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Trivium: Capítulo 3 – Morfologia Sincategoremática (parte 6)
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Virei Jabor

Virei Jabor

Luciano Pires -

Meu texto “De onde virá o grito?” circula pela internet e outras mídias desde que o lancei em 12 de Junho de 2007. Virou uma daquelas correntes tão características da web. Nele trato da necessidade de colocar pra fora nossa indignação diante de certos acontecimentos. Ou errados acontecimentos. E digo que o grito talvez venha dos gaúchos ou pernambucanos. Você encontra o texto em meu site www.lucianopires.com.br .
Pois acabo de receber uma cópia do artigo, cheia de comentários de leitores. Li o título do meu texto e logo abaixo o fatídico “por Arnaldo Jabor”… Os comentários orgulhosos, além de falar bem do texto, tratavam de “como o Jabor falou bem dos gaúchos”…
Demorou mas virei Jabor.
Outro e-mail me informa que o texto foi lido num programa de televisão gaúcho e o apresentador, após elogiar muito, informou que a autoria é de uma mulher (não souberam me dizer o nome dela).
Semanas atrás aconteceu outra dessas. Recebo um boletim eletrônico de uma associação de funcionários dos Correios. Lá encontro meu artigo “Os Preçonhentos” com o título modificado para “China do Futuro” e assinado por um tal Jefferson Candeo, que explica ser um “empresário que acaba de retornar da China”. Meu artigo, letra por letra, vírgula por vírgula, assinado por outra pessoa. Uma pequena vigarice, sabe como é…
Aí me perguntam o que é que eu vou fazer. E eu explico: no máximo mandar um e-mail para alguém explicando que o texto é meu. Só.
Esse é o preço da internet, uma mídia fabulosa onde qualquer um pode mexer no conteúdo. Liberdade total para circulação de idéias, mas nenhum controle sobre conteúdo ou autoria. Mesmo assim acho o saldo positivo.
Tá certo, não vou dizer que não fica um ciuminho. Afinal é um filho meu sendo mostrado pra todo mundo como se o pai fosse outro. Além disso, o Jabor é muito mais feio que eu, mas… Que fique claro: desde que comecei a escrever para a internet, em 2001, tomei a decisão de liberar os textos para que fossem publicados por qualquer meio, desde que a fonte fosse citada. Idéias existem para serem compartilhadas e quanto mais gente tiver acesso a elas, melhor. Assim também faço com as melôs, com o podcast e com muitas outras atividades.
E, no fundo, dependendo dos objetivos do autor original do texto, aquela “apropriação indébita” é até desejável. Muita gente só leu o meu texto por pensar que ele era do Jabor. E o que eu queria, aconteceu: as idéias tiveram um alcance maior do que o esperado.
O problema surge quando analisamos o caso sob o ponto de vista da moralidade. Alguém decide trocar o nome do autor. E apesar de todo o conteúdo original do texto permanecer – quase sempre – inalterado, mantendo seu valor como reflexão ou idéias, ficamos diante de uma enganação. Saber quem é o autor faz parte do entendimento do texto, que muda completamente de significado quando conhecemos as idéias de quem o escreveu. Temos um exemplo delicioso circulando por aí. A frase “Só sei que nada sei” é um dos mais famosos enunciados da história da humanidade. Dita pelo filósofo grego Sócrates, é diferente de “Só sei que nada sei” dita por Luis Inácio Lula da Silva.
Quando a lemos sabendo que o autor é Sócrates, imediatamente concluímos o que ele quis dizer: o verdadeiro sábio é aquele que sabe que é sempre um aprendiz. E quando o autor é Lula, quer dizer o quê?
Por isso o mesmo texto assinado por Luciano Pires torna-se diferente se assinado por Arnaldo Jabor. Quem troca as assinaturas está construindo uma enganação. E enganar é errado.
Mas como vivemos tempos em que “moral” e “imoral” são concepções relativas, que variam conforme os interesses financeiros ou de poder de cada um, temos que redobrar nossos cuidados.
A recomendação é simples: antes de repassar esses textos assinados por celebridades, use São Google. Faça uma busca do texto pela internet. Você tem grandes chances de encontrar o autor original e não pagar o mico de fazer parte da rede de distribuição de enganações.
Um abraço do Arnaldo Pires.
Ou será Luciano Jabor?