Assine o Café Brasil
Artigos Café Brasil
Fake News
Fake News
Isca intelectual lembrando da teoria dos Quatro Rês, ...

Ver mais

Matrizes da Violência
Matrizes da Violência
Isca intelectual lembrando que os presídios brasileiros ...

Ver mais

Mudei de ideia
Mudei de ideia
Isca intelectual de Luciano Pires incentivando que você ...

Ver mais

2016 – Que ano!
2016 – Que ano!
Hora de parar e olhar pra trás pra ver o quanto ...

Ver mais

544 – Persuadível
544 – Persuadível
Podcast Café Brasil 544 - Persuadível. Vivemos numa ...

Ver mais

543 – Desengajamento moral
543 – Desengajamento moral
Podcast Café Brasil 543 - Desengajamento moral. Como é ...

Ver mais

542 – Tapestry
542 – Tapestry
Podcast Café Brasil 542 - Tapestry. Em 1971 uma cantora ...

Ver mais

541 – A festa do podcast
541 – A festa do podcast
Podcast Café Brasil 541 - A festa do Podcast. ...

Ver mais

LíderCast 056 – Paula Miraglia
LíderCast 056 – Paula Miraglia
LiderCast 056 - Hoje conversaremos com Paula Miraglia, ...

Ver mais

LíderCast 055 – Julia e Karine
LíderCast 055 – Julia e Karine
LiderCast 055 - Hoje vamos conversar com duas jovens ...

Ver mais

LíderCast 054 – Rodrigo Dantas
LíderCast 054 – Rodrigo Dantas
LiderCast 054 - Hoje vamos falar com o empreendedor ...

Ver mais

LíderCast 053 – Adalberto Piotto
LíderCast 053 – Adalberto Piotto
LiderCast 053 - Hoje vamos entrevistar Adalberto ...

Ver mais

045 – Recuperando do trauma
045 – Recuperando do trauma
Quando terminar o trauma, quando o Brasil sair deste ...

Ver mais

Vem Pra Rua!
Vem Pra Rua!
Um recado para os reacionários que NÃO vão às ruas dia ...

Ver mais

44 – Tudo bem se me convém – Palestra no Epicentro
44 – Tudo bem se me convém – Palestra no Epicentro
Apresentação de Luciano Pires no Epicentro em Campos de ...

Ver mais

43 – Gloria Alvarez – Sobre República e Populismo
43 – Gloria Alvarez – Sobre República e Populismo
Gloria Alvarez, do Movimento Cívico Nacional da ...

Ver mais

A força da vocação
Tom Coelho
Sete Vidas
“Eu nunca quis ser o maior ou o melhor. Queria apenas desenhar.” (Mauricio de Sousa)   Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali. É quase impossível que estes personagens de histórias em quadrinhos ...

Ver mais

O caos no Rio de Janeiro tem muitos culpados. E uma explicação
Bruno Garschagen
Ciência Política
Isca intelectual de Bruno Garschagen, lembrando que o que está acontecendo neste momento no Rio de Janeiro revela que a relação do carioca com a política não mudou muito desde o final do século 19.

Ver mais

Que grandeza…
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Ah… nada como o amor sincero à Pátria, o dar-se pelo povo… Nada como ver políticos desprendidos, servindo à nação uma verdadeira aula de civismo, espalhando sabedoria e exemplo de ...

Ver mais

Vendedores debruçados ou conversando
Suely Pavan Zanella
Iscas Comportamentais
Isca intelectual de Suely Pavan que tenho observado uma postura comum em lojas e supermercados: vendedores debruçados em balcões ou reclamando pelos corredores.

Ver mais

Meus respeitos

Meus respeitos

Luciano Pires -

Fiz um post comentando a morte de D. Paulo Evaristo Arns no Facebook e o bicho pegou. Dezenas de comentários criticando o comunista que simpatizava com Fidel Castro e ajudou na marcha do Brasil para a esquerda, até dar nisso que aí está.

Sim, D. Paulo tinha uma posição de esquerda. Como tiveram Ferreira Gullar, Antonio Abujamra, Ariano Suassuna, Rubem Alves, só para ficar nos que faleceram recentemente. E nem por isso podemos negar a importância de cada um deles para o Brasil.

É preciso tomar cuidado ao analisar o passado com as lentes do presente. Havia um contexto no final dos anos 60 e durante os 70. D. Paulo estava no olho do furacão e teve uma presença importante na sociedade brasileira, como tiveram centenas de outros esquerdistas já falecidos. O conheci pessoalmente em Brasília, foi muito atencioso e educado, e sempre me pareceu que, com a idade, foi se afastando da militância política. Faltou, como fizeram Ferreira Gullar e Fernando Gabeira, uma autocrítica.

Mas ao longo dos anos 1970 e 1980 não sei se seria possível, na posição que ele ocupava, agir diferente. O regime militar empurrou muita gente para a esquerda, e isso não transforma essa gente em demônios. Reduzir a passagem de D. Paulo pela terra à simpatia com Fidel Castro e movimentos sociais, à teologia da libertação, à ajuda na criação do PT e de Lula, sem considerar o contexto em que isso aconteceu é, no mínimo, míope.

D. Paulo foi mais que um comunista de batina, assim como Mario Lago foi mais que um comunista ator, Jorge Amado foi mais que um comunista escritor, Oscar Niemeyer foi mais que um comunista arquiteto… entre tantos outros.

Então, na Confraria Café Brasil, um dos participantes comenta meu post:

“ Luciano, eu não me sinto capaz de opinar sobre ele pois nem sequer o conhecia, mas lendo isso que você escreveu agora fiquei com a seguinte dúvida: não é sobre isso que trata o marxismo cultural? Quero dizer, ocupar diferentes espaços com comunistas/marxistas e que seja natural que esses sejam mais do que comunistas, ou seja, pessoas influentes por terem atuações inegavelmente diferenciadas em suas áreas? Se fossem comunistas mas fossem uns merdas, eles teriam influência de forma a atender a uma agenda marxista? Não estou afirmando nada, é apenas um pensamento que passou pela minha cabeça para apimentar o debate. Para mim não interfere a ideologia do cara pois o Café Brasil me ensinou a arte de comer picanha rs.”

Minha resposta:

“Claro que é assim. Eles ocupam áreas estratégicas, mas meu ponto é outro. O Brasil seria melhor sem D. Paulo? Sem Chico Buarque? Sem Betinho e Henfil? Sem Oscar Niemeyer? Sem Ariano Suassuna? Como só é possível responder essa pergunta com a conjunção subordinativa condicional ‘ se’, que nos mantém no reino das suposições, prefiro ficar com o benefício da dúvida: cada um desses cumpriu um papel importante na história do meu país e da minha vida. Chico, Darcy Ribeiro, Lima Barreto, Veríssimo e tantos outros… até Marilena Chauí, estão no lado oposto do meu no espectro político, mas há um pedacinho de cada um deles no que sou. Consigo ver em cada um coisas boas e coisas ruins. Sem justificar ou perdoar suas escolhas, na hora da morte, em vez de dizer “ainda bem que se foi”, eu digo “respeito mais um que se foi”. Eu não diria isso de psicopatas como Fidel Castro e Adolf Hitler, por exemplo, mas digo com tranquilidade sobre os que de alguma forma ajudaram a moldar quem sou.”

E se há algo que não sou, é comunista…

Portanto, meus respeitos D. Paulo Evaristo Arns. O senhor jogou do outro lado do gramado, mas ajudou a fazer de mim um jogador melhor.