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Luciano Pires -

Uma vez um leitor soltou esta pérola:

– Se tenho orgulho ou vergonha do meu país? Acho que tenho vergulho… Ou orgonha… Vale ter vergonha e orgulho ao mesmo tempo?

Ótima pergunta! Ela resume a contradição do “ser brasileiro”. Hora somos abençoados, hora amaldiçoados. Na verdade, talvez sempre tenha sido assim, a história balançando como um pêndulo.

Se nos anos cinquenta éramos o orgulhoso país do futuro, cheio de conquistas, de heróis, de música e de esperança; da metade dos anos sessenta à metade dos oitenta ficamos mais sérios, mais contidos, mais medrosos enquanto observávamos o “milagre econômico” e os generais carrancudos. Depois, na década de noventa, durante os anos da abertura, ficamos desorientados, desbundados, perplexos e ansiosos diante da abertura dos portos, da globalização e da democracia. E entramos no novo milênio para descobrir que nos faltava preparo, estrutura, cultura, coragem e conhecimento para que o Brasil finalmente acordasse de seu berço esplêndido. E broxamos ao descobrir que é impossível construir um país sem um plano, só com a garganta. E sem gente comprometida em realizar o plano.

Pois deu no que deu.

Não sei se tenho orgulho ou vergonha no país onde todo mundo tem opinião sobre tudo, baseado naquilo que ouviu dizer. Onde o principal meio de informação ainda é uma televisão apressada, superficial e refém dos objetivos comerciais. O país onde política é balcão de trocas. Onde a inveja é moeda corrente, onde uns torcem para que os outros não deem certo. O país onde o conselho mais comum é:

– Cuidado! Agora não é hora! Espera um pouco. Deixa passar a crise…

Vergulho e orgonha. Escolha.