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Filipe Aprigliano
Iscas do Apriga
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O véinho

O véinho

Luciano Pires -

Meu amigo, minha amiga, não fique nervoso ou nervosa. Isto aqui é só uma reflexão.

O Brasil é um susto por dia. Ou por hora.  Esta semana foi uma loucura… Dois ex-governadores do Rio na cadeia, invasão da Câmara, quebra-quebra na Alerj, ameaças de rasteira na Lava Jato… E no meio dessa loucura aparece uma tese que vem sendo tratada em vários meios, a de que uma possível queda de Michel Temer abriria possibilidade de FHC assumir um mandato-tampão, em eleição indireta pela Câmara.  Sim, você leu certo, Fernando Henrique Cardoso.

Muita gente acha a ideia absurda, mas eu não. Digamos que Temer caísse lá para março/abril. Não acho que vá acontecer, mas digamos que aconteça. Fosse FHC eleito, teria um mandato-tampão de 1 ano e 9 meses aproximadamente, tempo minúsculo para o tamanho das reformas necessárias. Mas pode ser justamente essa sua força. Você goste ou não dele, FHC, nos altos escalões de Brasília, talvez seja o único com capital político para costurar os acordos que terão de ser feitos para aprovar as medidas cruciais que precisamos. Seria irônico… o cara que conduziu as costuras do Plano Real que colocou o Brasil nos trilhos, voltar às costuras para consertar a obra do PT e Cia (inclusive a “oposição”).

Pronto. Derrubei o disjuntor de um monte de gente.

Pare. Respire. Conte até dez. Deixa pra lá o que escrevi e vamos ao que interessa de verdade, quero propor outra discussão: que merda de geração é essa que precisa recorrer a FHC, um véinho, para botar ordem na casa? Será que não conseguimos produzir uma só liderança capaz de pegar o bastão e conduzir o país de volta aos trilhos?

Como pode um país com mais de 200 milhões de habitantes não conseguir produzir líderes capazes de chegar lá?

Olha, produzir líderes brilhantes, consegue sim, aos montes. Mas com capacidade de chegar lá, são outros quinhentos.

O sistema para “chegar lá”, um monstro criado pela Frankenstênica Constituição Cidadã de 1988, não privilegia mentes brilhantes, mas interesses, conchavos e conveniências. Se o candidato for brilhante, melhor ainda, mas isso não é mandatório. Taí Dilma Rousseff para comprovar…

O resultado estamos vendo nas ruas do Rio de Janeiro, com gente desesperada diante da possibilidade de ver seus caraminguás serem ainda mais reduzidos, ou até eliminados em nome de consertar a barbeiragem que alguns fizeram. Já não é mais questão de intelectuais, militantes, artistas ou festeiros pedindo justiça social nas ruas, é luta pelo prato de comida. Já assistimos esse filme. Começa com meia dúzia de intelectuais, depois estudantes e artistas, aí sindicatos e chega no povo, o povo real mesmo, aquele pessoal que até então assistia e sofria as manifestações pela televisão ou dentro do busão parado enquanto pneus queimam.

Intelectuais, artistas, estudantes e até sindicatos são levados no bico por papo furado e uns troquinhos aí, tá tudo certo se sobrar algum pra eles. Mas o povo não. O povo precisa de mais que blábláblá. Precisa de gente capaz de fazer as escolhas, determinar as prioridades, separar o que é urgente do que é importante e, mais que tudo, com compromisso com o país.

Cadê?

Não tem. Chama o véinho

Que geração é essa?