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Luciano Pires -

Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano apareceram na MPB no início dos anos 60 e fizeram uma espécie de gospel à brasileira – mas sem o viés religioso do que hoje é conhecido como gospel. 

Infelizmente, depois de gravar dois álbuns na Odeon em 1961 e 1963, ainda gravaram um ou outro álbum em selos menores e desapareceram. Uma pena, porque é originalíssimo e renovador e deixou para a posteridade pelo menos um sucesso – Leva Eu Sodade (“Oh! Leva eu/ Minha saudade/ Que eu também quero ir…”), do qual os cinqüentões devem se lembrar.

Nilo tinha voz agradável, mas quem dava o toque especial em várias faixas era Noriel Vilela e sua voz de baixo cantante.Bastante afinado, o grupo contava com ainda com vozes masculinas e femininas de diversos matizes. Seu uníssono quase sacro chegava a comover em números de mistério, com um pé no nosso folclore interiorano.

Os pesquisadores de nossa musica popular ainda não dimensionaram ainda a verdadeira importância que teve Nilo Amaro e seu grupo, talvez, o único em seu tempo que sofrendo influencias de conjuntos e cantores americanos como os The Platters, Nat King Cole, Ray Charles e outros, soube incorporar e reinterpretar o estilo yankee ao mais puro sentimento, lamento e alegria de nossa raiz negra mais profunda.