riqueza e hegemonia das grandes potências. Ou seja, a O.N.U. é mais uma das emblemáticas provas de que o ser humano é mesmo egoísta, preconceituoso, interesseiro, maldoso e falso. E milhares de anos de religiões e credos não foram capazes de provocar uma mudança nesse ser humano imperfeito e mau.



    Para piorar os tons desse panorama, um vídeo amador muito mal intencionado, de origem escusa, e autoria ainda mais obscura, (a despeito de terem capturado um pretendo autor) provocou um estrago que causou turbulência e revolta em todo o mundo islâmico. Com agressões, mortes de diplomatas, e muita violência nas ruas. Como sabemos que nada disso acontece por acaso, e que em plena campanha presidencial, os Estados Unidos da América são o foco central dessa revolta, levando de quebra Israel como seu aliado incondicional, eu confesso que não acredito que esse vídeo tenha sido distribuído por acaso, e muito menos as revoltas que se seguiram foram apenas manifestações espontâneas. Mais uma vez vejo a mão de agentes subversivos plantando bombas de efeito social e político. É significativo, quando sai a notícia de que mais de 22 mil norte-americanos já morreram no conflito do Afeganistão.



    Mas o mês ainda tinha um tom totalmente escuro para se encerrar. A morte, vestida de preto e com uma mão fatídica, veio buscar uma das mulheres mais marcantes e queridas da televisão brasileira. A morte fez o setembro ficar mais negro quando apanhou Hebe Camargo numa madrugada fria de sábado em São Paulo, deixando surpresos, tristes, deprimidos e assustados amigos, parentes e uma legião de admiradores e fãs da apresentadora e cantora.
    Mas a sombra negra da morte ainda teria a missão de tornar o último dia do mês ainda mais escuro. Por ironia o luto veio apagar o Dourado. O escritor romancista mineiro Autran Dourado, faleceu no Rio de Janeiro aos 86 anos. O autor de "Ópera dos Mortos" (1967), morreu na manhã de 30 de setembro, em sua casa, em Botafogo, zona sul do Rio, vítima de uma hemorragia estomacal.
    Com notícias tão duras e nuvens tão carregadas, eu não tenho mais como colorir o cenário. E setembro fechou negro.
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    9 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico O problema do "TALVEZ" no fórum.
    Amigos leitores deste fórum livre. Trago aqui um artigo de um grande amigo, o conhecido e reverenciado escritor moçambicano MIA COUTO, por entender que tem tudo a ver com muito do que vivemos hoje em nosso País. Acredito que será uma leitura interessante e muito incômoda para muitos que sabem do que estamos falando.

    O "May be man"
    Por Mia Couto
    Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o "May be man". E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar.
    O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Sim¬plesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio.
    A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may be not”. Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior.
    Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniên¬cia. Mas o May be man não é exactamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideolo¬gia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”. Há quem lhe chame de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma na¬ção muito gaseificada.
    Governar não é, como muitos pensam, tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man, uma oportunidade de negócios. De “business”, como convém hoje, dizer. Curiosamente, o “talvezeiro” é um veemente crítico da corrupção. Mas apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima, patriótica e enqua¬dra-se no combate contra a pobreza.
    Mas a corrupção, em Moçambique, tem uma dificuldade: o corrup¬tor não sabe exactamente a quem subornar. Devia haver um manual, com organograma orientador. Ou como se diz em workshopês: os guidelines. Para evitar que o suborno seja improdutivo. Afinal, o May be man é mais cauteloso que o andar do camaleão: aguarda pela opi¬nião do chefe, mais ainda pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz nem verde para ninguém.
    O May be man entendeu mal a máxima cristã de “amar o próximo”. Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois, vendeu-a ao portu¬guês, ao indiano. E está agora a vender ao chinês, que ele imagina ser o “próximo”. É por isso que, para a lógica do “talvezeiro” é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido personagem.
    O May be man descobriu uma área mais rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa parábola mais recen¬te: o não deixar. Há investimento à vista? Ele complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a papelada. Numa palavra, o May be man actua como polícia de trânsito corrup¬to: em nome da lei, assalta o cidadão.
    Eis a sua filosofia: a melhor maneira de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele e sai dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do chefe. E, à cau¬tela, os do chefe do chefe.
    O May be man aprendeu a prudência de não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos. Agradar ao dirigen¬te: esse é o principal currículo. Afinal, o May be man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo. Podem no¬meá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército, saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a ignorância absoluta pode conferir.
    Apresentei, sem necessidade o May be man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles, do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas. Uma for¬tuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo rico, deitaria assim tanto dinheiro para o vazio.
    O May be Man é utilíssimo no país do talvez e na economia do faz-de- conta. Para um país a sério não serve.

