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O Jogo

O Jogo

Luciano Pires -

Pediram-me para comentar a crise global que começou com os tais “subprimes” nos EUA. Fico apreensivo, não sou economista e provavelmente falaria besteiras. Mas aí me lembro daquelas famosas duas regras da economia: 1. Para cada economista existe outro igual dizendo exatamente o contrário. 2. Ambos podem estar errados…

Poxa, então posso dar meus pitacos! Olha só.

Luca Bartolomeo de Pacioli foi um monge franciscano e matemático italiano considerado o pai da contabilidade moderna. Em 1494 publicou um livro que ficou famoso, a “Summa de Arithmetica, Geometria proportioni et propornaliti”. Um capítulo desse livro definiu o que veio a ser a contabilidade de dupla entrada: entra um tanto, sai outro tanto e a diferença é o que vai dizer se o negócio vai bem ou mal. Esse método ficou famoso, mas tem uma limitação: é baseado em interações, na troca de bens ou serviços por dinheiro ou por outros bens ou serviços.

Quando a internet surgiu com força total, o mundo mergulhou de cabeça em transações bilionárias que prescindiam de produtos e serviços. As transações eram baseadas em idéias, em algo que poderia valer no futuro. Assistimos coisas malucas, como uma companhia aérea cujas centenas de aviões valiam menos que o software criado para gerenciar as emissões de passagens. Uma idéia na cabeça valia mais que um produto na mão.

E o mundo enlouqueceu, pois o modelo de Luca Pacioli não contemplava a transação de nada com coisa nenhuma. E quando se percebeu que aquelas idéias não tinham lastro a bolha explodiu. E ninguém entendeu…

Outro exemplo: uns trinta anos atrás o Japão era o tigre asiático, crescendo como ninguém, tornando-se a segunda maior economia do mundo e mostrando uma exuberância econômica de fazer inveja. No auge dos meus vinte e poucos anos eu não entendia o milagre japonês.

– Eles não têm terras. Não têm matérias-primas. Não têm água. É impossível sustentar essa posição sem ter base, sem ter raízes, sem ter extensão territorial.

E ao longo dos anos oitenta o Japão foi definhando e para mim o que aconteceu foi simples: o Japão só tinha promessas. Desenvolveu capacidade tecnológica e criatividade para trabalhar sobre as matérias- primas de outros países. A falta de raízes, de base, de lastro, logo esgotou o modelo japonês, que interrompeu aquela exuberância para entrar num processo infinito de quase estagnação. Ainda são poderosos e ricos, mas não podem ir mais adiante. O Japão não tem lastro.

A bolha da internet, aquele Japão e a atual crise dos subprimes dos EUA têm muito em comum: são complexos processos de interações econômicas baseados em percepções. Em riquezas virtuais. Em algo que não existe. São, portanto, insustentáveis.

Estamos assistindo um jogo no qual todos os jogadores blefam. Na hora de mostrar as cartas, a casa cai. E quem arriscou mais, perde mais. Ou ganha mais.

E no meio desse tiroteio só tenho certeza de uma coisa. O capitalismo curará suas feridas e sairá ainda mais forte.

O que verdadeiramente me apavora é a tentativa de explicar a crise econômica pelas lentes da ideologia. Isso é papo de jogador que não sabe perder.