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Preta Gil

Preta Gil

Luciano Pires -

Em 1974, o pai de Preta Gil, também cantor Gilberto Gil, foi ao cartório, registra-la, com a avó materna da cantora. Chegando lá o tabelião falou: “Você não vai poder registrar o nome de sua filha de Preta”. Gilberto Gil achou aquilo um cúmulo e protestanto disse: “Mas por que? Existem Biancas, Brancas, Claras, Rosas e não pode ter Preta?”. E o tabelião disse: “Tudo bem, você vai botar Preta, mas só se botar um nome católico junto.”. Então a Cantora e Atriz se chama “Preta Maria” por conta do tabelião.

Ela morou no Rio até um ano de idade, depois foi para Salvador. Sua mãe logo depois teve outra filha, chamada Maria. Preta diz ter achado pouco criativo para falar a verdade. Ela já tinha um irmão mais velho, o Pedro, que tinha nascido em Londres, na época do exílio. Gilberto Gil, seu pai foi exilado junto com o Caetano na época da ditatura. Aquilo foi um caos na família.

Desde criança ela tem uma imaginação muito fértil. Ela tinha um cachorrinho imaginário, quando tinha cinco anos. Seu pai foi fazer um disco em Los Angeles com o Sérgio Mendes. A família foi morar na Califórnia oito meses. A mãe de Preta que fala: “Chegou o navio negreiro!”, ela e os filhinhos pretos.

Ela conta que na rua as pessoas perguntavam se ela estava com os filhos das empregadas. Porque a irmã de Preta, Maria, tem o cabelo crespo. Seu irmão Pedro também. E Preta com os cabelos lisos. Preta comenta: “Eu era a índia, tanto é que eu meu apelido de criança era ‘Filipina'”. Caetano a chamava de Filipina.

Estava no Rio de Janeiro no auge dos anos 80. Bombando, Blitz, Paralamas, Barão Vermelho, Lulu Santos. Tinha tanta coisa boa que acontecia. Essa coisa da música nos anos 80 era algo muito gritante. Tinha o Circo Voador, que tinha show todo fim de semana, que eu, como boa filha de artista, vivia nos bastidores, nos camarins, via tudo aquilo acontecer.

“Isso tudo me deixava alucinada, amava esse ambiente, me sentia confortável. Palco era uma coisa que me atraía muito.” revela a cantora. “Toda vez que eu ia em show do meu pai, quando chegava no bis, que eu sabia que ele já tinha feito a parte dele, ele nem me chamava, mas eu e meu irmão subíamos lá.” continua a cantora. “Ele ia pra percussão e eu já ia pro lado da minha irmã Nara, que era backing vocal do meu pai, e já ficava cantando.” finaliza Preta.

Ela queria ser chacrete (do famoso programa de TV do Chacrinha) e todo sábado tinha gravação no teatro Fenix, no Jardim Botânico. O pai de Preta, nessa época, estava estourado nas paradas, seu tio Caetano, a madrinha Gal, alguém da família sempre ia no Chacrinha. E Preta falava: “Mãe, fala pro tio para eu ir, pai, deixa eu ir.” Ela vivia no Chacrinha.

Lembra que entrava no camarim dele, aquele camarim cheio de coisas e balagandans, e achava que ele era a ‘Carmem Miranda homem’. Ela sentava no colo dele, beijava ele, ele a amava. Começava aquele programa, as luzes, a platéia, e ela ficava em um cantinho e aí entravam todas as bandas que naquela época ela amava. Amava Elke Maravilha, que era jurada. Foi criada nesse ambiente dos anos 80, muito efervescente, muita cor cítrica, muita calça semi-bag.

E ali, nos anos 80 ainda, ela resolveu que ia ser atriz, e que ia estudar porque seria atriz e cantora. Ela achava que dava para ser as duas coisas, mas queria mais era ser atriz. E diz que já era. Ela já tinha o maiozinho de oncinha, já fazia números para os seus irmãos, que odiavam. Eles falavam: “Ai, essa menina é muito metida!”.

E ela fazia showzinho para a Gal, que é madrinha de Preta. Imitava ela, para ela. Quando ela chagava na casa de Preta, ela já botava “oh balancê, balancê…”. Ela levava boá à Preta, levava roupas dela. Imitava a Rita Lee, Elba, amava Elba, ia a todos os shows dela.

Amora Silvestre, filha do Jorge Mautner, é melhor amiga de Preta. Um dia, quando elas eram crianças, Amora chegou na casa da amiga com uma boneca incrível que o Mautner viajou e trouxe para ela. E Preta não tinha uma boneca igual.

Ficou mal, arrasada, uma inveja horrorosa de criança. Preta queria porque queria aquela boneca também, mas orgulhosa, não falava nada. A amiga de Preta, Amora, ficava andando com aquela boneca e Preta com ‘ódio’ dela. Uma hora ela virou para Preta e disse: “Eu tenho essa boneca e você não tem!”, e Preta disse: “Ah é, mas o meu pai fala com Deus e o seu não!”. Estava no auge da música Se Eu Quiser falar com Deus, e Preta realmente achava que ele falava com o Senhor.

http://www.pretagil.com.br/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Preta_Gil


Preta Gil

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