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Cafezinho 203 – Agrotóxicos – melhor seria não usar III

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Luciano Pires -

Bem, já deu pra sacar que estou fazendo uma série de Cafezinhos só sobre agrotóxicos, não é?

No primeiro falei de como é regulada a compra e venda dos defensivos agrícolas. Pela lei, quem burlar a receita ou a venda, vai tomar uma multa gigantesca e pode até ir preso.

No segundo, falei de como são caros. Não é do interesse de nenhum produtor usar mais defensivos do que o necessário. Se fizer isso, está rasgando dinheiro.

Hoje uma passada rápida sobre a questão da liberação de novos produtos. Se você acreditar no que sai na imprensa a conclusão é que o Brasil está liberando venenos proibidos no resto do mundo. Não é bem assim. É exatamente como remédios: toda hora surge uma nova fórmula, mais moderna e muito mais eficiente para atacar as causas das doenças. Portanto, ter acesso aos mais modernos produtos é essencial.

Para o lançamento de um novo produto químico no mercado agrícola é necessária sua passagem por um longo processo de aprovação e registro em três etapas.

Primeiro a avaliação técnica e de eficiência agronômica. Em diversos países, essa etapa não é utilizada, pois considera-se que se o produto não for eficiente, será rejeitado pelo mercado. Na sequência, o produto deve receber a aprovação toxicológica pela ANVISA e a aprovação ambiental pelo IBAMA. O produto só será aprovado para registro e comercialização se tiver parecer positivo desses órgãos. A emissão do registro final fica a cargo do Ministério da Agricultura.

Até pouco tempo, no Brasil levávamos em média 9 anos para aprovar um novo defensivo para a cultura da soja, por exemplo. Nove anos! Nos Estados Unidos o prazo é de um ano. Quando um defensivo moderno, mais eficiente, menos agressivo, começa a ser usado no Brasil, os norte-americanos já usam há pelo menos oito anos. Sabe o que significa isso? Um ganho de eficiência imenso.

Quanto mais complexo o ambiente regulatório, maior a necessidade de recursos financeiros e humanos para o controle do processo. O que o governo começa a fazer é reduzir a complexidade desse ambiente, diminuindo o tempo para aprovação de novas fórmulas. Portanto, quando você ler ou ouvir por aí que o governo liberou novos defensivos, tenha em mente que o que está chegando é mais moderno e eficiente, substituindo produtos menos seguros. E a maioria do que foi liberado é composta por genéricos de compostos já utilizados por aqui.

As empresas que produzem os defensivos investem bilhões de dólares para criar produtos mais eficientes, menos agressivos ao meio ambiente e aos seres humanos. E não fazem isso porque são boazinhas. Fazem porque não são burras.

Quem é o idiota que quer deliberadamente envenenar seus clientes?

Calma. Ainda tem mais uns dois cafezinhos dessa série.

 

Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, um MLA – Master Life Administration, que ajuda a refinar sua capacidade de julgamento e tomada de decisão. www.cafebrasilpremium.com.br