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Você já ouviu esse termo “zeitgeist”? É alemão e a pronúncia é “tzaitgaist”. Adotado pelos filósofos românticos alemães do século dezoito como uma tradução do latim genius (espírito guardião) e saeculi (do século), o termo foi popularizado pelo filósofo Hegel em seu livro Filosofia da História. Zeitgeist é traduzido para o português como “espírito do tempo”, significando, em outras palavras, o nível de avanço intelectual e cultural do mundo em uma época.

De acordo com os sábios, zeitgeist é a experiência de um clima cultural dominante que define uma era. Tentando simplificar: esse clima cultural é resultante das experiências dos indivíduos que compõem as nações que convivem numa determinada era. É o espírito daquela era.

Parece complicado, né? Se pudéssemos fazer uma experiência de retornar no tempo, por exemplo, para o Brasil do começo dos anos cinquenta, o espírito de nossa era seria o de um país esperançoso pelo futuro, cheio de boas notícias, com obras para todo lado, títulos mundiais no futebol, no tênis, no boxe e no basquete, a Bossa Nova conquistando o planeta e um presidente que prometia fazer cinquenta anos em cinco. Havia um entusiasmo evidente, que podia ser “sentido no ar”.

Adiantando nosso relógio para a segunda metade dos anos sessenta e durante os setenta, sentia-se no ar o clima de preocupação, da mão pesada dos militares, da censura. Mesmo com o país crescendo, com obras de infraestrutura pipocando por todo lado, o espírito da época seria o espírito do medo, da apreensão.

Nos anos oitenta e começo dos noventa, o espírito da época era o da abertura. O Brasil descobria a democracia, votávamos para presidente, acabávamos com a inflação e experimentávamos o começo do jogo da globalização. Eu diria que o zeitgeist da época era o da perplexidade.

E hoje? Qual é o zeitgeist do Brasil? Sinceramente, não sei. Nunca vi o país tão dividido, tão desigual. Pobres contra ricos, pretos contra brancos, índios contra não-índios, ignorantes contra educados. E piorando.

O espírito de nossa época será esse? O do confronto? Que pena.

Perderemos para nós mesmos.

Muito bem. O texto que você acaba de ler foi publicado pela primeira vez em 2007 e está em meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA publicado em 2009.

Sete anos depois refaço a pergunta: qual é o espírito de nossa época?

Luciano Pires