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TÓPICO: Burro é burro

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Burro é burro 2 anos 5 mêses ago #11697

Sábado, Janeiro 21, 2012

"Olha a cabeleira do Zezé"

Carlos Brickmann,

Para o Observatório da Imprensa
Coluna Circo da Notícia - OI, Edição semanal - de 17 de janeiro de 2012


David Nasser, turco que gostava de ser chamado de turco, compôs uma beleza de batucada: "Nega do Cabelo Duro". Oswaldo Santiago e Paulo Barbosa brincaram com os chineses ("Lá vem o seu China na ponta do pé/ lig, lig, lig, lig,lig, lig lé (...) "chinês, come somente uma vez por mês"), Adoniran Barbosa falou dos judeus ("Jacó, a senhorr me prometeu/ uma gravata, até hoje ainda não deu/ faz trrinta anos, que esto se passarr/ e até hoje o gravata não chegarr"). Lamartine Babo disse que a cor da mulata não pegava. Racismo? Racismo é a mãe!

Pois não é que agora querem ver discriminação racial em tudo? Há dias, um artigo assinado por um desses intelectuais com gavetas cheias de diplomas e uma cabeça vazia de ideias e raciocínio fez duros ataques ao ator Marcelo Serrado, que faz o papel de bicha louca numa novela. Dois eram os principais argumentos: primeiro, que a bicha louca fazia trejeitos de bicha louca, e isso provocava homofobia; segundo, que o ator disse que não gostaria que sua filha de sete anos visse um beijo gay na TV, e isso, para o professor-mestre-doutor-sabetudo, também é homofobia. Cá entre nós, homofobia é a mãe.

Primeiro, o ator faz papel de bicha louca porque é assim que seu personagem na novela se deve comportar. Anthony Hopkins se comporta como canibal em O Silêncio dos Inocentes porque seu papel é de canibal. Se é para criticar alguém, que se critique o autor - mas como acusar de homofobia exatamente um dos maiores lutadores contra a homofobia, Aguinaldo Silva, que há uns trinta anos editava o jornal Lampião e enfrentava o moralismo da ditadura? Ah, Lampião! Ali estavam também Antônio Chrysóstomo, Jean-Claude Bernardet, João Antônio, João Silvério Trevisan, Peter Fry, tudo gente de primeiro time. Um belíssimo jornal.

Segundo, há gente que tem medo até de olhar para gatos (é uma doença, a ailurofobia). E daí? Se ninguém os obrigar a pegar um gatinho no colo, se o ailurófobo não sair por aí maltratando gatos, tudo bem. Há gente que odeia salas sem janelas. Se não forem obrigadas a entrar nestas salas, se não saírem quebrando os móveis, e daí? O ator não gostaria que sua filha de sete anos visse um beijo gay na TV. Este colunista não gosta de ver essas lutas de UFC e muito apreciaria que seu filho também não gostasse. Mas ele as aprecia. O colunista não gosta de comer bacalhau. E daí, cavalheiros? Alguém pretende processá-lo por negar-se a ver pessoas brigando? Estará insuflando a bacalhaufobia? Sejamos sérios!

Este país está ficando muito chato. Este colunista é gordo, não "forte". Todo mundo que tem a sorte de não morrer cedo fica velho, em vez de "entrar na melhor idade". Anão é anão, preto é preto, cego é cego. Afrodescendente? O material científico disponível informa que o Homo Sapiens tem origem na África. Todos somos, portanto, do negão ao sueco albino, afrodescendentes.

E, lendo essas coisas que a gente vê por aí, é preciso firmar opinião: seja qual for o número de diplomas que ostente, burro é burro.
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Burro é burro 2 anos 5 mêses ago #11726

"O homem erudito é um descobridor de fatos que já existem , mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir" - Albert Einstein

"Quem foge da escola e do sadismo das professoras pela porta dos fundos se torna um criminoso, e quem sai pela porta da frente se torna sábio". - Osho

Bem oportuno fazermos uma reflexão acerca da associação entre inteligência, conhecimento e sabedoria.

Não é raro encontrarmos pessoas repletas de títulos acadêmicos com pouca inteligência, é só transitarmos pelas universidades para nos depararmos com mestres mortos, que de tanto se abastecerem de informações criadas por outros, não são mais capazes de criar nada por conta própria. São, acima de tudo, completamente desinteressantes, sem vida, sem alma e sem graça.

Se faz necessário mesmo diferenciar o que é inteligência do que significa conhecimento e sabedoria.

Conhecimento é o que a mente decora e repete como um gravador sem passar pelo crivo da consciência.

Quando experimentamos o conhecimento e distinguimos o que é "verdade" do que é pura especulação, conquistamos a sabedoria, pois, a grande parte do conhecimento produzido pelo homem é completamente desnecessária.

Também encontramos pessoas sem nenhum conhecimento que são tremendamente inteligentes, cujo exemplo mais próximo se chama Lula, que sem nenhuma perspectiva de êxito social/acadêmico, chegou a presidente - não que eu seja a favor deste cavalheiro e a falta de instrução.

Estamos muito próximos de revermos estas exigências e necessidades sociais de acumulo de títulos acadêmicos que tanto o mundo dos negócios e as universidade exigem, pois, apesar de tudo isto, assistimos uma degeneração dos principais significados e valores que a vida nos pede.

Vale lembrar que as melhores "cabeças" da melhores universidades norte americanas trabalham para Wall Street, uma vez que para pagar o financiamento dos seus estudos, tem que trabalhar para os seus financiadores por longos 20 anos, e como resultado, temos o mundo na mão de espertalhões que sucumbiram todo um planeta em torno de uma economia virtual que chega a 50 vezes a real.

" O mundo pede um pouco mais de calma, o mundo pede um pouco mais de alma" Lenini

Outra coisa importante é fazer um diferenciação entre homossexual e gay. Ser um homossexual é simplesmente ter uma orientação sexual para o mesmo sexo, já ser gay é muito mais do que isto.

É fazer parte de uma cultura do exagero, do consumismo, do espetáculo e do desrespeito ao espaço alheio, cujo ator representa muito bem, alias.
Última Edição: 2 anos 5 mêses ago por Lorenzo Ramos Fiaccadori.
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Re: Burro é burro 2 anos 5 mêses ago #11764

Sou nova por aqui, mas acho que deixar minha opinião não vai me fazer mal. Vamos lá!
Como foi dito, não há dúvidas que somos todos farinha do mesmo saco, ovos da mesma galinha, frutos do mesmo pé e, por isso, nossas características, sejam elas físicas ou psicológicas, é que vão nos diferenciar no nosso vizinho.
E tudo que é diferente está sujeito à críticas, chacotas, elogios ou simples comentários.
O problema é que tudo tem que ser exagerado por aqui. Se você não gostou do diferente, tem que humilhar, bater, matar; sem querer generalizar, mas já o fazendo.
E por causa desses "encrenqueiros", aqueles que apenas por carinho e intimidade chamavam o amigo de "neguinho", ou até mesmo de "bicha" (homens estranhamente se chamam assim) foram proibidos de fazê-los, pois estão, teoricamente, sendo preconceituosos e se referindo a eles de maneira agressiva.
Eu sou nariguda, meu irmão me chama de nariguda, eu me sinto humilhada e nenhuma lei me ampara. E agora?!... rs
Brincadeiras à parte, eu gosto do meu nariz e, desmentindo o que eu acabei de dizer, não fico chateada quando me chamam de nariguda, porque eu simplesmente sou assim, meus amigos gostam de mim assim. Ser nariguda não me torna inferior à ninguém e não acho necessário uma lei que proíba as pessoas de chamarem umas às outras de narigudas por minha causa, se é que deu pra entender a analogia que eu fiz....
Sinto-me obrigada a reforçar que "este país está ficando muito chato" ...
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Re: Burro é burro 2 anos 5 mêses ago #11776

Nádia, legal você estar aqui. Continue por aqui.

É verdade, o país está se tornando muito chato. Eu fumo e virei um criminoso hediondo. Certas palavras agora são censuradas (mas ninguém percebe que "caraca" é "caralho", nem que "pô" é "porra"). Não quero degustar meu uísque trancado no banheiro, não tem graça. Outro dia um programa da Globo (Bem Estar) me ensinou a forma correta de sentar no vazo para defecar: provaram que eu "cago errado". Sinceramente, estou com o saco cheio de tanta sustentabilidade, de tanta consciência ecológica, de tanta patrulha. A ponto de aspirar por uma liberdade que só se encontra nas ruas. Por isso transcrevo este meu poeminha de algum tempo atrás. Veja se tem relação com o que estou falando:


A CRIATURA



Minás Kuyumjian Neto


A criatura mora num cortiço
bem em frente à minha casa
tem uma mulher gorda
só nos peitos
e seis filhos
selvagens pelos matos.
Não faz absolutamente
nada
além de chutar pedrinhas pela rua
ficar horas sentado num barranco
com o olhar perdido
e batalhar o próximo tostão
– quando dá vontade de um cigarro
ou de uma pinga.
Tem também um QI
considerável
denunciado pelo senso de humor
e o dom da ironia: um dia
pediu-me o tal tostão e eu
(como sempre enfurecido por ter algumas posses)
vociferei: “por acaso sou teu pai?”.

Desde então
ele me saúda
assim: “Olá, papai!”.

Ele não paga impostos
nem água ou luz
e desconhece a carga do amanhã.

É feliz,
o filho-da-puta
.
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