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Magazine

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Luciano Pires -

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O Magazine, um dos grupos mais conhecidos da chamada new wave brasileira, teve sua origem no Verminose, grupo punk com Kid Vinil nos vocais, Lu Stopa no baixo, Trinkão na bateria e Ted Gaz na guitarra.

Em 1983, depois do famoso episódio do quebra-quebra generalizado provocado pelos punks ( no show do Verminose no teatro Lira Paulistana), é decidida a mudança radical no som da banda. O Verminose deixou o punk rock de lado e adotou uma sonoridade new wave e o nome Magazine, baseado no grupo homônimo inglês (com atividades encerradas), liderado pelo carismático vocalista Howard Devoto.

Nesse momento, aparecem duas outras importantes figuras do meio musical – Tico Terpins e Zé Rodrix (ex-Sá, Rodrix e Guarabira), integrantes do lendário grupo Joelho de Porco, uma das maiores bandas de rock do Brasil.

Ambos amigos de Pena Schmidt, produtor do Magazine, começam a compor demos para o repertório do grupo, todos sucessos absolutos nos shows como: “Casa da Mãe”, “Franguinha Assada” e “Kid Vinil” (que continha o epíteto “o herói do Brasil”).
 
O novo Magazine começou a fazer shows e uma nova demo foi produzida por Pena Schmidt – o que foi capital para a contratação do grupo pelo selo Warner.

Pena consegue trazer Guti, um executivo da gravadora Warner, para assistir a um show do Magazine no Victoria Pub. Assim, a então emergente banda new wave consegue a oportunidade de debutar com um compacto por uma grande gravadora. Na época, a prática comum era testar o mercado com compactos. O grupo, então, entra no estúdio de Tico Terpins e Zé Rodrix e grava duas músicas – “Sou Boy” e “Kid Vinil” – com produção de Pena Schmidt.

Em 1983 foi lançado o compacto simples “Sou Boy”. Com forte apoio da Warner, logo se tornou um hit nacional. Seguem-se inúmeras aparições na televisão, dezenas de shows e a história tragicômica do office-boy se torna um dos personagens mais marcantes da new wave brasileira.

Embalado pelo sucesso de vendas do compacto, a Warner se anima em colocar o grupo de volta ao estúdio para gravar um LP.

“Magazine”, o LP que foi lançado em 1984, continha as várias canções compostas por Tico Terpins e Zé Rodrix e mais releituras de músicas da jovem guarda, que faziam parte do repertório do grupo ao vivo. Deste LP foi tirado o segundo compacto, “Adivinhão”, originalmente gravada por George Freedman em 1961.

No mesmo ano de 84, o grupo entra em estúdio para registrar um novo compacto: “Tic Tic Nervoso”, um novo estouro nacional, provando que o Magazine não era um grupo de um hit só. Com a agenda lotada, tocando em todo o território nacional, nos lugares mais insólitos, Kid lembra de shows inesquecíveis como o de Manaus: “serviram pra gente depois do show, uma tartaruga gigante inteira preparada na hora…”, refeição muito exótica.

“Tic Tic” era uma composição da dupla Antonio Luiz e Marcos Serra. Muito do seu sucesso se deveu ao esmerado arranjo de Liminha e Ted Gaz, e à original interpretação e performance de Kid. Essa música foi na mesma época gravada por outro grupo, o Spray, mas sem o charme e bom humor do Magazine.

O Magazine, após dois grandes sucessos, “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso”, estava em crise sobre qual direção seguir. Mesmo assim, pressionados pela necessidade de colocar no mercado um novo compacto, lançaram “Glub Glub no Clube”, composição de Ted Gaz e amigos. Essa música seguia uma linha mais eletronica, sintonizada com o gosto de Ted – fã de Thomas Dolby e de grupos que se utilizavam de tecnologia de ponta, como o Human League. Os shows do Magazine naquela época eram o retrato da linha tomada por Ted Gaz, com muito aparato tecnológico, muitos sintetizadores, baterias eletronicas e cenários elaborados.

“Glub Glub no Clube”, o terceiro compacto do Magazine, apesar de ótimo, não foi bem recebido pelo público. Com certeza, não era uma música com apelo popular de um “Sou Boy”, o que fez com que a gravadora Warner não investisse tanto em sua divulgação.

Neste momento de impasse, sem planos de gravar um novo LP, o Magazine é convidado pela rede Globo para fazer a música-tema do que viria a ser sua próxima novela, “A Gata Comeu”. Com produção de Pena Schmidt e Liminha, produtores dos primeiros compactos do grupo, o Magazine literalmente reinventou uma nova música sobre a letra antropofágica de “Comeu”, balada de Caetano Veloso: fez uma música ao mesmo tempo rock ‘n’roll, pop e comercial. Foi o terceiro grande hit comercial do Magazine, com direito até a um videoclip produzido pela Globo. .

O sucesso de “Comeu”, por um tempo, mascarou os problemas internos do grupo. O impasse era entre Ted e Kid: Ted e sua natural liderança musical, que o levava cada vez mais para o lado mais pop da new wave; Kid e a sua vontade de retornar às raízes mais rock ‘n’roll e punk do começo do grupo. Tudo isso, aliado ao stress gerado pelos anos de turnes, cobranças do público e da gravadora , trabalhos paralelos na rádio e TV, acabou gerando a saída de Kid do Magazine. Hoje em dia, com a perspectiva gerada pelos anos de experiencia, Kid admite que talvez tivesse sido uma decisão precipitada; talvez um “break” tivesse sido uma solução melhor para todos.

Logo após sua saída do grupo, Kid já engatou um novo projeto – o Kid Vinil e os Heróis do Brasil – com o guitarrista de blues André Cristovam, esporádico substituto de Ted Gaz no Magazine. Os outros membros do Magazine ainda tentaram continuar com o grupo trazendo o vocalista Pedrinho (ex-Beijo na Boca), chegando a gravar um compacto 12 polegadas pela Continental, que tambem não vendeu quase nada. Chegou assim ao fim a primeira fase do Magazine.

http://kidvinil.com.br/magazine.html

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