    Publicado no “O PAÍS” – 00.11.2010
    N.B. Este artigo continua a ser actual.
    Extraído de: www.opais.co.mz/index.php/opiniao/126-mi...49-o-may-be-man.html
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    9 meses atrás
  • Nilsa Alarcon e {target} são amigos agora
    10 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Agosto do freguês no fórum.

    Gente. Precisamos tomar muito cuidado. Acabando Agosto. Daqui pra frente, um momento de bobeira, pode ser fatal. Recordo-me dessa frase na letra da música do amigo Toninho Café(*), gravada em seu disco de 1977. Nos anos 70 gravávamos discos, os famosos bolachões pretos, com o cuidado de fazer obras que disputavam um público muito exigente, que queria arranjos elaborados, letras significativas e de poesia bem trabalhada, onde a arte ocupava um lugar importante no posicionamento ideológico do artista. Parecia que nosso povo queria e iria exigir uma nova era. De lá pra cá, qualquer Tchu, tcha, tchá, faz muito sucesso enquanto a alienação vai tomando conta de corações e mentes. Mas não é sobre isso que eu desejo falar. É algo muito mais urgente.
    Trago para este espaço a preocupação de que a partir deste mês, iniciadas as campanhas eleitorais em cada município, está em jogo a escolha dos que teremos em termos de administração em nossas cidades nos próximos anos. Mas o pior é que tudo que eu vejo em termos de declarações, atitudes, anúncios, cartazes, das campanhas, e dos candidatos, na maioria dos candidatos, me sugere um gosto enjoado de um pudim apodrecido, que repete tudo que já vimos antes. Dá-me enjoo e náuseas e acaba com a minha esperança de algo diferente.



    Os discursos este ano, eivados de chavões como: “Um tempo novo”, “Esperança de um novo tempo”, “Tempo de mudança”, “Tempo de renovação” parecem bem antigos – são quase tragicômicos para não dizer “inescrupulosos”.




    É vergonhoso que nossa sociedade aceita isso, como se fosse um pacto, eles fingem que vão ser diferentes, e os eleitores fingem que acreditam. Votam, cumprem a função cívica, e pronto. Que se dane, não parece ser responsabilidade de ninguém, menos ainda da maioria.



    Acontece que... Olhando o cenário total, estamos vendo algumas pistas bem nítidas de que haverá um momento onde as atenções ficam completamente embaralhadas, enquanto assistem um grande teatro da aparente farsa de um julgamento onde os possíveis réus do falado “mensalão” terão seu momento de aparente justiça, apaziguando aos iludidos, condenando uns poucos já marcados para carregar a carga pesada, enquanto os grandes ficarão ilibados e legalmente absolvidos por esse grande teatro, com a Suprema Corte fazendo o seu papel, justamente para tentar limpar sua imagem. Lavando as mãos e as fichas sujas. Ou seja, mais sujeira lavada e reciclada do que a maior usina de compostagem do mundo daria conta.
    E, justamente por isso, pela sensação de que o País está entrando numa nova era de limpeza e transparência, os eleitores não vão perceber que as aranhas, ratos, escorpiões e lacraias da velha política, misturados a uns novos candidatos a sanguessugas, serão eleitos dentro da mais legítima legalidade, para fazer essa coisa permanecer exatamente como sempre foi.

    Agora, com toda a tecnologia, com a conveniente atitude de consciência social e ambiental, com falsa sensação de conexão das redes sociais, com maior interatividade, o que eu vejo é que quase todos estão exatamente iguais ao que sempre foram. Mas servem um cardápio aparentemente novo, a gosto do freguês, falando o que o povo espera ouvir deles.



