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MEU PROGRAMINHA


Tenho um programa de rádio. Chamado Café Brasil. Simples, com reflexões, humor, poesia e música popular brasileira diferente. O programa vai ao ar desde abril de 2005 pela rádio Mundial de São Paulo. E também na Internet, pelo meu site. Quando decidi pôr o programa no ar em outras cidades, fiz o que a lógica manda: fui procurar as grandes redes de rádio. Todas se interessaram pelo meu programa, contanto que eu tivesse 40 mil reais por mês para pagar pela veiculação…
Argumentei sobre o conteúdo. Senti que falava para as portas… E depois vieram as fórmulas. Mude o tom daqui. Corte ali. Bote outro tipo de música. Não fale disto que é proibido. Nem daquilo que “nosso público não aceita”… Aplicando as recomendações, meu programa ficaria igual às centenas de lixos que vão ao ar diariamente. Música idiota, texto idiota, apresentador à altura, falando para um público idiota.
A maioria das emissoras de rádio e televisão não faz parte da indústria da informação. Faz parte da indústria da propaganda.
Conteúdo? Só como isca para a publicidade. Para essas emissoras, jovens são idiotas que só se preocupam com festas, só ouvem gente gritando e música enlatada de péssima qualidade. Mulheres são donas de casa vazias, que precisam de receitas de bolo, fofocas e um astrólogo fazendo adivinhações. Velhos só se interessam pelos “Bailes da Saudade”. E todos ouvintes e espectadores são vistos como alguém de quem tirar algum.
Conteúdo? Ah, que bobagem…
Diante da realidade, desisti. Não dá pra vencer pelo conteúdo quando tratamos com os diretores artísticos das rádios de grande audiência. Pois tenho uma convicção: a de que vivemos novamente o momento “Perdidos na Noite”. Para quem não se lembra, esse era o nome do programa de televisão que revelou Fausto Silva como apresentador, nos anos oitenta. Um programa tosco, improvisado, completamente fora dos padrões televisivos e que se tornou um sucesso. Até a Globo transformar naquela coisa insuportável dos domingos. Minha convicção é de que boa parte do público, ao menos as pessoas que ainda não estão inertes, está de saco cheio das regras e das fórmulas prontas da televisão e do rádio. Programinhas repetitivos, com as mesmas propostas rasas e comerciais. Quando aparece uma loucura como o “Pânico”, torna-se um fenômeno. Traz o novo, o inesperado, o irreverente, o politicamente incorreto, tudo que quebra a rotina insossa do bla bla bla de cada dia. Pena que apenas com bobagens…
Propostas que não repitam fórmulas, dificilmente são aceitas por emissoras comerciais. Irreverência não convive com medo. O “alguém pode não gostar” é o grande assassino da criatividade. Mais fácil nivelar por baixo, fazer como os outros fazem e brigar pela mediocridade dos anunciantes que preferem não fazer loucuras. E a conclusão é óbvia: de dentro das salas dos diretores de programação das grandes redes não sairá nenhuma idéia inovadora. São perigosas demais…
É preciso aparecer alguém com coragem para comprar a briga. A coragem dos inovadores ou a dos oportunistas. Então cabe a nós, espectadores e patrocinadores, contribuir para a renovação. Os espectadores dando audiência para o que presta. E os patrocinadores, parando de injetar dinheiro nas porcarias que infestam as redes de rádio e televisão. Simples, não é?
Eu estou fazendo minha parte. Minha audiência, os “Zorras Total”, Gugus e Sabadaços não têm. E sempre que posso, provoco os diretores de marketing das empresas que põem dinheiro nessas barbaridades.
Mas fui além. Estou gerando conteúdo. Sozinho, pequenino, desconhecido e metido a besta. Por isso, se você é dono ou tem penetração em alguma rádio e está interessado num conteúdo que não seja imbecil, me dê um alô no
[email protected] . Tenho um programinha, com um pouquinho de reflexões, poesia, filosofia e música popular brasileira… Mas é só um programinha. Que talvez contribua com um pouquinho de inteligência e humor, numa rádio que lhe interesse.
Mas não se preocupe, viu? De inteligência, meu programa só tem um pouquinho.
O que, no Brasil dos pocotós, é um excelente começo…