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Luciano Pires -

Nas transmissões das lutas do MMA (Mixed Martial Arts, antigamente chamado de Vale Tudo), quando um lutador acerta um direto no queixo do outro, que cai como um saco de batatas, os locutores exclamam:

– Desligou o disjuntor!

Disjuntor é o dispositivo eletromecânico que desliga a corrente elétrica quando acontece um curto circuito. Comparando com um sistema de canos hidráulicos, a corrente é equivalente à taxa de vazão da água. Quando a taxa de vazão sobe demais, como acontece num curto circuito, o cano pode romper. E o disjuntor corta a corrente. A intensidade da corrente elétrica é medida em Ampéres (A) e os disjuntores atuam conforme a capacidade de amperagem para a qual foram projetados. Um disjuntor de 10 A desliga quando recebe uma corrente de 15 A por exemplo. Achei excelente o “desligou o disjuntor”, que cabe como uma luva quando tratamos de processos de comunicação. Quer ver?

Inaugurei uma nova palestra chamada “Tudo bem, se me convém”, na qual trato de comportamento ético. Logo no início apresento uma reportagem de TV, com um mendigo chamado Gilberto da Silva. Gilberto vive de catar latinhas pelas ruas. Uma noite, ele encontra milhares de cheques no lixo e entrega para a polícia. Num determinado momento do vídeo, a repórter diz:

– O velho das latas, mesmo vivendo com tão pouco, preferiu a honestidade.

Nesse momento interrompo o vídeo e entro em cena dizendo:

– É miserável porque é burro! Onde já se viu? Não tem o que comer, não tem o que vestir, não tem onde morar, acha dinheiro e devolve? É burro! Querem saber o que ele respondeu quando perguntaram por que devolveu o dinheiro?

Solto a segunda parte do vídeo onde Gilberto diz:

– Dignidade é uma coisa que não se pode dizer que tem, você tem que ter ela dentro de você…

Então peço à platéia que aplauda o Gilberto e – com a imagem dele na tela – explico que ele tem valores tão fortes que se sobrepõem à fome e miséria:

– Valores individuais são princípios fundamentais que tem a ver com virtude. Valores individuais orientam o comportamento, determinam nossas prioridades e nos definem como indivíduos.

A partir da atitude do mendigo – de devolver o que não é seu –  continuo a palestra tratando de virtude, ética e cidadania. E mais à frente quando em outro vídeo uma autoridade dá a entender que “achado não é roubado”, afirmo que isso é desculpa para praticar uma atitude amoral.

Sabe o que aconteceu? Mais de uma pessoa que estava na platéia se manifestou indignada, pois chamei o mendigo de burro e defendi que ele ficasse com o dinheiro…

Minha frase de impacto – “é burro!” – desligou o disjuntor. Quando a pessoa me ouviu dizê-la, seu cérebro desligou e ela não ouviu mais nada. Não importa se toda a sequência da palestra teve como foco o comportamento ético, se pedi para aplaudir o mendigo e se critiquei duramente quem pregou uma atitude contrária à dele.

Só sobrou o “é burro!”.

É por ter essa capacidade de desligar o disjuntor que certas frases e expressões, quando tiradas do contexto, ganham vida própria e passam a significar o contrário do que o que foi dito.

Por sorte, diferente dos fusíveis que queimam e precisam ser trocados, os disjuntores podem ser rearmados manualmente. É só religar. Mas vou tomar mais cuidado. A partir de agora colocarei um aviso informando a amperagem da palestra.

Assim, quem tiver disjuntor fraco se cuida.

Luciano Pires