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TRIVIUM: CAPÍTULO 3 – MORFOLOGIA CATEGOREMÁTICA (parte 2)
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Therezinha De Jesus

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Luciano Pires -


THEREZINHA DE JESUS


Dia 21 de novembro de 1981 me casei. E em algum momento imaginei como eu estaria vinte e cinco anos depois. Me imaginei pai. Me imaginei com cinqüenta anos. Me imaginei morando em minha casa própria… Nem sei se imaginei como seriam minhas bodas de prata. Será que eu estaria bem? Será que ainda estaria casado? Onde será que eu estaria morando? Como seriam meus filhos? Eu estaria bem de vida? Trabalhando onde? Difícil imaginar, não é? Para um jovem recém-casado, o futuro fica distante demais diante das expectativas do presente.
A única certeza que eu tinha era de que estaria rodeado pela família. Afinal, sempre tinha sido assim e vinte e cinco anos depois não seria diferente. Pois foi assim mesmo. Dia 21 de novembro de 2006, passei meus vinte e cinco anos de casamento rodeado da família. Filhos, sobrinhos, tios, primos e pais. Mas não foi como imaginei…
Meus vinte e cinco anos de casamento foram marcados pelo falecimento, velório e sepultamento de minha sogra a Dona Thereza, aos 74 anos. Dona Thereza estava debilitada, com problemas de saúde que a levaram a internação por duas vezes num intervalo de dez dias. Na segunda vez, o coração não resistiu. E quis o destino – ou ela – que fosse no dia das minhas bodas de prata. E passei por aquela enxurrada de sensações e sentimentos que nos afoga quando acompanhamos nossos filhos da primeira vez que enfrentam a morte repentina de um ente próximo e querido. Como consolar aquelas lágrimas tão jovens e doídas? Que resposta dar a uma adolescente que aos prantos diz:
– Eu rezei tanto pra Deus! Tanto…
Como encarar as lágrimas de netos que perderam a avó, que os queria tão bem e deixava isso claro a cada encontro, a cada olhar, a cada gesto?
Dona Thereza era a pastora que não deixava que as ovelhas escapassem. Quando percebia que uma estava arredia, tratava de trazer de volta para o rebanho. Como a maioria das mães, era a cola que mantinha a família unida.
No velório, chamava atenção a imagem de Jesus Cristo no caixão. Dona Thereza gostava muito dele.
Mas como é difícil “cair a ficha”…
Como toda família, a nossa também tinha rotinas em torno do pai e da mãe, do Vô e da Vó. Natal, aniversários e datas especiais eram em Bauru, todo mundo hospedado na casa da vó Thereza.
Agora, acabou.
E é preciso lembrar a cada segundo que… acabou. Ensinar o cérebro a aceitar algo que parece impossível. As pessoas que a gente ama não vão morrer nunca. Quem morre são os parentes dos outros. Os nossos, jamais. E quando isso acontece, a gente não aceita. Não aprendemos a viver sem referências.
No entanto… Não aceitar a morte é não aceitar a vida. Precisamos da perspectiva da morte para viver intensamente cada segundo de nossas vidas. E isso torna a morte nossa “cúmplice” e não inimiga. Você consegue pensar assim? Eu tô tentando. Mas tá difícil.
Minhas bodas de prata passaram e 21 de novembro virou data esquisita. De festa e de saudades. Pra rir e pra chorar. De alegria e de tristeza.  
Therezinha não é mais do Perez, da Mar, do Gui, da Deni, do Lu, da Lilian, do Dani, da Ju, da Gabi e do Vini.
Therezinha é de Jesus.