    Em uma das minhas “anarquiscas” no início do ano eu falei de revolta popular perguntando:
    Qual será a gota que fará o transbordamento do falso processo pseudo democrático das próximas eleições? Como será que nosso povo vai reagir diante de mais uma onda de mentiras, de falsidade e de embustes?

    Durante esse tempo, percebo que no horário nobre e de maior audiência, as tramas das novelas revelam nos personagens um monte de gente que não tem vergonha, nem escrúpulos e só ficam maquinando tirar proveitos dos outros, como se estivesse endossando toda a realidade que nos cerca. A voz da TV sutilmente diz que essa é a realidade e que quase ninguém presta. As pessoas acabam achando que é normal. Como se esqueceram de como eram exigentes as letras das músicas dos anos 70. Nas últimas quatro principais telenovelas da principal emissora, isso se repetiu exaustivamente. Aliás, a trilha da novela principal da TV Globo traduz isso perfeitamente. O pior é que ninguém mais consegue diferenciar fantasia e realidade. Eu me sinto completamente sem condições de fazer frente a isso. Tenho verificado que meu voto não tem feito a menor diferença em sucessivas eleições. Pelo contrário, o medo que agora tenho, é que ao votar, acabo também referendando essa farsa, essa grande ilusão de que nossa democracia poderá levar a alguma coisa melhor. O que fazer?

    (*) Nelson Marzullo Tangerini
    Em 1978, o cantor e compositor mineiro [de Belo Horizonte] Toninho Café lançava, pela Gravadora Continental, o belíssimo LP Vitória Régia, contendo as músicas (Lado A) 1) Espadas Cruzadas, 2) Ao São Francisco, 3) Estrela do Silêncio, 4) Chapéu de Palha. / Viola e Navalha. 5) Memorando, 6) Bruxuleio e (Lado 1) Vitória Régia, 2) Fogo Branco, 3) Suíte João de Barro / Obra e Graça, 4) Macho e Fêmea, 5) Asas e Bandeiras, 6) O Fim., todas de parceria com Mário Margutti.

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    10 meses atrás
  • Labi Mendonça inseriu um comentário em Little Brother
    Luciano, a sua pergunta foi: O que leva um indivíduo a disparar uma arma sobre gente que não conhece? Vou ser curto e grosso: É mais fácil disparar sobre desconhecidos do que sobre amigos! Só isso. O resto, é isso aí. Cada um transborda de um modo. Esse foi o jeito dele de perder as estribeiras. Eu entendo perfeitamente. Tem dias que eu agradeço não ter um arsenal à minha disposição. E fico pensando que morreria de tentação de tivesse acesso ao botão vermelho que deflagraria um conflito nuclear. A vontade de apertar seria constante. Porra, vamos deixar de lenga-lenga. UM dia quando você pira, você pira. Se puder planejar como pirar em grande estilo, faz desse jeito. E Pronto! Fim de papo. Eu não hesitaria em disparar um míssil com ogiva conta o congresso e a câmara em Brasília. Acho todos eles corruptos de alguma forma. E um lixo na história política do País. Mas não faço isso, pois não está ao meu alcance. Nem resolveria o problema. Outros podres ocupariam o lugar. Isso é o que eu acho. Portanto, que se fodam os que dançaram, uma pena, mas estavam na hora errada e no lugar errado. E esse maluco, quer mesmo é ser eletrocutado. Manda logo pra cedeira elétrica e libera espaço no mundo.
    11 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Na moral - A verdade nua - 02 no fórum.
    Parte 2:
    Na sequência da série de questionamentos que estou desenvolvendo, trago aqui outras questões interessantes. Vejamos:
    1 – A formação educacional dos jovens está pior a cada dia, a despeito de toda massa de informações disponíveis de forma gratuita que hoje dispomos;



    2 - O elevado nível de informação dos jovens não significa que ajude no incremento de sua capacidade de análise, de dedução, de aprendizado e de consciência política, levando a que a maioria não tenha muita capacidade de discernimento e de posicionamento ideológico diante da realidade;



    3 - A velocidade da difusão das informações na sociedade, a grande massa de dados que circula diariamente em todos os meios disponíveis acaba provocando uma sensação de alucinação, de angústia, confundindo e provocando mais ansiedade e estresse nos jovens do que capacidade de enfrentamento e resolução das situações difíceis.



