Artigos Café Brasil
#DicaNetFlix Trotsky
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É uma série de terror. Tem assassinos em série, ...

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Visualizando as estruturas do discurso do Portal Café Brasil
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Se você se aproximar do Café Brasil, prepare-se para ...

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Café Brasil Premium – Retrospectiva 2018
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Ao longo de 2018 o Café Brasil Premium decolou e ...

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#Retrospectiva PodSumários
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Comece 2019 praticando o Fitness Intelectual. A barriga ...

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657 – Brumadinho e a Challenger
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A tragédia da explosão da Challenger em 1986 marcou ...

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655 – É carnaval
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654 – Sarau Café Brasil III
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Os jovens empreendedores que criaram a netshow.me, uma ...

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LìderCast 143 – Doug Alvoroçado
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Esse alvoroçado não é nome não, é adjetivo. Um ...

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LíderCast 142 – Marcelo Pimenta
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LíderCast 141 – Ronaldo Lira
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Procurador do Ministério Público do Trabalho, uma ...

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Cafezinho Live – Como será o Brasil com Bolsonaro
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Um bate papo entre Adalberto Piotto, Carlos Nepomuceno ...

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046 – Para quem vai anular o voto
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Fiz um vídeo desenhando claramente o que acontece com ...

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Confraria Café Brasil
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Videocast Nakata T02 10
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Só envelhece quem perde a curiosidade
Henrique Szklo
O mundo está muito óbvio. As coisas têm sido analisadas pelos pontos de vista mais superficiais e, em geral, equivocados. Julga-se por aparência, por condição financeira, por orientação sexual, ...

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Defendam Douglas também
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Iscas Politicrônicas
Não conhece Douglas Leandro Clizesqui? Sem problemas. Ninguém conhece. Ele é pai de Douglas Murilo, uma das oito vítimas fatais no massacre da escola estadual em Suzano; o caso todos conhecem. ...

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A abundante mente semanal
Carlos Nepomuceno
RESUMO DA LIVE: https://youtu.be/hHzgP5sqbjM LIVE COMPLETA: https://www.facebook.com/carlos.nepomuceno/videos/10157193323018631/   Quer fazer? Me mande um zap: 21-996086422. R$ 200,00 ...

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Luciano Pires, o cara que chegou ao meiostream
Carlos Nepomuceno
RESUMO: “ Podcast não tem ouvinte. Podcast tem torcida”!!! – Luciano Pires. Tive o prazer de conversar ontem por mais de uma hora com o criativo Luciano Pires, coordenador do projeto Café Brasil, ...

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Cafezinho 159 – O bobo da corte
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O palhaço, o bobo, o gozador, é o único a perceber a ...

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Cafezinho 158 – O tempo que lhe resta
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Dê o primeiro passo para fazer com que o tempo de vida ...

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Cafezinho 157 – Papo de bêbado 2
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Cafezinho 156 – O que é que aconteceu com o carnaval?
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Nossa Novilíngua

Nossa Novilíngua

Luciano Pires -

“A melhor maneira de ocultar a verdade é usar um português obscuro, ambíguo, diz minha amiga Jussara Simões.

Quer um exemplo?

O Portal Imprensa publicou que UOL, Terra e Globo decidiram notificar a Rede Record por supostamente distorcer os dados do Ibope para classificar www.R7.com.br  como o segundo maior Portal do Brasil. No final do texto, os jornalistas escreveram: “Procurada pela reportagem, a Rede Record afirmou, por meio de sua assessoria, não ter recebido qualquer notificação.”.

Hummm… a Record não recebeu “qualquer” notificação? Mas pode ter recebido uma notificação “específica”, não é? E se ela recebeu a notificação específica, não mentiu aos jornalistas quando disse que não recebeu uma notificação “qualquer”, compreendeu?
Escrevendo “não recebemos qualquer” eles podem estar dizendo “recebemos uma”. Um pequeno truque do português ambíguo que pega muita gente que confunde “não + qualquer” com “nenhum”.

George Orwell descreveu em sua obra-prima “1984” um mundo dividido em três grandes blocos: a Oceania, a Lestásia e a Eurásia. Na Oceania, composta pelas Américas, Inglaterra, Sul da África e Austrália, o idioma falado pelos cidadãos era o inglês. Mas todos os documentos eram escritos em “novilíngua”, o idioma oficial do Partido.
O conceito da novilíngua baseia-se na noção de que, no processo de pensar, traduzimos os pensamentos em palavras, manipulando-as num diálogo interno. Quando surge um tema complexo e novo, inventamos novas palavras ou adaptamos antigas, de forma a enriquecer nossa capacidade de dialogar mentalmente. Portanto, quanto mais rico nosso vocabulário, maior a capacidade de fazer comparações mentais sutis. E tirar ricas conclusões.
Para os criadores da novilíngua, se alguma coisa não pode ser expressa numa palavra, fica mais difícil de pensá-la. Portanto, a proposta era reduzir o vocabulário para diminuir a capacidade dos indivíduos de desenvolver pensamentos que conflitassem com os interesses do governo. E a cada nova edição do dicionário da novilíngua, menos vocábulos estavam presentes. No livro de Orwell, o Partido esperava que até 2050 a novilíngua substituísse o inglês como idioma corrente. A novilingua promovia o “duplipensar”, um estado mental em que dois pensamentos excludentes entre si conseguem coexistir.

Muito bem. Vivemos numa sociedade onde nenhum valor moral é mais importante que a troca de nosso dinheiro (ou poder) por algo que alguém quer nos vender. Seja um saco de arroz, uma religião ou um político. Nesse ambiente competitivo, se os argumentos dos “vendedores” são verdadeiros ou não, não têm importância, contanto que sejamos persuadidos. E uma das armas principais para nos convencer é exatamente a novilíngua e o duplipensar, que saltaram da ficção de Orwell para a realidade.

Hoje em dia, como nunca antes neste país, malabarismos lingüísticos fazem com que um sim signifique não. E pouca gente percebe. É assim que se abre caminho para um programa de proteção aos direitos humanos que cassa direitos humanos. Ou um chamado “Comitê da verdade” que só quer a verdade de um lado. Ou o caixa dois transformado em “recursos não contabilizados”. Ou uma “promoção” que custa mais caro. Ou o corrupto que é apresentado como grande político. E assim por diante.

O próprio George Orwell escreveu: “Se as idéias corrompem a língua, a língua também corrompe as idéias”.

Por isso enriquecer o vocabulário não serve só para falar bonito.

Serve para pensar direito.