Artigos Café Brasil
Silvio Santos, Zé Celso e o Oficina
Silvio Santos, Zé Celso e o Oficina
Uma reunião para ser objeto de estudo em qualquer aula ...

Ver mais

#TransgressaoEhIsso
#TransgressaoEhIsso
Transgredir é muito mais que pintar o rosto, urinar na ...

Ver mais

Vem aí o Cafezinho
Vem aí o Cafezinho
Nasce nesta segunda, 4/9 o CAFEZINHO, podcast ...

Ver mais

Educação adulta
Educação adulta
Preocupados demais com a educação de nossos filhos, ...

Ver mais

596 – A complicada arte de ver – revisitado
596 – A complicada arte de ver – revisitado
“A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o ...

Ver mais

595 – A empatia positiva
595 – A empatia positiva
Se você construir uma linha emocional imaginária, numa ...

Ver mais

594 – Sultans of Swing
594 – Sultans of Swing
Láááááá em 1977 uma obscura banda inglesa começou a ...

Ver mais

593 – Chororô
593 – Chororô
Uma das reações mais lindas do ser humano tem sido ...

Ver mais

LíderCast 96 – Ricardo Geromel
LíderCast 96 – Ricardo Geromel
Ricardo Geromel, que sai do Brasil para jogar futebol, ...

Ver mais

LíderCast 95 – Pascoal da Conceição
LíderCast 95 – Pascoal da Conceição
Pascoal da Conceição, que fala sobre a vida de ator no ...

Ver mais

LíderCast 94 – Marcelo e Evelyn Barbisan
LíderCast 94 – Marcelo e Evelyn Barbisan
Marcelo e Evelyn Barbisan. O Marcelo é médico, a Evelyn ...

Ver mais

LíderCast 93 – Max Oliveira
LíderCast 93 – Max Oliveira
Max Oliveira, empreendedor que fundou a Max Milhas, uma ...

Ver mais

Confraria Café Brasil
Confraria Café Brasil
A Confraria Café Brasil nasceu para conectar pessoas ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata T02 10
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 10 - Hábitos ...

Ver mais

Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata – T02 09
Videocast Nakata - Temporada 02 Episódio 09 Quando ...

Ver mais

Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata T02 08
Videocast Nakata Temporada 02 Episódio 08 Já falei ...

Ver mais

País de Santos
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Há dias um assunto artificialmente inflado ocupa sites e jornais: A posse interrompida da ex-quase-futura ministra do Trabalho, deputada federal Cristiane Brasil (PTB/RJ), filha do conhecido ...

Ver mais

Jonatan, o Tolo
Bruno Garschagen
Ciência Política
Jonatan é o tolo cuja credulidade fantasiosa corrompeu qualquer traço de inocência

Ver mais

Projeções econômicas do Brasil para 2018
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Projeções econômicas do Brasil para 2018[1] Com uma sólida formação humanista, um economista pode afirmar que quanto menor a intervenção do Estado na economia de mercado, mais rico será este país ...

Ver mais

Vale fazer um curso universitário se as profissões vão desaparecer?
Mauro Segura
Transformação
Numa perspectiva de que tudo muda o tempo todo, será que vale a pena sentar num banco de universidade para se formar numa profissão que vai desaparecer ou se transformar nos próximos anos?

Ver mais

Cafezinho 39 – Como fazer críticas nutritivas
Cafezinho 39 – Como fazer críticas nutritivas
Num cafezinho anterior falei sobre a importância de ...

Ver mais

Cafezinho 38 – A agarra
Cafezinho 38 – A agarra
Basta implantar uma dúvida, uma agarra... e pronto! A ...

Ver mais

Cafezinho 37 – Sobre críticas
Cafezinho 37 – Sobre críticas
Saber avaliar as críticas é fundamental, mas saber ...

Ver mais

Cafezinho 36 – Velhos problemas
Cafezinho 36 – Velhos problemas
O Brasil não tem problemas novos.

