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Vem pra briga!

Vem pra briga!

Luciano Pires -

Tenho um podcast, programa em áudio distribuído pela internet, chamado Café Brasil. Simples, com reflexões, bom humor e música popular brasileira diferenciada. O programa nasceu em maio de 2005 na rádio Mundial de São Paulo e se transformou em podcast em setembro de 2006. Um dia achei que daria para veicular o programa em alguma emissora de alcance nacional e fiz o que a lógica manda: fui procurar as grandes redes. Algumas se interessaram, desde que eu tivesse 40 mil reais por mês para pagar pela veiculação. Argumentei sobre o conteúdo, senti que falava para as paredes. E depois vieram as fórmulas: mude o tom aqui, corte ali, bote outro tipo de música, não fale disto que é proibido, nem daquilo que “nosso público não aceita”. Aplicando as recomendações, meu programa ficaria igual às porcarias que vão ao ar diariamente, repletas de música idiota, texto idiota, apresentador à altura, falando para um público idiota.

A maioria das emissoras de rádio e televisão não faz parte da indústria da informação. Faz parte da indústria da propaganda.

Conteúdo? Só como isca para a publicidade. Existem cada vez menos exceções, mas para essas emissoras, jovens são vazios, só se preocupam com festas, só ouvem gente gritando e música enlatada repetitiva e de qualidade duvidosa. Mulheres são donas de casa, vazias, que só precisam de receitas de bolo e alguém comentando sobre a vida de celebridades. Ouvintes e espectadores são vistos como alguém de quem tirar algum.

Conteúdo? Ah, que bobagem.

Conclusão: é praticamente impossível vencer pelo conteúdo quando tratamos com diretores artísticos das emissoras de grande audiência. Propostas que não repitam fórmulas convencionais dificilmente são aceitas, a aversão a riscos é o grande assassino da criatividade. Mais fácil nivelar por baixo, fazer como todo mundo faz e brigar pela mediocridade dos anunciantes, que também preferem não fazer loucuras. De dentro das salas dos diretores de programação das grandes redes não sairá nenhuma ideia inovadora. São perigosas demais. A menos que caiam nas graças do dono da emissora… ou então que eles estejam desesperados.

E quem é que pode desesperá-los? Nós. Eu. Você. O público.

As pessoas ainda não inertes estão de saco cheio das fórmulas prontas, dos programinhas repetitivos com as mesmas propostas rasas e comerciais. É isso que explica o sucesso cada vez maior da anárquica programação da internet, que não tem o compromisso de agradar a todo mundo ao mesmo tempo, que traz de volta o inesperado, o irreverente, o politicamente incorreto, pulverizando a rotina insossa do blá, blá, blá de cada dia. A internet traz a liberdade de escolha, a independência, transferindo o poder definitivamente para o público e deixando muito claro que nós, espectadores, temos poder para provocar a renovação. Basta dar nossa atenção, nossa audiência, para o que presta e pressionar os patrocinadores a parar de injetar dinheiro nas porcarias que infestam as mídias tradicionais e sociais. Nunca foi tão fácil.

Eu estou fazendo minha parte. Minha audiência as porcarias não têm, e sempre que posso, provoco os diretores de marketing das empresas que dão o dinheiro que sustenta as barbaridades. Mas 10 anos atrás achei que era possível ir um pouquinho além.

Sozinho, pequenino, desconhecido, metido a besta e com a ajuda dos ouvintes, já publiquei 520 programas, totalizando 266 horas de conteúdo, 2.600 músicas apresentadas  e milhares de ideias valorizando a liberdade de expressão e semeando a autonomia de pensamento.

Liberdade.

E se você quer saber, a briga está só começando. Existem  centenas de outros como eu, colocando no ar suas ideias independentes através de podcasts, videocasts e blogs. E você tem um papel primordial. Gostou? Compartilhe! Tem penetração em alguma rádio e está interessado num conteúdo que não seja imbecil? Dê um alô pra gente. Só assim, fazendo a nossa parte, criando e compartilhando conteúdo pertinente, podemos nos livrar da ditadura da baixaria, do irrelevante, do medíocre.

O Brasil precisa de mais gente lutando por liberdade.

Obrigado a você que aceitou comprar a briga.