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Honoré de Balzac

Honoré de Balzac

Luciano Pires -

Filho de Bernard François Balssa, administrador do hospício de Tours, e de Anna Charlotte Sallambier, Honoré de Balzac foi o primeiro de três crianças (Laure, Laurence e Henry). Laure era, de longe, a sua favorita.

Estudou em Vendôme até 1814, quando o pai, Bernard François, foi nomeado diretor da Primeira Divisão militar em Paris e a família se instalou na rua do Templo, no Le Marais, bairro de origem da família.

Em 04 de novembro de 1816, começa a cursar Direito e obtém o diploma de bacharel três anos mais tarde. Ao mesmo tempo, tem aulas particulares teóricas na Sorbonne. Passou este período na casa do procurador Jean-Baptiste Guillonnet-Merville, um amigo da família e amante das letras, para quem trabalhou. Também teve estágio profissional com o tabelião Passez.

Com a aposentadoria do pai em 1819, a família foi para Villeparisis, mas Honoré permaneceu no Marais, vivendo da mesada paterna. Ampliou seu gosto pela literatura conhecendo as obras de Molière, Voltaire, Rousseau e Beaumarchais, dentre outros. Em 1817 já escrevera “Notas sobre a Filosofia e a Religião”, em 1818 “Notas sobre a Imortalidade da Alma”.

Em 1820 escreveu Cromwell, uma tragédia em 5 atos sobre a vida do estadista britânico que foi mal recebida pela crítica, e em 1821 “Sténie”. Entre 1822 e 1817, sozinho e com outros escreveu diversos romances sentimentais na forma de folhetins sob nomes fictícios e com isso se sustentava.

Imbuído de idéias religiosas e monarquistas, mudou-se para a Normandia para pesquisar sobre os “Chouans”, família monarquista que liderou “La Chouannerie”, revolta anti-monarquista (1794-1800). Escreveu o livro “Os Chouans” (o 1º sob nome verdadeiro) em 1829.

Tendo-se tornado um dos maiores nomes do realismo na literatura, as suas obras são, no entanto, cunhadas sobre a tradição literária do romantismo francês. Sua A Comédia Humana (La comédie humaine), que reúne oitenta e oito obras, procura retratar a realidade da vida burguesa da França na sua época.

Os hábitos de trabalho de Balzac tornaram-se lendários – escrever cerca de quinze horas por dia, impulsionado por um sem-número de xícaras de café. Com uma produção volumosa, é frequente que se apontem pequenas imperfeições em sua obra – o que, no entanto, não é suficiente para retirar de muitas delas o epíteto de obras-primas.

A prosa realista de Balzac e seu fôlego como um retratista quase enciclopédico de sua época sobrepujam eventuais características menos invejáveis de seu estilo e o posicionam como um bastião da literatura francesa.

A Comédia Humana, que conta com oitenta e oito obras, a maior parte romances e contos, é um retrato de uma época com seu conjunto de personagens fictícios e reais que chegou a proporcionar o comentário de que “Balzac estaria competindo abertamente com o Registro Civil”.

Formado advogado, Balzac acreditava em uma monarquia constitucional, e em uma aristocracia de tipo feudal, a qual ele dizia ser o intelecto do sistema social. Escreveu um panfleto em favor da primogenitude, e declarava não acreditar nos “direitos do homem”, na igualdade humana, ou na habilidade das massas e do povo de se autogovernarem. Ele afirmava “Um só homem deve ter o poder de fazer leis.”

Em 1822 conheceu Antoinette de Berny, mulher 22 anos mais velha do que ele, com quem manteve uma relação amorosa durante 10 anos. “Berny” era casada, amiga da família, filha de um músico da corte e de uma camareira de Maria Antonieta. Ela introduziu Balzac na vida mundana de Paris e era por ele chamada de “Dileta” e também “Laure”. A partir de 1825 passou a ter outro relacionamento, este com a Duquesa D’Abrantès, sem abandonar a Berny. Com ambas viveu uma vida de Dândi, tendo se tornado mais tarde apenas amigo da D’Abrantès. Em 1831 passou a manter correspondência com a Condessa de Castries, mas com foi por ela rejeitado no ano seguinte, vingou-se e escreveu “A Duquesa de Langeais”.

Atribuem-se-lhe dois supostos filhos, frutos de relacionamentos fugazes, Marie de Fresnay (n. 1834), filha de Maria de Fresnay, e Lionel-Richard Lowell (n. 1836), filho da Condessas Guidoboni-Visconti.

Ainda em 1832 recebeu uma carta de uma “A Estrangeira”, uma Condessa Polonesa (a Polônia era então posse do Império Russo), Eveline Hanska, casada. Em 1833 se encontraram na Suíça, depois em Saxe, na Itália e na Rússia. Mantiveram encontros fugazes até 1835 e depois disso por 8 anos somente por cartas. Em 1841 Eveline Hanska enviuvou, ela e Honoré se encontraram 1843. Estando Balzac já rico e célebre, se casaram na Ucrânia (para que Eveline não perdesse os bens para o regime tzarista) em março de 1850, tendo Balzac falecido em agosto.

A partir de 1825 tentou a vida de negócios: teve uma Editora que publicou obras de Jean de La Fontaine, Molière e outros; também investiu numa tipografia e numa fundição, tendo fracassado em todas essas atividades. Em 1835 passou a ser acionista majoritário do jornal “Chroquique de Paris”, o qual fechou 6 meses depois. Em 1839 presidiu a “Societé des Gens de Lettres”, onde buscou proteger os direitos autorais e se candidatou à Academia Francesa, não tendo sido eleito. Em 1843 fundou a revista “La Revue Parisienne que só teve três números publicados.

Casado havia apenas 5 meses, faleceu 18.08.1850 e foi dito que, tão entusiasta de sua obra, na agonia chamou pelo médico Horace Bianchon, personagem muito presente em sua Comédia Humana. Balzac foi sepultado no cemitério do Père Lachaise, em Paris, e seu jazigo conta com uma estátua realizada por Auguste Rodin. O discurso foi feito por Victor Hugo.


Honoré de Balzac