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Cafezinho 104 – A greta
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Três Cês

Três Cês

Luciano Pires -

Outro dia escrevi um artigo falando da dificuldade que é lidar com o volume de informação que nos esmaga diariamente, e com a incompetência que as fontes dessas informações têm em tornálas acessíveis e inteligíveis para o interessado.

Mas tem um outro problema, que é tão ou mais importante: a confusão que todos fazemos entre DADOS e INFORMAÇÃO. Dados normalmente são números frios que, trabalhados e colocados em perspectiva, podem transformar-se em informação. Mas quem deveria fazer com que isso aconteça, não faz.

Trabalhamos olhando para dados perdidos, fora de contexto ou não relacionados e tomamos decisões sem embasamento, na maioria das vezes usando a velha intuição. Falta de tempo? Não.

Falta de cultura? Sim. Falta de experiência? Sim. Falta de capacidade? Sim.

Repare só na sua empresa: como é que são feitas as previsões de vendas? Ou de crescimento de mercado? Ou de participação de mercado? Não tem sempre alguém que bota um “”…eu acho””?

Pois é.

E se os dados que ele viu são ruins, o “”eu acho”” dele é ruim. Se os dados são bons, o “”eu acho”” dele é bom. Mas continuam sendo “”eu achos””.

Eu tive um chefe, o Paulo Regner, que dizia com muita propriedade: “”Acho por acho, acho eu que sou mais que tu””.

É dessa forma que surgem os apagões: das avaliações apressadas, sem base, no achismo.

Culpa de quem acha? Sim.

Mas culpa também de quem pensa estar disponibilizando informações, mas na verdade está fornecendo dados.

Dados e informações mal distribuídos. Fora de contexto. Complexos, ininteligíveis e frios. E raramente recebemos ou damos atenção ao retorno de nosso público-alvo.

Bem-vindos ao Brasil.

Pessoalmente, quebrei a cuca durante anos para entender como tratar esse problema. Acabei desenvolvendo um plano que chamo de C3. Procuro fazer com que minha equipe focalize seus esforços nos “” três cês”” que usei como título deste artigo.

O primeiro C é de COMUNICAÇÃO. Da necessidade que temos de fazer com que os canais de comunicação múltiplos sejam integrados, que sejam mãos de duas vias, que levem a informação para fora mas tragam-na para dentro também. Que sejam um canal para falar aos interlocutores (clientes, fornecedores, empregados, etc.), mas para ouvi-los também. E com a internet, isso ficou muito mais fácil. Está até ganhando um nome mais pomposo: conectividade. Ainda bem que é com “”cê””.

O segundo C é de CONTEÚDO. Esse é o maior desafio. Temos de interpretar os dados e transformálos numa história fluente, com começo, meio e fim. Com humor, com inteligência, com consistência. Algo que instigue o leitor, que chame a atenção, que traga embutido um valor que ele certamente saberá apreciar. Experimente ler os textos constantes em seu catálogo de produtos, na sua página de internet, no seu relatório anual. Provavelmente você vai ver o outro lado: como NÃO fazer…
Textos longos, chatíssimos, sem humor, sem relevância, focados no próprio umbigo, sem apelo…

O terceiro C é de COLABORAÇÃO. Construir uma rede de relacionamentos que proporcione as fontes de informação para seu trabalho. Fontes que preservamos e respeitamos e que garantem a riqueza de dados que transformaremos em informação.
Como é que isso se traduz para o nosso dia-a-dia? Na relação fornecedor – cliente?
Experimente pensar sobre o relacionamento com seus clientes, seus fornecedores, sob a ótica da colaboração. Com certeza, a maioria daquilo que você pensou que era colaboração não passará da troca simples e fria de dados…
Colaboração é mais que isso. É construir e compartilhar o sucesso e o fracasso. E nós, brasileiros, estamos longe disso. Os gringos também, mas eles são mais espertos. Criam as tendências atrás das quais nós saímos correndo…

Esses “”cês”” estão interligados. Comunicação sem conteúdo é perda de tempo. Conteúdo sem colaboração envelhece. Colaboração sem comunicação inexiste.
Os três implicam numa incessante busca por interatividade, por riqueza de informação, por fornecer algo que AGREGUE VALOR aos nossos interlocutores.

Só assim vamos nos diferenciar, pela inteligência, no mar de mediocridade que assola nosso mercado, nossa comunidade, nosso país.