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Que curso fazer?

Que curso fazer?

Luciano Pires -

Com alguma regularidade sou perguntado por jovens e seus pais sobre que curso fazer, que escola buscar, que carreira abraçar. As pessoas me vêem palestrar e acham que minha experiência pode ajudar de alguma forma. É sempre uma responsabilidade imensa, pois naquele momento posso estar influenciando as escolhas e o futuro das pessoas. Dá medo.

A maioria absoluta quer cursar publicidade e propaganda, talvez pelo “glamour” que o estereótipo do publicitário criativo, rico e poderoso tem no imaginário dos jovens, não é?

Respondo: se você tem condições, busque a melhor escola disponível, mesmo que custe mais caro, que exija mais, que seja mais complicada. Ah, mas toda escola é igual! Não é. Nem dentro nem fora da sala de aula. Na escola você começa a construir os relacionamentos que serão úteis no futuro em termos profissionais e quanto melhor a escola, mais chance de construir amizades profissionalmente importantes. Mas por questões de grana, tempo e disponibilidade física nem sempre é possível ter acesso à melhor escola. Nesse caso, estude na disponível, mas seja o melhor aluno da escola! Apareça dentro e fora de sala de aula, isso coloca você acima da mediocridade e ajuda a sair atrás de uma bolsa de estudos para uma pós numa escola mais representativa, por exemplo.

Publicidade e propaganda é um ramo complicado, especialmente para os jovens que estão no interior do Brasil. Mercado pequeno, paga pouco, é um problema. E fazer escolhas de carreira aos 18 anos de idade é outro problema. Falta experiência, maturidade e visão de mundo.

Eu então sugiro um plano estratégico de longo prazo: cursaria Administração de Empresas e em seguida partiria para uma pós graduação em publicidade e propaganda. Dessa forma eu teria um diploma que permite atuar em qualquer frente, com um mercado amplo à disposição e não apenas na limitada área de publicidade e propaganda. Mesmo que a princípio eu não conseguisse trabalhar com o que amo, com o tempo estaria mais estabilizado, mais maduro e poderia fazer um plano para me encaminhar para a área desejada, com uma pós graduação.

Mas levei uns 20 anos para chegar a essa conclusão, viu? E só depois de experimentar as dificuldades de ser um bicho-marketing dentro de uma empresa de engenheiros, economistas e administradores. Sempre fui visto como um estranho por não “falar a língua deles”, o que dificultou o desenvolvimento de minha carreira. Sempre me senti o mocinho no meio dos índios. Tivesse eu um diploma de administrador de empresas e a coisa mudaria de figura… Eu “seria um deles”, falaria o idioma deles, usaria os argumentos deles e exporia minhas idéias de forma que eles compreendessem, afinal eram eles os donos do dinheiro. Eu falaria a língua dos índios, sacou?

E essa estratégia não vale só para publicidade e propaganda, mas para diversas outras áreas.

Mas esse é um pensamento de longo prazo, difícil de ser engolido pela ansiedade da juventude que deve achar horrível estudar numa área fora de seu amado objetivo imediato.

Olha, se eu pudesse voltar no tempo faria exatamente assim.

Mas esse sou eu.

Luciano Pires