Artigos Café Brasil
A fábrica de conteúdo
A fábrica de conteúdo
A Confraria Café Brasil dá um passo adiante e começa a ...

Ver mais

Um jeito de ver o mundo
Um jeito de ver o mundo
Isca Intelectual de Luciano Pires que tenta explicar o ...

Ver mais

LíderCast 5
LíderCast 5
Acabamos de lançar a Temporada 5 do podcast LíderCast, ...

Ver mais

O padrão
O padrão
Isca intelectual de Luciano Pires demonstrando que ...

Ver mais

553 – Exponential Talks
553 – Exponential Talks
Podcast Café Brasil 553 - Exponential Talks - Luciano ...

Ver mais

552 – LíderCast 5
552 – LíderCast 5
Podcast Café Brasil 552 - LíderCast 5 . Este programa ...

Ver mais

999 – Hotel Califórnia
999 – Hotel Califórnia
Podcast Café Brasil - Hotel Califórnia. O programa ...

Ver mais

551 – Todo mundo é deficiente
551 – Todo mundo é deficiente
Podcast Café Brasil 551 - Todo mundo é deficiente. ...

Ver mais

LíderCast 061 – Flavio Azm
LíderCast 061 – Flavio Azm
Hoje recebemos Flavio Azm que é cineasta, mas é muito ...

Ver mais

LíderCast 060 – Raiam Santos
LíderCast 060 – Raiam Santos
Hoje recebo Raiam Santos, um jovem brasileiro que não ...

Ver mais

LíderCast 059 – Geraldo Rufino
LíderCast 059 – Geraldo Rufino
Hoje recebemos Geraldo Rufino um empreendedor ...

Ver mais

LíderCast 058 – Marcelo Wajchenberg
LíderCast 058 – Marcelo Wajchenberg
Hoje recebemos Marcelo Wajchenberg, que é médico ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata - Temporada 02 Episódio 09 Quando ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 08 Já falei ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 07
Videocast Nakata T02 07
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 07 Se a sua ...

Ver mais

Diferentes olhares
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Diferentes olhares Metade cheia e metade vazia do copo “Nós tivemos uma economia no ano passado caindo, e no ano anterior também, uma queda que se acentuou um pouco mais do que se estava ...

Ver mais

Não contrate um comunista
Raiam Santos
Só com esse título, já deve ter gente se coçando para buscar meu CPF e tentar me processar por incitação ao ódio e preconceito. Calma, meus amigos! Sou o tipo do cara que odeia discutir política, ...

Ver mais

Carta aberta aos podcasters
Mauro Segura
Transformação
Por que os podcasts não crescem como negócio no Brasil? A resposta pode estar nessa carta aberta de Mauro Segura para os podcasters.

Ver mais

Somos responsáveis pela beleza que herdamos
Bruno Garschagen
Ciência Política
Isca intelectual de Bruno Garshagen. No Brasil, basta consultar fotos antigas das cidades para verificar que o padrão de beleza urbana tradicional deu lugar a um ambiente novo, às vezes ...

Ver mais

Traga seus ressentimentos passivos

Traga seus ressentimentos passivos

Luciano Pires -

Ouvi uma jovem que enveredou pela carreira política, explicando a razão de sua escolha. Ela disse que, preocupada em cumprir um papel social, fazia parte de um grupo que dava aulas de teatro para crianças em favelas, e achava legal. Mas quando as crianças terminavam a atividade e voltavam para casa, continuavam ameaçadas pela pobreza, pela violência, pelo tráfico de drogas, pela falta de opções. A sensação de que seu trabalho social não rendia, fez a moça ingressar na política. Como vereadora, ela teria mais poder e capacidade de influenciar na criação e na revisão das leis e normas que causam impacto na sociedade.

Ela sabia que se meteria no meio de cobras e que a imagem dos políticos nunca esteve tão por baixo. Mas também sabia que, de fora, o máximo que conseguiria fazer seria expor seus ressentimentos passivos.

Ressentimentos passivos.

Você também é mais um (ou uma) dos que preenchem seu tempo com ressentimentos passivos? Conhece gente assim? O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam “que horror”. Sabem do roubo do político e exclamam “que vergonha”. Vêem a fila de aposentados ao sol e exclamam “que absurdo”. Assistem a quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem “que baixaria”. Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram “que medo”. E pronto!

Pois acho que precisamos de uma transição “nestepaíz”. Do ressentimento passivo à participação ativa. A minha transição começou quando li num texto de Érico Veríssimo um trecho delicioso:

…”o menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos  ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos  fósforos repetidamente, como sinal de  que não desertamos nosso posto.”

E tudo ficou mais fácil quando entendi que não preciso mudar a vida de 200 milhões de brasileiros. Basta começar mudando a vida de um. Veio daí a motivação para lançar meus textos na internet, manter meus sites, escrever e distribuir meus livros, fazer minhas palestras, meus comentários em rádio e tudo que ainda vem por aí.

Não sei se provoquei alguma mudança em alguém, mas acredito que estou cumprindo um papel, homeopático, pequenino e simples. Para mim, relevante. Tem gente que escreve me chamando de ególatra, metido e elitista. Para essas pessoas, eu incomodaria menos se permanecesse confortavelmente usufruindo da vida de executivo de uma multinacional, pacatamente curtindo meus ressentimentos passivos.

É uma opção. Mas acho que sou parecido com aquela jovem política, sem a coragem dela. Ela comprou a briga, virou vereadora, meteu os pés num ambiente recheado de lama, se incomodou, ouviu abobrinhas, sofreu com os conchavos, foi ofendida de todas as formas, especialmente quando mudou de partido e de lado. Sua história é didática, na medida em que nos mostra como ela encontrou um jeito de mudar o mundo, mudando o sistema de dentro. Ela escolheu participar ativamente.

Não sei se está satisfeita, acho que não, mas quem mais tem a coragem dela?

Bem, como eu não tenho, me limito a escrever, palestrar, cutucar, provocar, e no próximo dia 20 estarei oficialmente lançando meu novo livro ME ENGANA QUE EU GOSTO na FNAC da Avenida Paulista, em São Paulo. Pretendo bater um papo com quem aparecer por lá, sobre o Brasil, onde estamos e para onde vamos.

Apareça. Leve seus ressentimentos passivos. Vamos ver se encontramos formas de transformá-los em ação.