    4 - Hoje, palestrantes, consultores, instrutores, orientadores, pedagogos, psicólogos e desenvolvedores de potencial humano formam uma espécie de exército de babás de incompetentes que vive e ganha a vida ensinando a eles o que as gerações de antes dos anos 80 aprendiam naturalmente e sem dificuldade no seu processo educacional formal e profissional.



    5 - São poucos os consultores, palestrantes e que tais, atuando hoje, que tenham menos de 30 anos, o que me leva a concluir que quem está «ensinando» os jovens nascidos de 1980 para cá, são os que viveram, estudaram e aprenderam antes de existir computador pessoal, Internet, google, e muitas outras ferramentas da tecnologia que deveriam ajudar para que esses jovens fossem muito mais capazes do que são. Isso me ajuda a concluir que quanto mais fácil ter as coisas mais incapaz e despreparado fica o homem.
    Tudo isso, somado ao excessivo sentimento de celeridade do tempo, da brevidade de todos os processos e relações, da superficialidade dos laços de união e parceria, tornam o indivíduo da sociedade moderna e cada vez mais consumista, uma vítima sem opções de sua própria imperfeição, e de sua própria fragilidade intelectual. O que podemos fazer?
    COM_KUNENA_READMORE
    11 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Você sou eu! no fórum.


    Você que se diz querer ser MEU CANDIDATO, preste muita atenção:
    Se pretender mesmo assumir esse lugar, se realmente quer me representar, eu recomendo que deixe absolutamente o seu EGO de lado, abandone definitivamente a sua vontade no que pensa ser seu desejo pessoal, e esqueça que um dia chegou a pensar que sendo MEU candidato, você teria lugar a fazer alguma escolha de cunho pessoal. Agora, não mais. Agora mando eu, o ELEITOR.
    Você tem que esquecer esse papo de “eu vou fazer”, “eu pretendo realizar”, “eu prometo buscar”, e por aí vai. A partir do momento em que decidiu ser meu candidato, o “você” deve deixar de existir e no lugar devo estar EU, o eleitor.
    É a minha vontade que deverá ser a sua, é o meu interesse que você vai defender e representar, é a minha vida, a do eleitor, que estará sendo priorizada quando você se coloca na posição de candidato.
    Candidato, seja a vereador, seja a prefeito, a deputado, a senador, a governador ou presidente, implica que você precisa assumir absolutamente a posição de se colocar totalmente ao meu serviço, ao meu interesse, em minha defesa. Para isso, a sua pretensa ilusão egóica de que VOCÊ tem algum tipo de direto, deve acabar. Você, enquanto candidato, não terá mais direito, e sim dever, de me ouvir, de me atender, de exercer por extensão a minha vontade, eu O ELEITOR, aquele a quem você está pedindo o voto, ou seja, pedindo que eu lhe conceda a oportunidade de me representar, fazendo uso de um cargo público, para atender as minhas necessidades, as minhas aspirações, defender os meus direitos, e fazer cumprir aquilo que já está definido em todas as cartas de leis, normas e direitos. Não faça mais esse arrogante discurso de que “se eleito eu vou fazer algo”, pois isso trai a minha confiança, mostra que você imagina que terá algum tipo de condição de fazer alguma coisa, o que você e eu sabemos que não é assim que se realiza, não é assim que se consegue nada. Mude o discurso para “se eleito, você terá em mim um digno representante da sua vontade, do seu direito, e da sua necessidade”. Venha até mim, ouça, verifique, entenda, aprenda, definitivamente para que possamos ter algum tipo de relação: No momento em que você se predispôs a ser candidato, VOCÊ enquanto EGO deve deixar de existir e no lugar, deverá colocar EU, o ELEITOR. Espero que todos os candidatos entendam isso, aceitem isso, e assumam isso, para ter o direito de vir pedir o meu voto. Pois, EU, somos MUITOS e você deixa de ser você. Ou então, nada feito. (Labi Mendonça)

