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Odorico Paraguaçu

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Luciano Pires -

Apareceu pela primeira vez na peça de teatro Odorico, o Bem Amado ou Os Mistérios do Amor e da Morte, encenada pela primeira vez em 30 de abril de 1969 no Teatro de Santa Isabel, no Rio de Janeiro, com o ator Procópio Ferreira na pele da personagem.

Prefeito da cidade de Sucupira, o personagem se caracteriza por sua obsessão em inaugurar o único cemitério da cidade, construído como a principal promessa de sua campanha para prefeito, já que, sempre que morria alguém na cidade, o corpo devia ser levado para a cidade vizinha para ser enterrado. O problema de Odorico é que, após a inauguração do cemitério, ninguém mais morria. Desesperado, esta situação fez com que tomasse iniciativas macabras para concretizar sua promessa, provocando cômicas situações.

No teatro o personagem foi vivido também pelo ator Marco Nanini. Na televisão, o primeiro a interpretá-lo foi Rolando Boldrin.

Graças à interpretação antológica de Paulo Gracindo na novela O Bem Amado, Odorico Paraguaçu conquistou o público. O personagem usava e abusava de uma retórica vazia, repleta de palavras pomposas e neologismos malucos.

O próprio ator inventou várias das expressões sem pé nem cabeça que o personagem proferia sempre em tom de discurso. O jeito como Odorico abreviava conversas e raciocínios – “Botando de lado os entretantos e partindo pros finalmentes” –, os eufemismos que usava – “os cachacistas juramentados”, “a imprensa escrita, falada e televisada”, “as donzelas praticantes” –, e os peculiares advérbios que despejava em cada frase – “Deverasmente”, “Pra frentemente!”, “Pra trasmente!” – caíram no gosto popular e entraram para o folclore nacional.

Paulo Gracindo considerava Odorico Paraguaçu o seu melhor personagem. Em entrevista a O Globo em 1993, o ator declarou que Odorico era um sucesso tão grande que os prefeitos de todas as cidades que visitou, durante e depois da novela, queriam tirar fotos ao seu lado.

http://goo.gl/8B7Mm – Memória Globo – O Bem Amado


Odorico Paraguaçu

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