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Os icebergs

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Meu candidato foi derrotado nas eleições para presidente. Foi um baque, foi triste, decepcionante, mas não, não estou de luto. O país continua em movimento, mais devagar e por caminhos mais tortuosos e acidentados, mas continua. Costumo dizer que o Brasil é como um transatlântico que um dia recebeu um impulso, a massa é tão grande que ele simplesmente se desloca, não tem como parar, a menos que surja um iceberg em sua frente o que, apesar dos esforços de uns aí, ainda não aconteceu.

Dilma foi eleita com 54.501.118 de votos e a soma dos que votaram em Aécio, mais votos nulos, brancos e abstenções é 83.100.453. Ou seja, quase 2/3 dos governados por Dilma não votaram nela. O país está, sim, dividido e vamos ter que lidar com essa realidade. Mas e agora? Você também não votou em Dilma e está frustrado com o resultado das eleições? É compreensível… Mas além do chororô, o que dá pra fazer?

Raciocine comigo: saímos deste processo eleitoral mais maduros, parece que aquele conformismo brasileiro ficou para trás. Muita, mas muita gente mesmo está discutindo política. Vi jovens que não davam a menor bola para o tema, fazendo perguntas e se interessando. Em meio a todo lixo, vi milhares de posts interessantes nas mídias sociais, com opiniões legais e questões pertinentes, gerando discussões necessárias.

Nos últimos meses vi surgirem várias pessoas escrevendo em jornais, revistas, em livros e na internet, com ideias muito diferentes do pensamento jurássico de esquerda que domina o país desde os anos 60. Essa leva de gente “opiniática” traz argumentos que estão ajudando a amadurecer a consciência política do país.

Também nos últimos meses consumi boa parte de meu tempo escrevendo sobre política, manifestando minha opinião, entrando em conflito com gente que pensa diferente de mim e preocupado com os rumos do país. Fiquei mais rígido com meus filtros, selecionando o que ouço, leio e assisto. Não achei meu tempo no lixo e estou o valorizando ao máximo.

E esta também foi a eleição em que as mídias sociais atingiram a maturidade como processo. Podemos discutir o conteúdo que está sendo divulgado por elas, mas isso tem mais a ver com quem deixamos frequentar nossos canais. Se tem algum idiota incomodando você, a culpa é sua. Aproveite este momento para uma grande faxina. Eu, por exemplo, comecei pelo Facebook, apagando comentários e bloqueando idiotas como nunca antes neste país. E, acredite, já deu para sentir a diferença, como se o ar ficasse mais puro.

Antes da crise econômica ou política, vivemos no Brasil uma profunda crise moral e, sinceramente, não vejo em Dilma Rousseff e Cia. condições de reverter esse quadro, especialmente depois da campanha suja que fizeram. Eles vêm aí, com mais sede de sangue, pode acreditar. É essa a natureza deles, e alguém precisa pará-los.

Continuo preocupado, sim, mas sigo uma velha máxima: não sofro por antecedência nem por subsequência. Sofro no momento, e deu! Perdeu? Perdeu. Como nada posso fazer para mudar o resultado da eleição, agora é trabalhar para mudar o futuro. Saí destas eleições mais maduro, mais experiente para lidar com as mentiras, mais ciente de quem são os manipuladores e oportunistas, mais consciente de meu papel na mudança da sociedade, com mais vontade ainda de fazer a diferença.

Então mãos à obra. Não há tempo para chororô, mimimi e nhém-nhém-nhém, temos que desviar dos icebergs.

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