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Os meninos de Mariana

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Quem será que cria aquelas propagandas de lojas de varejo que infestam a televisão? Aquelas coisas tipo Casas Bahia, Lojas Marabras, Lojas Mariza e outras que ocupam um espaço publicitário gigantesco com tanto mau gosto? É sempre a mesma coisa: um sujeito pretensamente simpático ou um casal jovem e risonho falando alto e rápido sobre as maravilhas daquele jogo de sofá que só amanhã você pode comprar em cento e trinta e duas parcelas de oito reais e oitenta centavos.

Busquei na memória e vi que sempre foi assim. Os mais antigos lembrarão da quinzena de tapetes do Mappin. Dos ternos da Ducal. Das Lojas Brasil, onde “você leva o Brasilino de presente”… (Aliás, há anos tento encontrar um boneco do Brasilino pra comprar e não acho. Você sabe onde tem?)

Pois durante um telejornal assisti chocado às imagens da queda da barragem de Mariana. Uma tragédia imensa e – como a maioria das tragédias brasileiras – previsível. Pessoas perdendo parentes, perdendo casas, perdendo tudo… Uma das cenas mostrava três bicicletas de crianças cobertas de lama. A imagem transmitia a dor da desesperança que só as tragédias conseguem forjar. Doeu em mim. Onde estariam os donos das bicicletas? Por alguma razão tive certeza que eles estavam vivos. E imaginei suas expressões ao ver suas bicicletas destruídas pela lama.

Pausa para o comercial.

Uma grande rede de varejo. Um sujeito histriônico, de paletó vermelho, cabelo e sobrancelhas pintadas, rosto de plástico, falando alto, quase perdendo o fôlego e mostrando as ofertas imperdíveis enquanto ao fundo uma horda de consumidores fingia comprar tudo que podia. Entre as ofertas imperdíveis, uma bicicleta infantil parecida com aquela de Mariana. Em seguida vem o anúncio do automóvel que eu tenho que comprar. E depois do celular que vai resolver todos os meus problemas. Então vem aquele banco que é o melhor lugar do mundo. Todos repletos de mulheres maravilhosas, homens jovens e sorridentes, crianças inteligentes e velhinhos pensando que têm trinta anos de idade. Uma maravilha.

Volta o noticiário.

Gente morrendo na troca de tiros durante a invasão do morro no Rio de Janeiro. E agora ao vivo a repórter trazendo as últimas da inundação.

Dó…

Num instante estou no mundo real, entre tragédias e tiroteios, dor e sofrimento, refletindo sobre como tenho sorte em ser quem sou, morar onde moro e trabalhar onde trabalho. No instante seguinte sou jogado para outro mundo, onde passo a refletir sobre como é pouco o que tenho, como eu poderia ser melhor se comprasse aquela roupa, aquele carro, aquele celular. Então outra vez o mundo perigoso. E depois o mundo do glamour… E assim vai. Viajo sem parar entre dois mundos antagônicos, um renegando o outro. Vou dormir com a mente confusa. Não sei qual dos dois mundos venceu o “round” de hoje. E amanhã de manhã vai começar tudo outra vez: crianças perdendo a bicicleta e o moço vendendo uma bicicleta

Aqueles dois mundos antagônicos são representações do mundo real. Cada uma com um ponto de vista, um filtro, uma lente. O mundo dos noticiários quer nossa atenção, nos segurar até a chegada do mundo dos comerciais, que pretende que compremos! E os editores usarão de todos os recursos de drama, imagens, sons e edição para nos conquistar. No vaivém entre os dois mundos estão nossas escolhas. O que fazer com os estímulos que recebemos de cada um deles? Provavelmente arregalar os olhos diante das tragédias e voltar ao trabalho pra poder ir às compras.

É essa a rotina de nossas vidas, não é?

Mas tudo bem… Quem sabe alguém decide comprar nas Casas Bahia uma bike nova pros meninos de Mariana.