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Luciano Pires -

Fui assistir o filme POLÍCIA FEDERAL – A LEI É PARA TODOS, que reconta a história da operação Lava Jato desde seu início. É um bom filme, que conseguiu equilibrar o grande número de cenas de diálogos com alguma ação e até mesmo suspense.

O filme tem o mérito de dar nomes aos bois. Os criminosos presos na Lava Jato aparecem com seus nomes reais, cargos e tudo mais. Inclusive sua majestade Lula.

Sessão lotada, duas semanas depois do lançamento, e com uma reação raríssima: o público aplaudiu o filme ao final. Aliás, seguir a reação da plateia ao longo do filme é outro prazer, mostra como os fatos recentes se tornaram motivo de deboche, como personagens que merecem ser execrados da história, são tratados como piada pelo público.

O Brasil mudou.

Um filme como esse seria impossível de ser realizado cinco anos atrás. Jamais obteria financiamento, uma patrulha ideológica cairia em cima propondo boicote e seus realizadores seriam crucificados em praça pública. Mas hoje, não. O filme é produzido utilizando financiamento coletivo e dinheiro privado, sem leis de incentivo. Seus produtores são entrevistados. O público vai ao cinema e o discurso dos críticos tem mais a ver com uma comparação com Tropa de Elite do que com o conteúdo do filme em si.

Mas uma coisa me chamou muito a atenção e me deixou preocupado. O público que estava no cinema era o mesmo que foi às ruas de verde-amarelo: gente madura, que conhece a história. Cadê os jovens? Estavam nas salas ao lado, assistindo comédias, filmes de terror ou de super heróis.

Ou eu dei azar ou quem PRECISA assistir o filme, para entender e não deixar que tudo se repita no futuro, não o está fazendo.