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Pré conceitos

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Luciano Pires -

De quando em quando lanço uma promoção no Facebook do Café Brasil (facebook.com/portalcafebrasil) oferecendo como brinde um livro que esteja em destaque. Dias atrás lançamos a promoção com o livro A QUEDA, escrito por Diogo Mainardi, ex-colunista de revista Veja. O livro é um relato da relação de um pai com seu filho que, em razão de um erro médico na maternidade, fica com paralisia cerebral. Diogo conta como esse evento influenciou sua vida, e o relato é emocionante, humano e profundamente sensível, revelando um lado do polêmico escritor que pouca gente conhece. O livro é uma aula de Literatura, de História, de Arquitetura, de Arte, de Música, de Sociologia e, principalmente, de amor incondicional de um pai por seu filho.

Imediatamente após a publicação da promoção começamos a receber comentários dizendo que o livro é um lixo, que é jogada de marketing, que o autor é um imbecil, que deixariam de acessar o nosso portal, pois estamos divulgando o Mainardi, etc. É claro que esses comentários vieram de quem não concorda com o posicionamento político/ideológico de Diogo Mainardi e – especialmente – com a forma incisiva com que ele se expressa. A esses críticos, não interessa o conteúdo do livro, o fato de ter sido escrito pelo Diogo Mainardi invalida a obra.

Dá para compreender essas reações, dada a virulência do escritor, que ou é amado ou odiado. Mas dá para justificar?

Sou absolutamente contra o posicionamento político de Chico Buarque de Hollanda e por isso não quero saber de “Bastidores” e “Com açúcar, com afeto”? O compositor Richard Wagner é constantemente ligado ao nazismo e por isso ignoro “Cavalgada das Valquírias”? Oliver Stone é o perfeito idiota norte americano e por isso jamais assistirei a “Platoon” ou “Nascido em 4 de Julho”? Sou contra o posicionamento ideológico de Mario Lago, portanto a partir de hoje não gosto mais de “Ai, que saudades da Amélia”?

O leitor Marco Túlio Camillo fez uma reflexão interessante a respeito: “Acho que falta Sun Tzu (conheça seu oponente melhor que ele mesmo) para a iniciação literária desse povo que criticou dessa forma.(…) A opinião é subjetiva e precisa ser consolidada. Se faltam peças para opinar, simplesmente não diga nada para não parecer idiota… É o que eu acho. Também não gosto do Mainardi, mas preciso (PRECISO) ler esse livro…”.

Duas coisas me ocorreram.

Primeiro a lembrança de Ezra Pound, que escreveu uma vez que: “Podeis reconhecer um mau crítico porque ele começa por falar do poeta e não do poema.”

Depois uma pergunta. Como é mesmo o nome daquela atitude que envolve o pré-julgamento negativo de uma pessoa?

Luciano Pires