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Lillíssacar

Lillíssacar

Luciano Pires -

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Lilíssacar

Lillíssacar é um cantor, compositor, folclorista, e protetor da cultura de sua nação indígena, a nação Fulni-ô.

Aos 40 anos de idade, pai de três filhos, vem durante os últimos anos, fazendo apresentações de música e dança tradicionais e dando palestras sobre a vida cotidiana dos índios, em colégios e em eventos especializados.

Atualmente vem trabalhando, com todo gás, em seu primeiro CD solo “Onde o Asfalto Termina”.

Bem conhecido e respeitado dentro da tribo e da sociedade não-índia que vizinha à aldeia indígena, ele conta que a vida não é fácil no dia dia dos Fulni-ô, por causa da seca.

As músicas cantadas por ele, geralmente falam de Deus (dos Fulni-ô) do respeito ao cacique e ao pajé, e a importância destas duas figuras dentro da tribo.

Ele coordena um grupo de dança tradicional mantendo a cultura indígena entre os mais jovens da aldeia e, durante o mês de abril, ele organiza eventos para que o grupo possa desfilar nas cidades maiores para ganhar dinheiro e contribuir como sustento da comunidade indígena.

Lillissacar (que em língua portuguesa significa “periquito”) já não estranha o estúdio de gravação, conseguindo com a produtora Piper Music dois CD’s anteriores: “Yaathé do grupo Skatêlhassato” e “Flêetwtya do grupo do mesmo nome”.

Diz Steve Allen, produtor musical, diretor da Piper Music e padrinho do filho mais novo de Lillíssacar :- “É sempre um prazer trabalhar com Lillíssacar. Eu aprendo cada vez mais, somos bons amigos e os discos feitos por ele são vendidos pelos Fulni-ô para arrecadar dinheiro para projetos sociais e sustento da tribo. Sinto-me gratificado por ver que agora o seu trabalho é reconhecido. Estamos trabalhando juntos há 5 anos e houveram momentos difíceis durante este período. É chegada a hora de registrar sua voz num álbum solo para que as gerações indígenas e o público em geral, lembre-se de sua coragem e determinação. Ele merece!”

O projeto mais recente fora do estúdio de Lillíssacar é o “Museu Vivo” que é uma mini aldeia nos moldes tradicionais aonde os jovens da tribo possam ir e aprender a cultura dos antepassados. “É muito importante”, diz Lillíssacar, “Sem a cultura a nação morre”. Mostrando o caráter e a força de vontade deste homem multi – talentoso.

Os Fulni-ô são os únicos Índios do Nordeste do Brasil que preservam a sua língua, o “Yaathé”, do tronco lingüístico Macro – jê e que serve como defesa para os mesmos, pois o domínio da língua é interno e nenhum indivíduo que não pertence ao grupo tem acesso.

Os outros grupos perderam as suas línguas pela pressão imposto pela sociedade envolvente, restando apenas palavras soltas dos seus vocabulários e que, segundo os lingüistas, são impossíveis de resgatar os idiomas perdidos destes grupos.

Os Fulni-ô (o povo ao lado do rio em português) também conhecidos como Carnijós ou Carijós, vivem em sistema de aldeamento numa área de 11 505,71 hectares, no município de Águas Belas, cuja população soma 2 170 Índios*. A nação Fulni-ô conserva sua língua materna e seus rituais religiosos, sendo o Ouricuri o ritual de maior expressão.

http://forum.cifraclub.com.br/forum/9/65804/