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    11 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico Na moral - A verdade nua - 01 no fórum.
    VOU PUBLICAR AQUI UMA SEQUÊNCIA DE QUESTIONAMENTOS QUE ME OCORRERAM E QUE ALGUMAS PESSOAS TÊM GOSTADO MUITO DE COMENTAR E CONTINUAR A DEBATER. ACHO SAUDÁVEL A PROVOCAÇÃO.
    ESSA SÉRIE DE TEXTOS VOU INTITULAR DE "A VERDADE NUA"

    Parte 1:
    Muito recentemente eu divulguei um texto que criei em 1997 e onde fiz depois algumas adaptações. O título era A VERDADE NUA E CRUA, e abordava várias idiossincrasias na atitude das pessoas na nossa sociedade, muitas delas até consideradas normais, dada a crescente permissividade de alguns critérios e conceitos que hoje regem os padrões de comportamento. Um amigo leitor me respondeu dizendo que havia imprimido o texto e colocado numa moldura na parede de sua casa, porém, preferia mais a nua que a crua, numa clara provocação, indicando que eu poderia considerar que ele me indicava aquele velho ditado: Se o estupro é inevitável, relaxar e gozar é a melhor solução. Isso me levou a outras considerações. Vejamos:



    1 – O público em geral se diz aberto e sem grandes preconceitos, mas revela o contrário ao alimentar seu interesse exagerado por fofocas, por notícias da intimidade de celebridades, e até por imagens do cotidiano onde aparece um pouco ou alguma parte mais íntima do corpo de alguém conhecido. Fazem muita referência ao estado estético de atores, atrizes, artistas, numa clara demonstração de que é falsa a liberalidade da sociedade. Se alguém se veste de maneira mais informal ou à vontade, exploram isso como se fosse um sinal de falta de pudor ou de vontade de aparecer. No entanto, nos desfiles de escola de samba, as mulheres praticamente desfilam nuas, sem que isso seja considerado uma forma de exposição desnecessária ou apelativa, a exibição do corpo pela simples vontade de se exibir. Mas poucos admitem que seja normal e aceite que alguém se sinta bem e à vontade ao se livrar de roupas e viver a maior parte sem elas em seu cotidiano. Isso me parece muito controverso. Não acham?



    2 – A maioria das pessoas acha que o seu critério pessoal de conduta é o padrão, e que tudo que não se assemelhe a aquele modelo que ele aceita é fora de padrão. A moda, ditada por estilistas, que por sua vez seguem as tendências que formadores de opinião lhes transmitem, impõe uma espécie de ditadura, que sofre variação a cada três meses, conforme mudam as estações e as necessidades comerciais de consumo, obrigando a que a grande maioria que necessita manter sua imagem valorizada se submeta sob o risco de ser mal vista ou desconsiderada. Assim, quem não se enquadra, corre o risco de ser discriminado, tratado como um outsider, e até ridicularizado. É preciso uma coragem e uma força de opinião muito grande para sobreviver a essa pressão e tentar ser diferente e original.



    3 – Na contramão dessa camisa de força. Celebridades como Lady Gaga, extrapolam seu mau gosto, sua excentricidade, impondo sua vontade de forma tão agressiva e rebelde que acaba sendo aceita e criando até tendências. Em contrapartida, as pessoas admitem que isso ocorra sem questionamento, mas não admitem nenhuma autenticidade ou originalidade para a pessoa que está ali ao seu lado, se esta deseja ser e usar o que bem que agradar. Onde está a sociedade liberal e sem preconceito?
    COM_KUNENA_READMORE
    11 meses atrás
  • Labi Mendonça criou um novo tópico FAXINA ÉTICA, LIMPEZA VIRTUAL no fórum.
    Eu tenho passado muito tempo sentado à frente do meu computador, com a tarefa de escrever roteiros para TV, comerciais, textos de campanhas, criar anúncios, logotipos, planejamentos de marketing. E é inevitável manter ao longe a TV ligada, onde desfila o mundo que os meios de comunicação editam para explicar a versão deles de uma coisa que não é a realidade, mas a maioria acredita ser.



