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Luciano Pires -

Em fevereiro de 2014, no Rio de Janeiro, um bandido foi agredido, deixado nu e preso a um poste por uma trava de bicicleta no pescoço. A notícia foi manchete em todo país, e culminou numa fala da jornalista Rachel Sheherazade:

“Num país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, que arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível. O Estado é omisso, a polícia desmoralizada, a Justiça falha. O que é que resta ao cidadão de bem, que ainda por cima foi desarmado? Se defender, é claro! O contra ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado, contra um estado de violência sem limite. E aos defensores dos direitos humanos que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido.”

Sabe o que aconteceu? Rachel Sheherazade foi perseguida, acusada de apologia à violência, perdeu sua autonomia nos comentários e até hoje é acusada de fascista. Um ano depois fiz um post no Facebook contando que grupos de indivíduos estavam se juntando para enfrentar as gangues que promoviam roubos e arrastões no Rio. Um daqueles grupos seria composto de lutadores de artes marciais. Eles argumentavam que, como o Estado não cumpre sua parte na proteção dos cidadãos de bem, estavam se organizando para garantir essa proteção por conta própria.

E hoje, quase 4 anos após aquele comentário de Rachel Sheherazade, vemos o exército tomando morros no Rio, na tentativa de conter a violência. Pois é. Quatro anos e 240 mil assassinatos depois, a única coisa que foi reprimida foi a opinião da jornalista.