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Segunda,21 Maio 2012

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O Contador De Histórias

O CONTADOR DE HISTÓRIAS

 Fui convidado a palestrar para um grupo de voluntários do Viva e Deixe Viver (www.vivaedeixeviver.org.br), um grupo que percorre hospitais contando histórias para crianças. Apresentam-se com divertidos aventais cheios de quinquilharias, levando aos pequenos adoecidos um pouco de alívio... São contadores de histórias.


Com eles aprendi o Credo do Contador de Histórias:


"Creio que a imaginação pode mais que o conhecimento. Que o mito pode mais que a história. Que os sonhos podem mais que os fatos. Que a esperança sempre vence a experiência. Que só o riso cura a tristeza.


E creio que o amor pode mais que a morte."


Durante muito tempo me senti atraído por essa profissão: contador de histórias. Até que tornei-me um deles. O que faço em meus textos, palestras, programa de rádio ou livros é simplesmente... Contar histórias.


Foram as histórias que ouvimos de nossos pais, avós e tios, que nos transmitiram conceitos morais e éticos enquanto crescemos.


E hoje, continuamos ávidos devoradores de histórias. Que outra explicação existe para o sucesso das novelas na tv? Ou para a nossa fome pelos telejornais e jornais impressos?


Nos alimentamos de histórias. Com elas enriquecemos nosso repertório e aprendemos a interpretar o mundo. Mas tem um probleminha aí.


A “moral da história” que ouvi de meus pais e avós sempre envolveu regras de comportamento, lições que separaram o que era bom do que era ruim, mandamentos sobre a convivência harmoniosa, sobre o uso da inteligência ou o respeito ao semelhante. As histórias que conto para meus filhos também transportam valores morais que, penso, vão ajudar cada um a moldar seu caráter. Como meus pais e avós, quero formar cidadãos.


Mas hoje os filhos e netos não estão mais interessados em ouvir histórias dos mais velhos. Preferem a tv. O videogame. O cinema. A propaganda. As cores, movimentos e sons hipnóticos preparados por especialistas. Quem conta as histórias não são mais parentes interessados em valores morais. São vendedores interessados em vender um produto. Um serviço. Um político. Gente interessada em formar con-su-mi-do-res...


Dá pra notar a diferença? Cidadãos...E consumidores...


Quando contei histórias para os contadores de histórias do Viva e Deixe Viver tive diante de mim um grupo de voluntários que tem um objetivo admirável: suplantar a dor, contando histórias. Enriquecer repertórios, contando histórias. Disseminar valores morais, contando histórias.


Pois repare nas histórias que você ouvirá hoje e procure entender a motivação de quem as conta.


Diferente dos pais e avós que, assim como os voluntários do Viva e Deixe Viver contaram histórias para sua alma, os vendedores dos novos tempos contam histórias para seu bolso.

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