    Mas, pensando bem, eu não faço nada muito diferente do que eles fazem. Tudo o que eu crio não é a realidade. Na verdade, sou pago para inventar coisas que encantam. Que deixam as pessoas sonhando, apaixonadas, acreditando que a realidade pode ser parecida com o que a gente inventa. No fundo, a realidade é ainda muito mais fantástica, muito mais complexa, muito mais cheia de surpresas, e é exatamente por isso que nós existimos. Os criativos estão aqui para tornar o mundo da fantasia mais controlável, mais previsível, fazendo com que as pessoas acabem acreditando que a realidade possa ser também mantida sob controle.



    É como se fizéssemos uma limpeza virtual. Mas a vida é malandra, rebelde, incontrolável, e adora contrariar as previsões.



    O pior é que eu fico muito observador, com o olhar crítico, admirado ao ver como os grandes grupos de comunicação, defendendo os interesses em jogo, vão montando o processo de maneira que embaralha, confunde, ilude, deixando a todos na expectativa de que eles façam nova tradução da realidade no próximo noticiário, ou nas 24 horas seguintes. Um dia após o outro, dia após dia, segue a massa acreditando em todas aquelas versões. A limpeza virtual se espalha e se consolida na mente das pessoas.



    Algumas versões chegam a ser surpreendentes. Quando tem CPI, Carlinhos Cachoeira, Demóstenes ou algum Ministro do Supremo na pauta, eles deixam de lado outras questões mais relevantes, como se nada mais importasse e aquilo fosse determinante para o País continuar.

    O pior é que o País continua, na lesma lerda, como um grande transatlântico cruzando águas profundas, sem dar a menor importância à espuma de sargaços desses episódios superficiais que flutua em sua rota.

    Outro dia, o Luciano Pires, no facebook, publicou uma perguntinha básica: Como estava sendo o semestre para a maioria das pessoas?
    Alguns disseram que nada havia a festejar. Outros trataram de desfiar um longo rosário de realizações. Eu fiquei pensando que é realmente um grande mérito quando as pessoas conseguem, a despeito das dificuldades, realizar coisas que as fazem avançar, conquistar, cumprir metas e planos.

    A verdade é que quem não vi à luta, nada consegue.

    Essa é a tônica do povo brasileiro. Mesmo contra todas as adversidades, nós avançamos, mudamos, fazemos, superamos, conquistamos. Isso deveria ser algo muito bom e louvável. Mas, tenho pensado muito. Por essa ótica, acabamos deixando de nos incomodar com o que está podre, com o que está sendo falseado, com as mentiras que vão sendo montadas, criando enredos que nos enredam numa teia alucinante. E o que precisa ser mudado não muda.



    E com esse modelo de comunicação que temos, a grande máquina de inventar cenários, enredos, teorias, suspeitas, revelações, denúncias, arma a rede onde ficamos enrolados, presos, sem clareza para entender o que se passa.



    Claro, o espectador comum, que levanta cedo e pega condução com dificuldade pra trabalhar, já tem problema demais a enfrentar na sua vidinha cotidiana para se preocupar com o que eu estou comentando aqui. Mas deveria.

    Por isso, eu fico incomodado, ao ver como os noticiários não revelam muito do que está acontecendo de importante, mostram somente alguns flashes de episódios, com uma explicação que eles mesmos inventam, para que as pessoas nem tenham o trabalho de pensar. A limpeza virtual monta o enredo que explica a loucura da realidade como se fosse uma novela.



    Eu até acho que muitas pessoas não acham errado o que vêm acontecer, já que no seu código de ética modelado pelo padrão dos personagens das novelas (a ficção imita a vida?) o problema do caráter não existe. Não tenho visto muitos personagens realmente íntegros, que não traem, não mentem, não enganam, não fingem, não dissimulam e não se aproveitam de oportunidades de forma individualista e egoísta. Será que é a vida que é mesmo assim? Ou é a fantasia que faz com que seja normal ser assim? Sem culpa?



    Sei não! Acho que a limpeza virtual acaba tendo seus efeitos nefastos na vida real. A robotização dos indivíduos vai se tornando cada dia mais forte.
    COM_KUNENA_READMORE
    12 meses atrás

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