Artigos Café Brasil
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Oscar Maroni se identifica como “dono de uma empresa ...

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Hoje conversamos com Alexandre Barroso, num programa ...

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A Era da Integração
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Sete Vidas
“Eu sou eu mais as minhas circunstâncias.” (José Ortega y Gasset)   Um dia você apanha um velho álbum de fotografias e começa a revisitar seu passado. Entre as imagens registradas nas fotos ...

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Nas redes sociais, você é o que publica
Mauro Segura
Transformação
A facilidade e a displicência com que publicamos algo numa rede social são incríveis. As vezes publicamos coisas que não entendemos bem e nem temos consciência do impacto que causamos.

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Abaixo a polícia, viva o bandido!
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O Festival de Besteira que Assola a Esquerda Brasileira
Bruno Garschagen
Ciência Política
Diante da condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, intelectuais, professores, artistas, estudantes e os demais suspeitos de sempre negam que Lula tenha cometido os crimes pelos ...

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Tudo por dinheiro

Tudo por dinheiro

Luciano Pires -

Tenho seis livros escritos e editados, dos quais quatro são “comerciais”, ou seja, estão (ou deveriam estar) à venda nas livrarias. Para cada um deles tenho uma história terrível sobre o relacionamento entre editoras x distribuidoras x livrarias. O sistema de edição e distribuição de livros no Brasil é ultrapassado, caro, burro e está piorando, pois a distribuição fica cada vez mais concentrada nas mãos de menos gente, mais poderosa. O resultado é um produto caro, com distribuição deficiente e com uma péssima remuneração aos autores, além da discutível capacidade de escolha de conteúdos relevantes. Basta ver a lista dos dez mais da Veja…

Se você não sabe, de cada livro vendido nas livrarias por R$ 35, o autor recebe em média R$ 3,5. Do restante, cerca de R$ 4 ficam na gráfica que imprimiu e R$ 8,5 remuneram a editora, que produz o livro e teoricamente faz o marketing. E cerca de R$ 19 ficam no sistema de distribuição, especificamente nas livrarias que vendem os livros ao público. Ah, sim, e se você receber pelo correio ainda pagará em torno de R$ 10 pelo frete. E o livro terá custado R$ 45.

Então vamos lá: do livro que você recebeu em casa pelo Correio, o escritor fica com 7,8%. Quem produziu o livro fica com 28%. E quem distribuiu fica com 64%. É neste cenário que um livro que vende 4.500 cópias num ano é considerado best-seller num país com 200 milhões de habitantes…

Muito bem. Essa conta perversa prometia ser eliminada com o surgimento dos e-books. A tecnologia traria um ganho fantástico ao eliminar todo o processo de impressão, com custos de mão de obra, tinta e papel, além do custo da logística com correios, eliminação de estoques e brutal redução de espaço útil nas lojas. Custo de distribuição praticamente zero, que maravilha! Previa-se uma revolução! Houve quem apostasse que os preços dos livros cairiam por volta de 60%!

Pois os e-books foram lançados e a tal revolução não chegou. Aguardei com interesse a vinda da poderosa Amazon para o Brasil, que prometia quebrar de vez os paradigmas do mercado editorial. A negociação com as editoras foi demorada e ficou fácil prever que teríamos um não-acontecimento. Não deu outra. Chegou a Amazon e os livros normais vendidos a R$ 35 agora são oferecidos como e-books por R$ 25, com o autor recebendo R$ 2,5 por cópia vendida. A esperada redução significativa não aconteceu…

Não dá para compactuar com isso. Não dá para assistir as mesmas práticas deletérias sendo transportadas do mundo analógico para o digital. Não dá para continuar tendo o autor como o elo mais frágil, mal remunerado e desimportante da cadeia. Isso é desestimulante, brochante. Por isso tomei a decisão de comprar uma briga que vai me custar caro. Estou colocando os livros que escrevi e cujos direitos eu possuo para e-book, à venda em meu site www.portalcafebrasil.com.br praticamente pela metade do preço dos e-books que “eles” estão oferecendo. No meu site não haverá intermediários, não haverá custos extras. Venderei muito menos do que venderia através dos canais tradicionais, mas ganharei como autor muito mais por exemplar vendido. E entregarei um produto mais barato para os leitores, num nível de preços que acho justo: quase 1/3 do preço do livro em papel, que é aquilo que imaginei que seria proporcionado pela tecnologia.

Quer saber? Quem me importa é quem me lê, quem está em busca de ideias, de conhecimento, de inspiração, de provocação. É para esses que eu devo satisfação.

Os outros gostam menos de livros que de dinheiro.

Luciano Pires