Ver mais

Os velhinhos

Os velhinhos

Luciano Pires -

Final de ano, época de reflexões, de revisão de nossos atos, de calibrar expectativas. Um texto meu antigo cabe bem aqui. Eu o escrevi após ver na televisão uma cena terrível: uma empregada espancando uma anciã indefesa. Nós, com a energia dos 20, 30, 40, 50 anos, não entendemos como alguém pode ficar à mercê de uma agressão, como se fosse um bebê.

Será que é assim que se envelhece?

Minha cabeça foi a mil, voltando 20 anos no tempo. Me vi dentro de um taxi, olhando o cartaz que anunciava “dia 22, Buena Vista Social Club” ao vivo no Auditório Nacional, em frente ao hotel onde eu me hospedava, na cidade do México. O Buena Vista era uma espécie de gafieira em Havana, Cuba, nos anos 50. Respirava música, e grandes nomes do som cubano tocaram lá.

Com a revolução cubana liderada por Fidel Castro o clube acabou e os músicos se dispersaram, a maioria virando pedreiros, engraxates e vivendo de bicos por 40 anos.

No final dos anos 90, Ry Cooder, um músico norte americano, descobriu o som deles. E decidiu reunir os sobreviventes para um CD e um documentário, dirigido pelo prestigiado Win Wenders. A reunião de antigos companheiros, vários deles com mais de 90 anos, é emocionante. E o som por eles produzido, mais emocionante ainda. O CD é imperdível e o documentário é indispensável.

No dia certo, na hora certa, eu estava na fila de entrada. É difícil explicar um auditório para 10 mil pessoas. O maior que eu havia visto tinha sido o Radio City Music Hall, em Nova Iorque, para 6 mil pessoas. O palco, simples. Todos os instrumentos colocados na formação clássica de uma grande banda de jazz, com uns 20 ou 30 músicos. Entrou a banda. O som inebriante, dançante, espetacular. E aos poucos, chegam os integrantes principais. Com 70, 80, 90 anos de idade.

O público delirava a cada acorde, a cada solo.

Lá pelas tantas, todos se retiram, permanecendo apenas Omara Portuondo, com seus 60 e poucos anos, e o pianista. Omara diz o nome da canção que iriam tocar: Besame Mucho.

Eu fiquei decepcionado. Já ouvi essa canção tantas vezes e de tantas maneiras, que aquilo não seria novidade. Ledo engano.

– Besame, besame muuuchooo. Como se fuera esta noche la última vez.

Omara cantava e o pianista detonava em sua mistura de bolero com jazz. Era inacreditável. E aconteceu ali algo que eu só tinha experimentado num show de João Bosco, muitos anos antes. A troca de olhares entre o pianista e a cantora, os movimentos corporais de cada um, a forma como a melodia tomava conta do ambiente… eu tive a nítida impressão que o pianista começou a levitar, como que acompanhando a fluência da música.

Percebia-se no ar que aquelas 10 mil pessoas assistiam a um momento sublime, quando homem, mulher, piano, microfone, palco e público se transformam numa coisa só, uma massa viva que preenche todos os cantos do ambiente. E nos elevam a alma, os sentidos.

Deleite.

Sem ninguém gritando. Sem sangue. Sem palavrões. Sem gente pelada. Sem violência. Só poesia e música produzida por velhinhos, alguns quase centenários, como aquela anciã que apanhava na TV…

Desde então meu CD do Buena Vista Social Club ganhou outro sentido.

Os anciãos cubanos me deram prazer. A anciã brasileira, me deu pena. E me fez refletir sobre a minha velhice. Para que lado estou indo? Como estou me preparando? O que estarei produzindo aos 80, 90 anos? Prazer como os cubanos? Ou dor como a velhinha que apanhava? Não sei.

É essa reflexão que deixo a você como um voto de feliz Natal.

 

Aqui o CD completo:

Aqui Omara Portuondo com Besame Mucho e outro pianista, mas sem repetir a magica que vi na Cidade do México 20 anos atrás: